O Governo dos Açores anunciou o arranque do Programa Escolas Bilingue em Inglês na região já no próximo ano lectivo (2024/25) com a formação dos docentes e será implementado na sala de aula no ano lectivo 2025/26.
Na sequência de anúncio, ao Correio dos Açores, a presidente da Direcção Executiva da Federação das Associações de Pais e Encarregados de Educação dos Açores (FAPA), Maria do Rosário Figueiredo, apoia a implementação de um projecto piloto, mas realça que nem todas as escolas do arquipélago tem meios humanos e formação para ter o Programa Bilingue na sua formação.
A FAPA acredita que este programa vai “criar competências nas crianças”, afirmando que são nas idades mais pequenas que esta prática tem maior impacto na aprendizagem e dinamiza autonomia e competências nas crianças. A federação afirma ainda que se deve preparar as crianças para as exigências do futuro e que as línguas são ferramentas essenciais, nesta multiculturalidade mais presentes nas escolas, e também para os desafios da globalização.
A Presidente da Direcção Executiva da FAPA diz que “não se deve sobrecarregar as crianças com cargas horárias excessivas” e defende por um modelo que se preocupe nas crianças desde os quatro meses.
“Contudo, não devemos sobrecarregar as crianças com cargas horárias excessivas, pugnamos por uma modelo que se preocupe nas crianças desde os 4 meses, tal como referimos na nossa proposta de melhoramento à estratégia da educação 2030, em que dos 4-6 meses aos 3 anos, os ditos Incredible Years (fazendo alusão ao programa “Educadores Incríveis + Crianças Felizes = Programa IY®-TCM nos Açores”, desenvolvido pelo Núcleo Interdisciplinar da Criança e do Adolescente, da Universidade dos Açores) na angariação de competências essenciais ao desenvolvimento, até ao arranque da escolaridade, com a entrada no ensino pré-escolar, não apenas parece essa faixa negligenciada do ponto de vista de conceito como não permite a oferta existente responder aos requisitos sócio-profissionais de regresso dos progenitores à vida activa, após a protecção inicial sobre a parentalidade”, explica.
A FAPA também está preocupada com a falta de professores na região, explicando que não se deve implementar modelos ou projectos sem ter os docentos assegurados, especialmente quando “é reconhecida a falta dos mesmos nestes grupos e os mesmos devem ter a formação para a implementação do projeto ainda que uma forma de projecto piloto”.
A Presidente da Direcção Executiva afirma ainda que o projecto deve ser monitorizado e corrigido antes de qualquer universalização do mesmo às escolas da Região, salvaguardando os horários o tempo de descanso, aprender e brincar de todas as crianças.
Maria do Rosário Figueiredo explica ainda que na Bolsa de Emprego Público dos Açores (BEPA) há vários professores de inglês sem formação na área.
A FAPA sugere ainda que o uso de novas tecnologias seja complementado com o uso de manuais físicos/tradicionais, através da disponibilização, a título gratuito, a todos os alunos, privilegiando a partilha/empréstimo e reaproveitamento dos mesmos ao longo dos anos letivos, bem como mitigando o espaço para criação de clivagens e desigualdades no acesso a meios e oportunidades na angariação de aprendizagens (de carácter básico). Reforça ainda que há necessidade de formação dos professores na utilização desses suportes tecnológicos, com vista a potenciar as suas funcionalidades, rentabilizando a versatilidade e mais-valia que a interatividade e a utilização das novas tecnologias poderão potenciar, e que permita adaptar os métodos de ensino para reduzir clivagens entre alunos de contextos diferentes.
A Secretária Regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro, explica que o programa é de “adesão voluntária pelas escolas”, que será implementado “em regime de experiência pedagógica”, e é destinado “ao 1.º ciclo do ensino básico das redes pública e privada do sistema educativo regional”.
De acordo com a governante, o projecto “tem como princípio geral a leccionação de 30% da carga horária semanal dos alunos em língua inglesa”, abrangendo Inglês, Estudo do Meio, Educação Artística e Educação Física.
“Falamos de componentes curriculares fortemente assentes na prática que potenciam a interação e a comunicação entre alunos e, por isso, facilitam a entrada de uma língua estrangeira na sala de aula”, acrescenta.
O programa, que foi apresentado na última terça-feira, 2 de julho, num evento com 166 docentes das escolas dos Açores, conta com a colaboração do British Council, e tem origem no Programa Escolas Bilingues em Inglês, do Ministério da Educação.
F.T.
