Edit Template

O valor das europeias

As eleições para o parlamento europeu terminam um ciclo de enorme turbulência política e partidária como há muito não se via no país. Novas lideranças na generalidade dos partidos políticos, nomeadamente nos mais estruturantes da nossa democracia, escrutínios antecipados e parlamentos dissolvidos, tanto nas regiões autónomas como na República. Em todos os casos, porque a nossa ordem constitucional é essa, os executivos caíram e os portugueses foram chamados antecipadamente às urnas. Por isso, esta campanha eleitoral que agora termina traz consigo uma importância muito significativa no que concerne à vida interna e abrangência social das várias forças políticas.
O governo da AD, pese embora as inúmeras contingências a que teve de acudir depois das legislativas nacionais, pretende naturalmente obter um bom resultado nas europeias, fazendo delas uma segunda vitória após a curta remontada de março. Um segundo triunfo que servirá para acalentar a vontade de levar a legislatura o mais longe possível, ou chegar às próximas eleições antecipadas como o garante da estabilidade e o exemplo da concretização de políticas públicas na governação, enquanto outros não o fizeram.
Os socialistas e o Chega querem o contrário. Os primeiros tencionam demonstrar que tudo o que de positivo foi aprovado, teve a sua intervenção, tentando com isso angariar descontentes do voto de março para se manter como mais votado para o hemiciclo que varia entre Bruxelas e Estrasburgo.
O segundo, depois de ter sido posto de parte no que concerne à área da governação, pretende agora fazer valer a sua meia centena de deputados para, ora ir lembrando Montenegro que só sofre porque quer, ora tentando demonstrar ao país que é o único adulto na sala. Nesta estratégia dúplice tem tudo a perder. Quando o reconhecerem como moderado, aquele grupo parlamentar minga rapidamente. Quando chegar ao poder que diz pretender mudar, os vícios dos restantes partidos far-se-ão notar ainda mais. E aquele grupo parlamentar minga abruptamente.
As eleições para o parlamento europeu são habitualmente uma forma de os eleitores sacrificarem o partido que governa, já que as repercussões internas desse puxão de orelhas são bastante relativizadas. Uma versão light do «fuma, mas não inala» que desta vez não deve acontecer. Afinal, o executivo de Montenegro tem ainda uma vida muito curta, e aos olhos do eleitorado que não é apaniguado militante de qualquer partido, normalmente mais escolarizado, não merece, por agora, qualquer censura. Ainda mais quando, após a tomada de posse, o executivo não tem feito outra coisa senão apresentar medidas para colmatar processos suspensos desde há muito anos.
Polícias, professores, oficiais de justiça, guardas prisionais, médicos e enfermeiros, entre muitas outras pendências.
E mesmo as medidas decididas no parlamento contra a vontade do governo, como o caso do fim das portagens nas SCUT, ou o alívio fiscal mais moderado do que Luís Montenegro pretendia, serão pelo executivo implementadas, podendo por isso parecer aos olhos da opinião pública que foram suas as propostas, podendo ainda vir com elas a beneficiar.
De uma forma ou de outra, estamos a falar de um grande círculo de compensação nacional. Um círculo eleitoral único, no qual de facto todos os votos contam, sejam depositados nos Açores, em Aveiro ou em Bragança. Por isso mesmo, a possibilidade de o Livre eleger um deputado é real, tal como já aconteceu há cinco anos com o PAN.
Mesmo que Paupério tenha andado profundamente desacompanhado pelo líder. Ou que o Chega possa chegar à meia dezena, mesmo que o seu candidato seja tão carismático como uma alface.
E sendo praticamente certa a eleição de Cotrim de Figueiredo pelos liberais, se possa vislumbrar a possibilidade de eleição da número dois, proposta pela região. Os comunistas podem vir a desaparecer, como já aconteceu nos hemiciclos regionais, e o Bloco não tem certa a manutenção de, pelo menos, um lugar.
Certa parece ser a diminuição de eleitos pelo PS, e a subida da AD. A distribuição dos vinte e um lugares a que Portugal tem direito servirá para definir muito do que vai ser a política caseira.
Lideranças que se reforçam, outras que começam a ser contestadas internamente. E um balão populista que se esfuma e se esvazia a cada ato eleitoral.

Fernando Marta

Edit Template
Notícias Recentes
“Câmara Municipal de Ponta Delgada deixou praticamente de investir na vila das Capelas nos últimos anos”, afirma Manuel Cardoso
“Sou um bocadinho vulcão dos Açores e as minhas equipas reflectem essa personalidade,”assume a treinadora do Sporting, Mariana Cabral
Marcha com mais de 100 marchantes jovens promete hoje muita “brincadeira e diversão” nas Festas do São João da Vila
“Estas ilhas oferecem-nos sensibilidade, alegria, amor e dádiva que nenhum outro lugar do mundo oferece,” afirma António Rego
Maycon Melo veio de Mato Grosso no Brasil para os Açores para fazer do sushi a sua vida
Notícia Anterior
Proxima Notícia
Copyright 2023 Correio dos Açores