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Isto agora é a sério

A antiga ministra das finanças de Pedro Passos Coelho, foi a escolhida de Montenegro para indicar como comissária europeia, para o segundo governo da união que terá como presidente, pela segunda vez, Ursula von der Leyen.
Será bom lembrar que a antiga responsável da fazenda pública fez parte da gerência do país durante os duros anos da troika, com um resgate para pagar e um “memorando de entendimento” para renegociar à medida que o país ia ganhando fôlego.
Foi o tempo da crise das dívidas soberanas, da falência do estado grego, dos problemas bancários na generalidade dos países, incluindo Espanha, nossos parceiros comerciais por excelência.
Foi o tempo da última governação social-democrata e democrata-cristã, após a saída de José Sócrates de cena, depois de ter dado cabo do país e ter perdido eleições (e ter, também, dado cabo de si próprio). Foi o tempo do “irrevogável” pedido de demissão de Paulo Portas, parceiro menor do primeiro-ministro de então, com quem tinha de lidar pela realidade dos números parlamentares.
Maria Luís Albuquerque vê agora reconhecida a dureza do trabalho de então, após a saída de Vítor Gaspar, para alguns profundamente merecida.
Para outros, nalguns casos os mesmos que levaram o país ao abismo e depois ficaram a ver a derrocada, é o rosto de uma jornada triste da nossa independência económica e financeira, enquanto lhe colam os maiores pecados dos anos de assistência económica e financeira pedida pelos socialistas e gerida pelos sociais-democratas.
Luís Montenegro agiu bem, a pouco tempo de ser sufragado novamente em eleições internas. Segurou as suas tropas e trouxe para a ribalta uma passista, que exerceu funções enquanto ele defendia a bancada laranja. Muitas vezes defendeu não apenas as políticas seguidas pela antiga ministra, como tantas vezes foi forçado a defender-lhe a honra, sempre que o seu bom nome era posto em causa pelas bancadas da oposição.
Agora, a poucos dias de ser reeleito presidente social-democrata, mantém todos os prováveis críticos na expectativa, depois desta designação para um cargo europeu de relevo.
Será difícil alguma voz crítica fazer-se ouvir, depois deste sinal de união e apaziguamento interno. Faltará saber que pasta do colégio de comissários lhe caberá, para se saber que importância relativa terá, num órgão com vários vice-presidentes, e no qual a preponderância da presidente da comissão é cada vez mais notória.
Com este assunto resolvido, voltará para as capas dos jornais e a abertura dos telejornais o desenho que permitirá aprovar o próximo orçamento de estado. Não há dúvidas que o executivo estará numa posição favorável, pois conta com a aprovação de medidas populares, leva pouco tempo de governação e qualquer sobressalto servirá para se vitimizar perante a opinião pública. E se assim for, os dividendos são certos num próximo ato eleitoral antecipado.
Os cartazes sobre “um governo para as pessoas”, num país que está “no bom caminho” são imagens difíceis de contrariar, agora que os juros da habitação começam a aliviar a carteira das famílias, o desemprego mantém-se historicamente baixo, os impostos sobre o trabalho descem, e o sentimento geral é de que a economia está a produzir emprego, e só não trabalha quem não quer. Por razões muito diversas, uma abstenção do Chega levará ao voto contra dos socialistas, e estes tentarão juntar toda a direita. Seja lá o que for “toda a direita”.
Em setembro fará o PSD o seu congresso, depois da eleição de Montenegro. Não há muitas dúvidas que será um momento de entronização, de congregar tendências internas.
A entrega da proposta de orçamento é no mês seguinte e em novembro é debatido e aprovado, ou não, o documento.
Não há grandes dúvidas que o encontro maior dos social-democratas em setembro criará aos olhos dos portugueses uma enorme projeção, entrando-lhes pela casa dentro, em pose executiva, logo antes de o orçamento ser entregue. Será uma imagem muito difícil de contrariar para quem faz oposição.

Fernando Marta

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