- Menos alunos. Não convém gritar porque não se ouvirá eco a não ser algumas caramunhas! Foi noticiado que o próximo ano lectivo começa no próximo dia 9 de Setembro, nos AÇORES, com menos 800 alunos nas Escolas, em comparação com o último ano escolar. E mesmo assim algumas Câmaras teimam em fazer obras nos edifícios escolares sem atividade escolar, então dizem que será para outros fins quando nalguns desses locais já existem salões a mais que estão quase sempre vazios! Aqui reside o problema mais preocupante com que se debate a sociedade açoriana que inclui não apenas o fraco número de nascimentos de crianças (ainda haverá alguém que ponha a culpa na simpática Secretária Regional!), mas também o elevado número de idosos que se vão arrumando nos lares e os jovens que tendem a mudar de residência ou a emigrar! Não se pense que o combate à desertificação se faz com a concessão de subsídios aos novos casais, como aqui já escrevemos, porque o assunto é mais vasto e complicado. Em jogo estão sobretudo a habitação e o emprego e a qualidade de vida que é um setor muito exigente e abrangente. E não vale a pena nadar em seco ou lutar contra a maré! Mas, torno a repetir, não tenhamos dúvida que se trata de um assunto muito sério não fosse ele a desertificação das ilhas e de alguns concelhos! Mas continuem a fazer, realizar e a promover reuniões e debates! E reflexões!
- O centro do negócio e do consumo. Fica no centro da cidade ainda no seu coração e parece haver total impotência na resolução da questão que tem vindo a estar na ordem do dia pelos desacatos que provoca e pela insegurança que suscita para os que aqui vivem e também para os que vêm em visita. Passou-se um dia destes e eu fui testemunha. Entre as nove e as dez da noite no Jardim Sena Freitas também conhecido como Jardim da Zenite. Preparava-me para jantar na esplanada exterior do Hotel ali ao pé e outro grupo de pessoas que visitam a ilha e estrangeiros a fazerem o mesmo! Já me tinha apercebido do contínuo movimento em direção ao alpendre que esconde o consumo e o negócio! E passado pouco tempo um rebuliço que começou a assustar. Os estrangeiros levantaram-se prontos a demandar e alguém por ali telefonou para a polícia a dar conta do desacato . Sim, vamos enviar uma ronda. Mas que venham rápido senão já vai ser tarde! Quando os consumidores e os outros sentiram isso foi demandada geral! Mas não levou muito tempo eles voltavam ao jardim, tinham reparado que a PSP havia regressado à base! E é assim pelas ruas da redondeza com os residentes impávidos e assustados como quem não sabe para onde fugir! E a nossa cidade continua assim… Comecem já com um agente permanente no referido Jardim, outro no Campo de São Francisco, ainda outro na Calheta e mais um no Largo do Liceu! Até se ver, como diz o povo!
- E por falarmos em Campo de São Francisco já tudo foi dito e escrito da importância da sua centralidade a vários níveis, com o religioso no topo, e tudo permanece igual como se aquilo já fosse um lugar pacato, de sossego emocional e até de reflexão, de convívio e de lazer! Mas não! É mais uma vergonha para esta já grande cidade! Até no verão aquele atraente recinto está às moscas, entregue à solidão e à sombra dos velhos plátanos! Até o coreto de venda de bebidas encerra às 18 horas, imaginem isto numa terra que se quer do turismo ! E por ali os guarda -sóis o vento leva-os! Imaginem nesta cidade e nesta ilha os guarda sóis a pingarem o céu pouco azul! E já que o Coreto central não serve para nada, então que se escolha um arquiteto criativo e com frutífera imaginação para elaborar um projeto de coreto ou coisa que o valha destinado a atividades de música, incluindo filarmónicas grandes no número , de teatro, de lazer , de cantorias e até de brincadeiras e que seja reposto o parque infantil no lugar onde já esteve para gáudio das nossas crianças! E mãos à obra que se torna tarde!
- Trotinetas e outras tretas! É um autêntico delírio por esta cidade fora e elas passam num rompante, quando damos por elas, já vão longe! Uma triste descoberta que pode dar certo noutras latitudes onde as ruas são largas e os passeios também! Mas quando houver um acidente aqui d’ el rei! E chama-se a polícia e os bombeiros! Coitados!
A este propósito convém chamar a atenção, mesmo que não sirva de nada, para a falta crónica , sistemática e irritante de espaços para estacionamento de viaturas nas ruas da cidade, como é o caso das ruas a norte do Largo 2 de Março, porque os visitantes ocupam os espaços com os seus alugueres onde anteriormente os residentes estacionavam. O que lhes acarreta uma série de transtornos. E a responsabilidade deve ser repartida! Aguardemos com esperança! - Os críticos. Estamos na terra deles e eu incluído, apesar de existir uma enorme diferença entre críticos de maldizer e da bagunçada , os críticos de meia tigela que só vivem do mexerico e do enredo ao bom estilo dos comentadores desportivos da televisão e de alguns cafés e os críticos que pela sua atuação de verticalidade muito contribuem para o bem da sociedade, pois são construtivos ! Os políticos, em regra, não gostam de qualquer um deles. Também se critica por tudo e por nada e os líderes partidários nunca vêem nada de positivo no que faz o governo, seja ele do centro, da direita ou de esquerda ou até das extremidades! Nem o Hospital em reconstrução e remodelação escapa, muito menos os professores e o que era tolerável num outro governo de matiz diferente agora já é ruim e por aí adiante! E mesmo assim, o que o governo faz agora sofre sempre críticas negativas mesmo de assuntos que ainda nem foram decididos! Para alguns críticos de carteira está tudo mal e vai continuar tudo na mesma, mas para pior! Também funciona muitas vezes a história da garrafa meia cheia! E um bom Setembro para todos.
Espigão, NORDESTINHO, finais de Agosto de 2024Eduardo de Medeiros