É do conhecimento geral que um dos temas mais preocupantes deste século, omnipresentes nos médios de todos os países, é a questão das alterações climáticas, a que muitos se referem de modo simplista como “aquecimento global”. Que há um aumento generalizado da temperatura média planetária, não deixa dúvidas a ninguém, em particular a quem presta uma atenção mais cuidada aos assuntos ambientais. Onde a matéria principia a ser questionável, é quando muitas das organizações e especialistas em ecologia, climatologia e respectivos factores de influência, entram em contradições óbvias sobre as causas e os efeitos de tal fenomenologia. Salientando-se nestes aspectos relevantes as forças políticas e económicas, como não podia deixar de ser. Destas forças, destacam-se as maiores companhias da indústria do petróleo e gás, que entraram em espiral crescente de valorização após a invasão russa da Ucrânia. Enquanto o mundo clama por reduções das emissões de carbono, as exigências energéticas resultantes do aumento da população mundial crescem paralelamente à ascensão das economias emergentes, devido à entrada nos mercados de muitos milhões de novos consumidores com poder de compra. Calcula-se que a procura mundial de petróleo, será este ano da ordem dos 104milhões de bpd/ barris por dia, mais 2 milhões/bpd que em 2023. Trata-se de um autêntico paraíso lucrativo para as maiores empresas globais do sector, encabeçadas por duas gigantes chinesas, a estatal Sinopec (proventos anuais de 405.000 milhões USD) e a semiprivada Petro China, com perto de 390.000 milhões (mais 30.000 que a Aramco saudita e cerca de 100.000 mais que a Exxon Mobil americana).Tira-se daqui a conclusão que justifica a frase assassina do candidato presidencial estado-unidense Donald Trump, quando lançou o grito “Drill, dril l!!”, preconizando retomar a corrida ao petróleo e gás, caso vença a corrida para reocupar a Casa Branca. Também pouco importa, porque na primeira ocasião conveniente, não hesitará em contradizer-se, tal como fazem outros vendilhões da política mundial, seja na questão das alterações climáticas, ou na generalidade da geopolítica.
Consideremos agora outra faceta muito comum às economias europeias e onde Portugal se destaca, mais uma vez pela negativa, que é o excesso de burocracia. Não faltam os chamados “estudos” sobre a matéria, incluindo de alguns sábios do Banco de Portugal, todos chegando a conclusões evidentes: o excesso de burocracia reduz a eficiência e produtividade das empresas, especialmente das PMEs, que constituem a esmagadora maioria do tecido empresarial nacional, com uma percentagem em torno dos 99%. Apenas 0,1% das empresas portuguesas são consideradas grandes, empregando um terço da força de trabalho e gerando perto de 45% do valor acrescentado bruto. Como dos 99% de PME, mais de 90% são micro empresas, com menos de 10 empregado, pode imaginar-se o prejuízo que a carga burocrática excessiva lhes causa. Todos os gurus do sistema económico sabem disso, incluindo os do Banco Central Europeu e os do Banco de Portugal, mas quanto a divulgarem números sobre os prejuízos causados, em termos de percentagem do PIB, o silêncio é de um ouro política e convenientemente correcto. Contudo, não faltam as profissões de fé nas simplificações da burocracia por via digital, porque no clima político geral, a contradição também é regra. Está agora na moda invocar a milagrosa solução da IA- Inteligência Artificial, como forma redutora das complicadas tramas burocráticas. Talvez seja assim, porque por esta via os poderes centralizadores instalados, nomeadamente os financeiros, controlarão melhor a vida dos cidadãos, desde a área do trabalho às contas bancárias, No mundo dos fluxos de dinheiro, reina quem os consegue controlar, um pouco à semelhança de quem gosta de controlar o pensamento.
As alterações climáticas transformaram-se igualmente numa arma de controlo do pensamento – desde logo, da acção ou inacção – individuais, tão constante e contraditória é a torrente informativa que nos inunda. Torrente que flui por via oficial ou oficiosa, legal ou ilegal, destacando-se nestes campos a acção das redes sociais. Dirão muitos que é a evolução natural das sociedades humanas, mas se é esta a via para o futuro, preparemo-nos para tempos ainda mais ameaçadores da Liberdade. Por alguma razão, a que já temos dado atenção nestas colunas, as últimas COPs sobre o clima se realizaram em países produtores de petróleo e gás, numa tentativa que lembra o colocar da raposa dentro do galinheiro. Os Estados Unidos e seus muchachos caribenhos conhecem bem a estratégia, quando compram os combustíveis refinados nas Antilhas holandesas, que por sua vez se abastecem de petróleo venezuelano. Ou, em contradição ainda mais flagrante com o discurso oficial anti-regime de Maduro, autorizaram a Chevron a explorar petróleo na Venezuela, antes das recentes eleições. Mas mais grave para nós, é a onda de painéis fotovoltaicos que varre Portugal, destruindo centenas de hectares de zonas naturais, perante a passividade geral. O foto voltaico é importante, mas tem de ser aplicado criteriosamente (coberturas de residências, edifícios púbicos e de instituições, como fizemos há anos nos Bombeiros de Ponta Delgada), exigindo desburocratização dos processos, sem atrasos contrários e desmotivadores.
Vasco Garcia