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“Os agricultores não vão permitir que sejamos estrangulados devido à obsessão pelo endividamento zero” no Orçamento de 2024

Jorge Rita no encerramento do XX Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia

Correu dos Açores – Como decorreu o XX Concurso Micaelense Holstein Frisia?
Jorge Rita – De uma forma excepcional. No primeiro dia, realizou-se o concurso juvenil com a aderência das escolas e o bom trabalho das câmaras municipais de São Miguel. Ficou à nossa responsabilidade receber as pessoas e englobá-las neste espaço magnífico numa Quinta-feira com o mercado agrícola tradicional aberto para que as pessoas percebam que o que vai para a mesa não vem do supermercado. Quinta-feira foi um dia que culminou com o concurso juvenil das vitelas Holstein Frísia com a bancada super-colorida com cerca de 700 crianças das escolas.
No dia seguinte, Sexta-feira, foi a inauguração do XX Concurso Micaelense Holstein Frísia com o desfile dos animais jovens que foi também extraordinário.
E o concurso terminou no Sábado após desfilarem 190 animais de mais de 50 produtores, com muita adesão do público.
Este evento pode ser considerado – e qualquer juiz o pode dizer – um dos melhores eventos que se faz. Não quero dizer que tenha os melhores animais do mundo porque isto não é verdade. Mas, para além da qualidade dos animais, é a emoção como se vive este concurso.

Pode considerar-se o concurso deste ano um dos melhores?
Não dizendo que estes animais são todos melhores do que os outros – como Presidente da Associação -, sinto um orgulho enorme no concurso e naquilo que tem sido feito, no trabalho dos agricultores com as suas associações, de melhoramento genético dos seus animais. E sinto um imenso orgulho pela forma como os prémios foram distribuídos.
Quero felicitar todos aqueles que têm demonstrado que, quando se acredita, quando se trabalha, com objectivo e com ambição, chega-se lá. E os grandes ganhadores deste concurso estão a participar há muitos anos, têm ganho alguns pequenos prémios mas, este ano, os grandes prémios da feira foram para eles. Isto, para mim, como Presidente da Associação Agrícola, é motivo de muita satisfação e muito orgulho. Foi uma diversificação de prémios por aqueles que têm acreditado e que não têm desistido.
Esta é uma prova evidente de que, se acreditarmos e não desistirmos, teremos sempre o futuro muito mais bem segurado com sucesso em termos de excelência e de qualidade.

Há uma disseminação do melhoramento genético por toda a ilha…
Sim, cada vez mais. As pessoas, apesar das dificuldades, nunca descuraram o melhoramento genético. Percebem que este não é só um custo, é um investimento. E percebem que é um investimento quando fazem uma avaliação daquilo que têm. E este concurso serve para fazerem a avaliação do excelente trabalho que cada um faz nas suas explorações. Os concursos servem como montra. Além disso, o intercâmbio que se faz no concurso é excepcional. É a envolvência das famílias, é a envolvência da sociedade e é isto que pretendemos na Região Autónoma dos Açores – o caminho da excelência.
Não temos dimensão, não temos escala, mas a tudo o que fizermos bem feito, tem que se dar nota positiva e este é também um trabalho de toda a sociedade. Todos nós temos de estar incluídos no espírito de um desígnio regional que é a excelência, a excelência e a excelência.

Vários produtores de leite estão a queixar-se de sérias dificuldades…
Sim, as dificuldades estão sempre inerentes à actividade agrícola. Mas, se nós baixarmos a guarda e se desistirmos, as dificuldades ainda são maiores. Se calhar, dava jeito a muita gente desistirmos. Mas, não. Os lavradores não desistem nem as suas organizações desistem. Portanto, nós estamos a puxar sempre para cima aquele que é o maior sector de actividade económica da Região. A parte da produção está sempre a ser feita e bem-feita. Esperamos é que, depois, tudo o que vem a seguir se faça bem feito e que se valorize. Esta é a nossa expectativa e este é o trabalho que se tem de fazer.

Afirmou que o objectivo governamental de endividamento zero não pode levar a atrasos nos pagamentos aos agricultores…
Não pode nem deve. Eu percebo a opção do endividamento zero no Orçamento da Região para 2024. Não percebo é a obsessão porque o endividamento zero pode também estrangular a economia da Região. E os agricultores não vão permitir que sejamos estrangulados devido à obsessão do endividamento zero.

“Algo está mal” com o valor do preço do leite
à produção na ilha de São Miguel”

Correio dos Açores – Qual a sua opinião sobre o XX Concurso Micaelense Holstein Frísia
António Ventura (Secretário da Agricultura e Alimentação) – Este concurso tem condições para ser, cada vez mais, um concurso internacional. De ano para ano, encontramos uma melhor genética, em termos de morfologia da produção de leite. Estamos a afirmar um animal produtor de leite, produtor de alimentos, o que é fundamental nos dias que correm hoje.
E estamos, cada vez mais, a ser uma referência nacional, europeia e internacional. E, portanto, aquilo que se chama o XX Concurso Micaelense da Raça Frísia, bem poderia ser o XX Concurso Internacional da Raça Frísia.

Há produtores a exportar já genética, mas ainda não poderão exportar animais de alto valor genético…
Hoje em dia já consegue exportar animais. O que está proibido é a importação de animais para a Região porque somos uma zona livre da hemorrágica episódica …

Não há nada que impede a exportação de novilhas de alto valor genético dos Açores?
Já houve, mas agora não há qualquer limitação de exportação. O que estamos a sentir é dificuldades em exportar animais vivos e há uma tendência neste sentido. Esperamos que a União Europeia tenha sensibilidade para que isto não aconteça.
Como sabe, o Reino Unido, há três semanas, o que fez foi proibir a exportação de animais vivos. Em toda a Europa está a haver um movimento neste sentido e espero que, por vivermos em ilhas, numa região ultraperiférica, a exportação de animais vivos continue a ser um meio essencial para a troca de animais, seja na venda de genética, quer seja no negócio de animais.

Estão a criar-se condições para um aumento do preço do leite nos Açores…
O que entendo é que o preço do leite à produção tem que aumentar e tem de aumentar tendo em conta o seguinte: O preço do leite em São Jorge está a 50 cêntimos. Estamos a falar de uma pequena produção numa ilha que não está ligada a nenhuma multinacional.
Ora, nas ilhas Terceira, Graciosa e São Miguel, existem multinacionais, com capacidade de exportação, com capacidade na distribuição, com capacidade de presença dos produtos nas prateleiras das superfícies comerciais. Porque é que estas multinacionais não pagam o leite à produção ao mesmo preço que uma pequena produção, em São Jorge, a 50 cêntimos o litro de leite? Esta é que é a grande questão. Algo está mal. Por isso é que, ainda este ano, vai estar em funcionamento o laboratório dos produtos agro-alimentares por ilha e até por concelho para se ver o produtos e quais os custos de produção até ao supermercado.

Há muitos agricultores com dificuldades extremas em São Miguel…
Esta é uma tendência, embora os preços dos factores de produção estejam a descer. E nós para colmatarmos isto, como sabe, não tem havido rateios dos apoios comunitários. Temos uma multiplicidade de apoios, como o apoio à compra de sementes. Mas a verdade é que estamos num mundo com uma conturbação que tem influência interna, duas guerras, a pandemia não acabou, o preço do dinheiro aumentou e isso influencia a nossa actividade económica.

Vão continuar os apoios para quem quiser deixar o sector do leite e para quem quiser transformar a sua exploração de leite em exploração de carne?
Estes apoios vão continuar. Quem quiser ir do leite para a carne, vai continuar a haver esta possibilidade e quem quiser reduzir a produção de leite também o pode fazer. Aliás, começaram agora as candidaturas…

J.P.

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