Estão tristes porque deste 1974 nenhum Governo foi capaz de criar estabilidade no país, garantido desafogo económico e social às populações.
Uma estabilidade que permitisse viver condignamente;
Estão tristes porque os impostos disparam exageradamente e os reformados têm que pagar IRS.
Estão tristes porque sendo Portugal um país envelhecido, não gosta de velhos (já o referi várias vezes). Armazenados, virados para as televisões ou com rosários de contas nas mãos e, assim vão os utentes perdendo, aos poucos, o interesse de viver…
Estão tristes porque não existem Lares suficientes para receberem os velhos. Lares que não cheirem a mofo e que seja introduzida uma filosofia que dê alegria aos utentes e qualidade de vida.
Estão tristes porque não foram criadas, durante todos os governos, condições monetárias para atrair enfermeiros e curadores para dar assistência aos lares e na casa dos utentes.
Estão tristes porque a Segurança Social, na visão estrábica, de um qualquer iluminado, desatou a privatizar os lares. Os resultados já estão à vista: reclamações dos utentes: Privatizar equivale dizer, tornar-se num negócio com todas exigências inerentes para uma gestão lucrativa.
Estão tristes porque milhares de cidadãos não têm dinheiro para comprar medicamentos, nem menos para uma alimentação digna.
Estão tristes porque as diferenças sociais são abissais entre ricos e pobres. A classe média afundou-se. Desfez-se pura e simplesmente…
Estão tristes porque a cultura foi secundarizada. A cultura é imprescindível na formação dos seres humanos, proporcionando-lhes condições intelectuais para intervir esclarecidamente na democracia. Infelizmente confunde-se cultura com os espetáculos de artistas e conjuntos que se realizam em todo o país, numa competição para ver quem apresenta mais artistas.
Estão tristes porque há gente com frio e outros com cobertores a mais…
Estão tristes porque suspendem verbas milionárias em estudos inclusivos. Comissões para estudarem outras comissões.
Estão tristes porque, em todos os governos, as urgências hospitalares sempre falharam e as listas de espera para cirurgias são intermináveis, nunca acabaram.
Conheço pessoas que esperaram mais 20 anos e outros morreram antes de serem operados!
Estão tristes porque a burocracia é devedora. Complica-se tudo por isto e aquilo. Resultados poucos.
Estão tristes porque os campos despovoam-se por falta de apoio suficiente para prender os agricultores às terras.
Estão tristes porque as fábricas fecham e o desemprego aumenta.
Estão tristes porque filhos e netos licenciados emigram à procura de um futuro que o país lhes nega.
Estão tristes porque os deputados, eleitos pelo povo para tratarem de estudar a melhor maneira de lhe resolverem os problemas que o rodeiam, são inúmeros. Em vez disso discutem, agridem-se, uns aos outros num palavreado que em nada resolve as questões essenciais.
Estão tristes porque, em tantas situações, há uma flagrante falta de solidariedade tão necessária na sociedade em que vivemos.
Estão tristes porque o problema da habitação tornou-se em uma das tragédias para as populações.
Estão tristes porque cresce o número assustador dos sem abrigos. Muitas promessas para resolver os gravíssimos problemas, mas realidades nenhumas.
Estão tristes porque tantas outras razões.Deixo ao livre critério dos leitores de continuarem a enumerá-las.
Na casa dos meus pais era hábito, a minha mãe trocar impressões sobre os mais variados temas. Tinha eu oito anos e ouvi, não me recordo por que razão o meu pai disse que éramos um país pobre. A minha mãe perguntou por que razão éramos um país pobre, acrescentando que talvez por sermos mal governados. Fui crescendo e ouvi dizer tantas vezes que Portugal era um país pobre! Passaram-se 81 anos e o meu país continua pobre.
Uma saudosa professora madeirense, inteligente e corajosa, contravento e tempestades, introduziu na sua escola o método Montessori, com ironia, quando alguém dizia somos um país pobre ela respondia: “paciência temos que suportar, a praga dos árabes sobre nós, até o fim…
Pergunto: por quanto mais tempo teremos de suportá-la…
João Carlos Abreu