Edit Template

“Houve muita competência técnica, uma linha de comando irrepreensível e de extrema eficácia” no combate ao incêndio no HDES

“Houve muita competência técnica, uma linha de comando irrepreensível e de extrema eficácia, que permitiu criar uma barreira defensiva de protecção ao restante edifício do hospital, salvaguardando a sua integridade e circunscrevendo o incêndio à zona técnica, eléctrica e de cargas e descargas,” afirma João Paulo Medeiros, Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada.

O Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, João Paulo Medeiros, esteve desde a primeira hora, na linha da frente do combate ao incêndio no Posto de Transformação Eléctrico (PT) do Hospital do Divino Espírito Santo. Viu, como ninguém, o inexcedível empenho dos Bombeiros Voluntários no combate ao fogo e o ar cansado e mesmo esgotado com que saíam do PT, um espaço de combate a incêndio que consideram um “verdadeiro inferno”.
O Presidente da Associação, João Paulo Medeiros; o Comandante dos Bombeiros de Ponta Delgada, Nuno Barbosa, e alguns bombeiros, só deixaram a zona do incêndio passava já das 03h00 do dia seguinte. Fizeram, praticamente, o que se designa como ‘uma directa’, numa operação de 24 horas, sempre com a preocupação de que o fogo não reacendesse.
João Paulo Medeiros, no texto que acedeu redigir em exclusivo para o Correio dos Açores, tem também a oportunidade de enaltecer o esforço inexcedível dos profissionais de saúde na evacuação total das cerca de três centenas de doentes que se encontravam no HDES.

Uma descrição emotiva

“O dia 4 de Maio de 2024, para além de ser o Dia Internacional do Bombeiro, estará para sempre associado ao combate e controlo do incêndio verificado no Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, operacionalizado pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada e das corporações irmãs da Ribeira Grande, Vila Franca do Campo, Nordeste e Povoação.
Numa operação sem precedentes na Ilha de São Miguel, dada a complexidade técnica envolvida, foi possível acautelar a transferência de cerca de três centenas de doentes e utentes daquele Hospital, para diversas unidades de saúde da Ilha de São Miguel, em tempo recorde, sem quaisquer incidentes, mobilizando as viaturas de transporte urgente e não urgente da ilha de São Miguel, ao serviço dos Corpos de Bombeiros, a que se juntou o exército, num esforço de coordenação ímpar, dedicação extrema e voluntariosa inexcedíveis dos profissionais de saúde, totalmente empenhados, concentrados e extremamente focados em salvar vidas, priorizando as medicinas mais urgentes, acabando por alargar a todo o Hospital.
Esta operação ficará para sempre na memória das gentes da ilha, na memória colectiva de todos nós por estar associada à Festa em Honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres, Padroeiro da Associação Humanitária de Ponta Delgada desde 1941.
Houve muita competência técnica, uma linha de comando irrepreensível e de extrema eficácia, que permitiu criar uma barreira defensiva de protecção ao restante edifício do Hospital, salvaguardando a sua integridade e circunscrevendo o incêndio à zona técnica, eléctrica e de cargas e descargas.

“Entre os melhores do mundo”

Esta operação serviu também para medir a eficácia e a competência dos nossos Bombeiros, que de uma forma quase perfeita, colocando a sua vida, no limite das suas capacidades físicas, técnicas e até psicologicas, demonstraram estar ao nível de qualquer força de proteção civil do Mundo.
Estou convicto, porque vi com os meus olhos, que a sua eficácia, está ao nível dos melhores, e que nenhum Bombeiro, nenhum comandante, conseguiria fazer mais e melhor;
A sociedade, os Açores e os micaelenses de forma particular devem muito aos seus Bombeiros; homens e mulheres que se entregaram de corpo e alma, numa operação de combate sem precedentes, de praticamente 24 horas, pois é preciso ter em conta que as equipas só abandonaram o local depois de concluídas as operações de rescaldo e de vigilância constante. Não houve reacendimentos, apesar da matéria altamente inflamável que lhe estava associada e isso diz muito da competência técnica e de análise que foi imprimida no local.
O COS (Comandante de Operações de Socorro) foi inexcedível. Aliás, o reconhecimento de muitos dos seus pares, espalhados por todo o país, é prova evidente disso. É sobretudo um mérito próprio, fruto de uma vasta experiência acumulada.
Estamos muito reconhecidos por isso; a todos e a cada um dos Bombeiros, de todas as corporações.
É preciso ter em consideração que se nos interrogarmos, já houve no país alguma operação de evacuação total de um hospital? Não creio e sobretudo uma operação que não tenha qualquer incidente.
Há que realçar ainda, o envolvimento, desde a primeira hora, das forças de segurança, nomeadamente a PSP, que estiveram empenhados na orientação e segurança do espaço envolvente, em estreita colaboração com os Bombeiros, e que funcionou na perfeição.
Até um grupo de escuteiros e guias, que se voluntariaram para distribuir as refeições, alimentos e bebidas pelos Bombeiros e agentes da PSP presentes no local, também num esforço digno de registo e agradecimento”

                ****

O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, vai visitar amanhã o Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada para um “especial reconhecimento” da sua acção no combate ao incêndio, como realça na Declaração de Calamidade Pública Regional publicada no Jornal Oficial.

João Paz

Edit Template
Notícias Recentes
“É urgente a necessidade de reduzir o número de utentes por Médico de Família”, diz Maria Teresa Albergaria
Jaime Oliveira foi um dos cinco açorianos que ao lado de Salgueiro Maia desceram de Santarém a Lisboa no dia 25 de Abril de 1974: “Tive medo…”
“Temos muita fé no Divino Espírito Santo”, afirmamos mordomos dos Remédios da Bretanha
Câmara de Ponta Delgada estuda solução para o trânsito na Alameda de Santa Teresa
19 medalhas de ouro, 19 de prata e 18 de bronze no Campeonato Regional das Profissões
Notícia Anterior
Proxima Notícia
Copyright 2023 Correio dos Açores