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O relvado já não é o problema principal

É verdade. Se durante muitos anos o relvado do estádio de São Miguel era a principal dor de cabeça, desde há um ano, sensivelmente, deixou de o ser.
A transferência para um plano secundário deve-se à melhoria evidente nos jogos que ali têm decorrido. A passagem nos exames de avaliação da exigente equipa da Liga Portugal, deixa perceber de que não será pelo relvado que a equipa do Santa Clara pode ficar impossibilitada de realizar os jogos da próxima época perante os indefectíveis adeptos.
Neste ciclo do futebol, salvo raras excepções derivadas de chuva forte e persistente, como aconteceu no jogo da Taça de Portugal com o FC Porto, provocando a interrupção à meia hora, as pontuações têm sido positivas.
Os últimos jogos foram um teste à resistência da relva, reflectida na pontuação cujo máximo são 5 pontos: 4.38 com o Tondela, a 20 de Abril (a melhor nota da época e de sempre, que já se verificara a 19 de Fevereiro de 2023, no jogo com o Famalicão, na Primeira Liga); 4.13 com o Belenenses, na sexta-feira, dia 3 de Maio. Três dias depois a equipa de Sub-23 utilizou o relvado na partida com o Benfica após ter chovido intensamente. Nos primeiros minutos aqui e ali viram-se poças de água, desaparecendo rapidamente pela melhoria da drenagem. Os pedaços de relva não têm levantado como vinham sucedendo e o jogo da manhã de segunda-feira teve mais de duas horas de duração.
Não houve nenhum milagre. A melhoria deve-se ao trabalho conjunto do Serviço do Desporto de São Miguel e da forte intervenção da administração da SAD do Santa Clara com um elevado contributo na aquisição dos produtos indispensáveis para que o relvado apresente a consistência que nunca teve.
Muitos ensaios e muitos trabalhos foram desenvolvidos na relva. Administram-lhe analgésicos. O problema mantém-se e relaciona-se com a areia vulcânica. Os “remédios” que agora recebe são muito mais eficazes. Melhoram, mas não curam.
O que efectivamente pode interditar o estádio de São Miguel são outros problemas, identificados repetidamente pela Comissão Técnica de Vistorias da Liga Portugal. Resultam da degradação própria de 48 anos de existência. As estruturas em redor do recinto de jogo estão obsoletas. São os sanitários, cuja manutenção raramente aconteceu; a zona da sala da imprensa; os balneários, apesar dos remendos, e a falta de um para as senhoras árbitras; a questão das câmaras de vigilância; os muros no interior e no exterior do estádio estão a necessitar de pinturas que não ocorrem há 12 anos; a substituição das cadeiras na bancada norte ficou incompleta, transmitindo uma má imagem e uma clara falta de planeamento no número adquirido, além de outras falhas. Falhas que classificam-no com o nível 3 (prata). Se não forem corrigidas e construídas, podem empurrar a equipa para fora dos Açores.
Ao longo dos anos o estádio de São Miguel foi esquecido. Nunca houve a preocupação da cobertura preencher parte ou todo o espaço em falta, numa região onde a chuva predomina. Em 2009 a secretaria da Cultura pediu um projecto para a cobertura total das bancadas. A empresa Proengel apresentou-o com um orçamento de 7 milhões. Uma oportunidade perdida. Hoje custa o dobro ou mais.
A Comissão Técnica das Vistorias tem fechado os olhos às anomalias, mas já avisou de que se a equipa subir à Primeira Liga, o estádio de São Miguel tem de superar as lacunas.
A PROPÓSITO do relvado do estádio de São Miguel, reencontrei, 22 anos depois, o micaelense professor João Pedro Franco. Tem um conhecimento profundo da sala de visitas da ilha pelas funções que exerceu de delegado da Direcção Regional da Educação Física e Desportos, como era chamada, a partir de Fevereiro de 1983 até 2000. Com a criação do Parque Desportivo de São Miguel assumiu, por inerência, o cuidado das instalações desportivas governamentais.
Na longa conversa de recordações mantida veio à baila o actual estado do estádio, sobretudo o relvado. João Pedro Franco relembrou terem realizado visitas a alguns relvados de estádios no Continente para perceberem a melhor forma da reconstrução da relva, danificada em 1992 pela utilização nos Jogos Sem Fronteiras. Dois anos depois as obras foram executadas e foram apresentadas várias hipóteses que nunca avançaram devido aos custos.
Uma das hipóteses era a substituição da areia vulcânica das nossas ilhas por areia vinda do Continente que permite uma melhor drenagem e a utilização de um tipo de terra diferente porque a usada não é muito permeável. Nenhuma solução foi por diante. O resultado foi o que se assistiu durante muitos anos, ao ponto de o terem chamado de “batatal”.
RODRIGO CÂMARA SÁ é uma criança de 12 anos de idade, feitos a 25 de Janeiro, com um potencial muito elevado para jogar futebol num nível elevado.
Assisti a três das exibições que realizou pela equipa de São Miguel no torneio açoriano entre selecções de futebol de sete, categoria de sub-12, de seis ilhas, que teve lugar há duas semanas em Ponta Delgada.
Apesar de as equipas adversárias se apresentarem com pouca qualidade e demasiado frágeis, fenómenos naturais pela pouca competitividade e pelo reduzido campo de recrutamento nas ilhas com menos população, o Rodrigo patenteou uma qualidade que se não for inserida num contexto de maior exigência estagnará como tantos talentos açorianos que conheci.
O ingresso num clube que tenha uma formação de excelência, mesmo sem serem o Benfica, o Sporting ou o FC Porto, é o caminho acertado para corrigir e para evoluir nos campos físico, técnico, táctico, psicológico e por aí fora.
Continuo a não compreender qual o interesse em fazer disputar torneios onde a discrepância entre equipas é assinalável. Nenhum jogador evolui ao deparar-se com adversários demasiado acessíveis e quando defrontam atletas com intensidade, com ritmo e com argumentos individuais e colectivos superiores. Porque não dividir as selecções melhores das mais fracas, jogando entre si separadamente, por duas vezes, em dias diferentes?
Além das medalhas que daqui a uns anos alguns não sabem onde se encontram, que ganharam os atletas da ilha de São Miguel para o seu desenvolvimento futebolístico ao marcarem 38 golos e não sofrerem nenhum em cinco desafios?
A Federação Portuguesa de Futebol definiu para esta época o escalão de Sub-12 para os nascidos em 2010. Apenas na ilha de São Miguel houve provas destinadas a esta categoria. Nas ilhas Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial realizaram-se campeonatos de Sub-13, cujos jogadores são os nascidos em 2009. Provavelmente as equipas integraram jogadores Sub-12 e Sub-11.
Porque não acompanhar o ciclo de torneios regionais com os das selecções nacionais de futebol, a partir dos Sub-14? Faz mais sentido do que assistirmos a mais uma “degola de inocentes”!

José Silva

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