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Geminação com Timor no Coração

Dezembro de 1951. Vamos encontrar José Francisco Nunes Ventura, empoleirado na sua cadeira de bata branca, de faixa ao peito com o nome do longínquo Timor.
Declamava uma ode “Timor no Coração”.

  1. Vem dessa altura a iniciação ideológica de Ventura nos valores e princípios da Doutrina Social da Igreja e dos ideários da social -democracia e do socialismo humanista e reformista.
    Ainda hoje, jovem octogenário, fazem parte dos seus princípios e valores.
    Cidadão Impoluto. Homem de Causas.
    Timor de causa perdida e impossível, hoje realidade acontecida.
    Porquê? Porque Resistentes existiram.
    De notar, que aos Resistentes, apesar de ideologias diferentes, une-os o Ideal Nobre da Liberdade, da Tolerância e da Inclusão.
    Estabelecem como fronteira um não categórico aos extremismos usem os jargões que forem, incluindo a xenofobia, o racismo ou outro tipo de descriminação qualquer.
    Ventura jovem empreendedor, líder, humanista e progressista, faz sempre por ter presente o célebre pensamento de Nelson Mandela: “Sempre parece impossível até que seja feito.”
    A 20 de Maio de 1992 a República Democrática de Timor Leste declarava a sua Independência. Foi um drama esquecido por muitos e longos anos.
    Em Dezembro de 1975 iniciava-se a invasão da Colónia portuguesa de Timor, pelas forças armadas indonésias.
    Novembro 1991. Ocorria no cemitério de Santa Cruz em Díli um massacre.
    Eram assassinados pelas tropas ocupantes algumas centenas de jovens timorenses.
    Durante o período em que durou a resistência timorense várias foram as vozes, nomeadamente ligadas ao mundo dos negócios, que se manifestaram pela inviabilidade da Autodeterminação de Timor.
    Distinguindo-se neste particular a associação de amizade Portugal – Indonésia.
    Contrariando esta posição, a Associação de Amizade Açores – Timor, liderada por José Ventura, conhecido pelo Homem das Três Pátrias, e antigo militar em Timor, esteve desde a primeira hora ao lado da Causa do Povo de Timor.
    Tendo desenvolvido uma notável acção junto de muitos jovens timorenses, que acolheu em S. Miguel, para prosseguirem estudos.
    A conjugação da luta dos resistentes, da crescente pressão internacional e das mudanças no governo da Indonésia, conduziram a que em 4 de Setembro de 1999, através dum referendo 78,5 % dos timorenses optassem pela Independência da sua Pátria. Destacar o papel relevante da Igreja Católica de Timor em todo o processo.
    Março de 2024. José Ventura solicita uma audiência com a Embaixadora de Timor Leste Dra. Isabel Amaral Guterres.
    Objectivo apreciarem em conjunto a iniciativa da Geminação de Vila Franca do Campo – Ilha de S. Miguel – Açores e Díli capital de Timor Leste.
    Incluindo uma Homenagem ao grande e, considerado pelos timorenses seu Herói, o Engenheiro Artur do Canto Resende, – Açoriano, natural de Vila Franca do Campo.
    Dessa audiência, foi dado conhecimento ao Presidente da Edilidade Vila-Franquense, Dr. Ricardo Manuel de Amaral Rodrigues que deu todo o seu apoio e estímulo à iniciativa do pedido da presente audiência.
    A 5 de Abril de 1967, no cumprimento do serviço militar Ventura embarcava no n/m India com destino a Timor “Onde quando o sol nasce se vê primeiro”.
    Ganhou uma consciência de solidariedade e amizade com os timorenses, apreciando e vivendo as suas tradições e a sua história, comungando as suas alegrias e as suas tristezas. Guarda a todos e a todas no coração. Crianças, jovens, homens e mulheres, de raça e cor diferentes, timorenses, chineses e europeus.
    Dezembro de 1990 – “Timor quinze anos de dor”…
    Sob a liderança de Ventura nasce o embrião da Associação de Amizade Açores – Timor.
    Uma onda de gente respondeu. Disse presente ao grito de revolta e exigência de liberdade e democracia. Jamais deixaram de estar presentes com a organização de diversas acções pró Timor. Fossem manifestações públicas, palestras e exposições ou outras iniciativas, nomeadamente junto de várias escolas e a pedido dos seus conselhos directivos. Salientar que foram sempre desenvolvidos contactos, a níveis institucionais para o apoio das iniciativas tomadas.
    De salientar a presença do Padre Victor Milícias Alto Comissário Português para Timor-Leste nos Açores, convidado a deslocar-se a Ponta Delgada para receber da coordenadora do movimento “Açores por Timor”, Dra. Luisa César, um cheque que Victor Milícias referiu, ter sido o cheque que recebeu de maior valor para a causa timorense. Foram, pois, muitas as acções de ajuda moral e material levadas a efeito.
    De destacar o protocolo assinado com a Escola Profissional da Povoação e, com o patrocínio da Câmara Municipal daquela Vila. Dezembro de 1999, 8 jovens timorenses com idades compreendidas entre os 18 e os 20 anos, assinaram o contracto que lhes permitiu receber formação profissional entre várias áreas de especialidade. Ventura faz por realçar a atenção sempre merecida pela Dra. Pascoela Barreto, a primeira Embaixadora de Timor em Lisboa.
    Recorda com emoção a entrega a Xanana Gusmão do Diploma de Sócio Honorário da Associação de Amizade Açores Timor.
    Ventura constata, pensa, sente e acredita que a Geminação em questão irá se realizar, não só para fortalecer a promoção e a cooperação entre as comunidades, fomentando a paz e a tolerância, assim como estimulando a educação e a cidadania.
    Artur do Canto Resende, nascido a 7 de Agosto de 1897 na primeira capital de S. Miguel e chacinado a 23 de Fevereiro de 1945 pelas forças ocupantes japonesas na ilha de Alor, depois de ter sido feito prisioneiro em Díli, merece voltar a ser lembrado como um grande Herói.

António Benjamim

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