Nuno Raposo é barbeiro há quase 28 anos, mas a sua barbearia, naquela rua irá comemorar o seu 8.º aniversário em Janeiro do próximo ano.
Nuno Raposo é barbeiro de terceira geração, uma vez que o avô, José Franco Raposo, e o seu pai José António da Costa Raposo também foram barbeiros.
Nuno Raposo sente orgulho naquilo que faz, mas essencialmente por ter seguido as pisadas do avô e do seu pai, que sempre cuidaram da barba e do cabelo dos homens. No fundo, “a minha missão também é fazer com que os clientes se sintam bem, quando aqui vêm, e não só com a sua aparência”.
O nosso entrevistado acalenta o sonho do filho poder, vir também a seguir as suas pisadas, apesar de ser ainda uma criança, confessando que “tem jeito e inclusivamente, lá em casa, coloco-o a cortar o meu cabelo com uma máquina”, porque é na infância que se define a educação e os costumes. “Mas isto é como tudo na vida, gostava, mas o futuro é que dirá”.
Nuno Raposo é natural de Vila Franca do Campo, mas o pai é natural de Ponta Garça, tal como foi o avô.
O pai José António da Costa Raposo chegou a trabalhar no antigo edifício do Centro Cultural de Vila Franca do Campo e noutro local, na antiga cooperativa dos ananases, localizada em frente ao Manuel da Guerra, mas a determinada altura acabou por montar uma barbearia na sua moradia, que foi onde também Nuno Raposo esteve durante 20 anos, na Barbearia Raposo.
Clientes do tempo de Barbearia Raposo
A Barbershop Nuno Raposo tem os seus habituais clientes, muitos deles do tempo da Barbearia Raposo, que acompanharam a mudança para a Rua Padre Manuel Ernesto Ferreira. “São os habituais clientes, fiéis, mas também entram aqui muitos turistas, de muitas nacionalidades, e nesta altura do ano, muitos emigrantes, por altura da Festa do Senhor Bom Jesus da Pedra”.
É interessante como muitas profissões, como a de barbeiro, são passadas de geração em geração. Aprender com os pais pode criar um forte vínculo familiar e garantir que técnicas e tradições sejam mantidas. Aconteceu isto com o pai em relação ao avô e Nuno Raposo com o pai, e pode vir a acontecer com o seu filho, que tem apenas oito anos de idade, que vai aprendendo com o pai. “Não tirei nenhum curso, o que sei foi o meu pai que me ensinou. Aprendi a trabalhar com tesoura e depois com a máquina”, dois itens que marcam o estilo no momento do corte, inclusivamente a navalha.
A Barbershop Nuno Raposo funciona todos os dias, excepto aos domingos, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 20h00.
Agricultura de subsistência
Fora da esfera da barbearia, Nuno Raposo aproveita o tempo que lhe resta para estar com a mulher e com os filhos.
Por vezes, e porque também tem uma terra em Água d’Alto, nesta altura do ano vai colher figos, mas também semeia batatas.
Lá em casa tem espaço ainda para semear e transplantar hortaliças e legumes, para consumo próprio, até porque “os preços dos alimentos estão altos e esta é uma boa solução de podermos poupar sempre algum dinheiro”.
Um corte simples na Barbershop Nuno Raposo custa 6 Euros, mas já se for um corte degradê, também conhecido por fade, custa 7 Euros.
A Barbershop Nuno Raposo é só para homens, porque o nosso interlocutor entende, “cortar um cabelo a senhoras é sempre diferente e não se vai pôr em aventuras, que desconhece.”
O futuro a Deus pertence
Perspectivando o futuro quer, “continuar a trabalhar e ter os mesmos clientes, porque assim não está mau, mas se no futuro o meu filho também quiser ser barbeiro deixar-me-ia muito orgulhoso, mas só Deus é que sabe, o que ele vai ser. Se não vier a ser, também sentirei orgulho naquilo que vier a ser”.
Abordando a terra que o viu nascer, Nuno Raposo diz, que “Vila Franca do Campo parece ter parado no tempo, há uns anos a esta parte. A habitação está muito cara, um pouco por culpa do turismo e os jovens acabam por ir morar para outras localidades ou fazem vida em casa dos pais”.
“As melhores praias da ilha e quem sabe dos Açores estão em Vila Franca do Campo e a restauração existente, não é suficiente”, acrescenta.
Acresce referir, que o Padre Manuel Ernesto Ferreira, que dá o nome à rua onde está a Barbershop Nuno Raposo, foi uma figura notável de Vila Franca do Campo, porque para além das suas funções religiosas, destacou-se como etnógrafo e naturalista. Fundou e editou a revista “A Phenix” e o jornal “A Crença” e foi colaborador activo da imprensa, professor no Instituto de Vila Franca e capelão da Santa Casa da Misericórdia.
Marco Sousa
