Edit Template

Papa insiste na proibição de armas letais autónomas, em mensagem a líderes religiosos

Representantes assinaram compromisso conjunto, em Hiroxima, para proteger dignidade humana em “nova época de utilização das máquinas”
O Papa reforçou ontem o seu apelo à proibição de armas letais autónomas, numa mensagem a líderes religiosos reunidos na cidade japonesa de Hiroxima, para um encontro intitulado “Ética da IA para a Paz”.
“Unidos, exigimos um compromisso proactivo para proteger a dignidade humana nesta nova época de utilização das máquinas”, escreve Francisco, num texto divulgado pela sala de imprensa da Santa Sé.
Hiroxima acolheu, desde terça-feira, representantes de várias religiões mundiais, para a assinatura de um apelo conjunto em favor de um uso ético da inteligência artificial (IA), em favor da paz.
O Papa sublinha que “a inteligência artificial e a paz são duas questões de extrema importância”, recordando o seu discurso perante os líderes políticos do G7, a 14 de junho, onde defendeu que “nenhuma máquina, em caso algum, deveria ter a possibilidade de optar por tirar a vida a um ser humano”.
“Numa tragédia como a dos conflitos armados, é urgente repensar o desenvolvimento e a utilização de dispositivos como as chamadas armas autónomas letais”, observou.
Francisco destacou a “importância simbólica” do encontro em Hiroxima, uma das duas cidades atingidas por bombas atómicas, durante a II Guerra Mundial, pedindo “um controlo humano cada vez mais significativo” sobre o armamento de guerra.
Falando num evento de “extraordinária importância”, o pontífice faz votos de que o encontro inter-religioso dê “frutos de fraternidade e colaboração”.
“Ao olharmos para a complexidade das questões que temos diante de nós, incluindo a governação da inteligência artificial, a riqueza cultural dos povos e das religiões é uma chave estratégica para o sucesso do vosso compromisso com a sábia gestão da inovação tecnológica”.
A mensagem recupera uma passagem do discurso do Papa no G7, sobre os riscos de deixar a humanidade refém de “escolhas algorítmicas” das máquinas.
“Condenaríamos a humanidade a um futuro sem esperança se retirássemos às pessoas a capacidade de decidir sobre si mesmas e sobre as suas vidas, obrigando-as a depender das escolhas das máquinas”, alertava Francisco.
O encontro de Hiroxima foi promovido pela Academia Pontifícia da Vida, as Religiões para a Paz do Japão, o Fórum para a Paz de Abu Dhabi dos Emirados Árabes Unidos e a Comissão para as Relações Inter-religiosas do Rabinato-Chefe de Israel.
Os participantes assinaram “o Apelo de Roma para a Ética da IA”, sublinhando “a importância vital de orientar o desenvolvimento da inteligência artificial com princípios éticos, para garantir que serve o bem da humanidade”, refere uma nota enviada aos órgãos de comunicação.
O Apelo de Roma foi lançado pela Santa Sé, em fevereiro de 2020, juntamente com a Microsoft, a IBM, a FAO e o Governo italiano.
O documento visa “fomentar uma abordagem ética da IA e promover um sentido de responsabilidade entre organizações, governos, empresas multinacionais de tecnologia e instituições, a fim de moldar um futuro em que a inovação digital e o progresso tecnológico sirvam o génio e a criatividade humanos, preservando e respeitando a dignidade de cada indivíduo, bem como a do planeta”.
I.A.

Edit Template
Notícias Recentes
“O voluntariado é uma força motora capaz de assegurar que a manutenção da natureza nos Açores seja uma missão contínua”, afirmaDiana Pereira, gestora do “LIFE IP AZORES”
Câmara Municipal de Ponta Delgada atribui 243 bolsas universitárias num investimento perto de 350 mil euros
Valorização salarial motiva pré-aviso de greve dos guardas-florestais dos Açores e leva Governo Regional a avançar com proposta
MOVA considera “inaceitável” silêncio em relação à nova liderança na Direcção Regional da Cultura
Marinha participa em actividades de proximidade com as Forças Armadas em Santa Maria
Notícia Anterior
Proxima Notícia
Copyright 2023 Correio dos Açores