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“Costumo dizer que as plantas não são terapia, mas são terapêuticas” afirma a neuropsicóloga Catarina Bettencourt

A kokedama, que significa ‘bola de musgo’, é uma técnica japonesa que consiste em colocar uma planta num vaso natural, em musgo ou fibra de coco. Para a psicóloga Catarina Bettencourt, a paixão pela botânica surge como uma espécie de terapia que culminou na criação da página de Instagram ‘pompom.de.musgo’, onde promove e vende as suas ‘esculturas vivas’. Neste momento, a micaelense está a finalizar o Doutoramento em Neuropsicologia, mas tenciona expandir o negócio que tem despertado interesse entre os açorianos.

Correio dos Açores – Pode falar-nos um pouco sobre o seu percurso e o que a levou a criar o projecto Pompom de Musgo?
Catarina Bettencourt (psicóloga/ autora da página ‘pompom.de.musgo’) – A minha área de formação nada tem a ver com Botânica, sou Neuropsicóloga. No entanto, numa altura particularmente difícil da minha vida, resolvi dedicar mais tempo a esta paixão que sempre tive: as plantas. Descobri os Kokedamas e apaixonei-me, mas apercebi-me de que não existiam lojas físicas que os comercializassem em São Miguel. Então, resolvi aprender a fazer, inicialmente por puro gosto, por serem uma forma bonita e diferente de decoração com plantas. Depois, comecei a oferecer a amigas e familiares que sugeriram que os começasse a vender. E assim surgiu a Pompom de Musgo, @pompom.de.musgo no Instagram. O nome surgiu de forma natural pelo próprio aspecto dos Kokedamas, que parecem autênticas bolinhas verdes de musgo.

O que despertou o seu interesse por esta área?
Sempre adorei plantas e tenho um fascínio enorme por vê-las crescer. Gosto muito de aprender sobre as diferentes espécies e as suas características e necessidades. Costumo dizer que não são terapia, mas são terapêuticas. Além disso, os Kokedamas, ou Pompons, são autênticas esculturas vivas e acho que trazem um toque especial à decoração de qualquer espaço.

Pode explicar-nos em que consiste a arte do kokedama?
Kokedama é a arte japonesa de dispor plantas sem a necessidade de um vaso, envolvendo as raízes em substrato revestido por musgo esfagno ou fibra de côco. Assim, a planta vive numa pequena bolinha – fazendo lembrar um Pompom – que a sustenta. Os Kokedamas vivem assim muitos anos, podendo apenas ser necessário podar algumas raízes que saiam fora do Pompom. Para regar, basta mergulhar a parte do Pompom numa tigela com água até absorver toda a água de que necessita. Antes de voltar a colocar no sítio, é só deixar escorrer o excesso de água. A frequência de rega depende da espécie, das condições de luminosidade e da estação do ano. Costumo receber perguntas sobre como regar os Kokedamas e o que acontece à medida que a planta cresce, por isso forneço instruções detalhadas de cuidados a ter com cada peça.

Quais são os principais materiais e técnicas que utiliza na criação das suas “esculturas vivas”?
Os Pompons são feitos com uma mistura de substrato e envoltos em fibra de côco ou musgo. Este revestimento de materiais orgânicos não é apenas uma escolha sustentável e ecológica, mas também contribui para a saúde geral da planta, ajudando na retenção de níveis adequados de humidade, no arejamento do substrato e no suporte das raízes. Isto permite que a planta tenha os nutrientes de que necessita para viver. Depois de feitos, podem ser dispostos de várias maneiras com suportes feitos de diversos materiais, como tripés de pauzinhos de madeira ou de metal. Podem também ser suspensos, com suportes de macramé ou fio de nylon, os quais também faço. Há imensas formas de decorar com Pompons. Em termos de espécies, pode fazer-se com praticamente qualquer espécie que tenha um sistema de raízes terrestres saudável e bem estabelecido. Faço com suculentas, plantas de ananás, espadas de São Jorge, Monsteras Deliciosas, o que o cliente preferir!

Faz encomendas personalizadas? Qual é o preço médio das suas peças?
Claro que sim, cada Kokedama é feito à mão com materiais naturais e pode ser totalmente personalizado segundo as preferências de quem o adquire. É possível fazer Pompons de praticamente todos os tamanhos e com quase todas as espécies de plantas. Fazemos desde umas pequenas peças para o espelho retrovisor do carro com plantas que aguentam temperaturas altas e sol directo, que rondam os 4€, até com plantas maiores. O preço depende do tamanho e da espécie de planta e rondam os 15€. Em termos de personalização, podemos decorar com fitas de cetim, embrulhos de serapilheira ou até mesmo luzes LED, como fizemos na edição especial do Natal passado.

Como tem sido a recepção do público aos seus kokedamas? Quem são os clientes que a procuram?
Têm sido muito bem aceites, felizmente. Como sou, até onde sei, a única pessoa que os faz e vende na ilha, o conceito gera muita curiosidade a quem se depara com os Kokedamas pela primeira vez. A maioria das pessoas entra em contacto pela página de Instagram e compra para oferecer a familiares e amigos que apreciem plantas. Acaba por ser uma prenda muito bonita e original. A maioria dos clientes é de São Miguel, mas também já enviei via CTT para outras ilhas dos Açores, Madeira e para Portugal Continental.

Quais foram os maiores desafios que encontrou ao iniciar e desenvolver o projecto Pompom de Musgo?
Inicialmente, a maior dificuldade foi descobrir onde adquirir a fibra de coco e o musgo esfagno, que tenho de encomendar pela internet. Outra dificuldade é, por vezes, conciliar as encomendas com a escrita da Tese, pois estou no último ano do Doutoramento em Neuropsicologia na Universidade de Coimbra. Mas, com gosto, tudo se faz, claro!

Quais são os seus objectivos futuros para o projecto? Tem em vista alguma expansão ou introdução de novos produtos?
Por enquanto, o projecto apenas existe no Instagram, mas planeio criar também uma página de Facebook, para chegar a um público mais alargado. Gostaria de continuar a criar colecções temáticas, como as que fiz pelo Natal ou pelo Dia de São Valentim. Quem sabe, depois de terminar o Doutoramento consiga dedicar-lhe mais tempo e expandir o projecto.
Daniela Canha

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