“A saúde é fundamental e embora pareça que está tudo muito bem, e até temos bons profissionais (mais médicos e enfermeiros), a verdade é que continuamos a ter falhas e temos de conseguir melhor saúde”. Isso porque, como diz Bárbara Chaves, “o facto de não haver voo para levar um doente de Santa Maria para São Miguel é, por si só, uma limitação”.
A população da ilha de Santa Maria, que está a envelhecer, não anda muito satisfeita com os cuidados de saúde e como não tem hospital entende que tem de haver um olhar diferente para os problemas da comunidade.
Os cuidados de saúde prestados são bons nas áreas em que há prevenção e assistência, contudo faltam especialidades. Isto é, não há especialistas na ilha para dar resposta às necessidades da população. A solução encontrada tem sido a deslocação dos marienses ao maior hospital dos Açores, Ponta Delgada – agora com algumas limitações devido ao incêndio-, mas isso não basta para tranquilizar a população. Tem havido casos de situações de saúde não previstas, e urgentes, que têm gerado grande dor de cabeça a algumas famílias no que respeita ao transporte imediato para Ponta Delgada.
A deslocação de doentes em situação de emergência é feita pela Força Aérea Portuguesa estacionada nos Açores, um elemento essencial nas evacuações em ilhas sem hospital. Contudo, há relatos de demora neste processo, não porque a Força Aérea não seja diligente, que o é, e muito, como reconhecem os cidadãos atingidos pela urgência, mas porque não consegue acudir a todas as situações ao mesmo tempo e/ou porque há casos em que não há equipa para substituir quando ultrapassam o tempo de voo. Há mesmo um caso de uma doente que chegou à Assembleia Legislativa Regional dos Açores e a família aguarda que chegue também à Assembleia da República. Tudo para que não aconteça que um doente fique horas à espera para ser evacuado e possa correr risco de vida. O objectivo é que sejam encontradas soluções atempadas e que respondam às necessidades da população.
A Presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto também manifesta preocupação nesta área. “A saúde é fundamental e embora pareça que está tudo muito bem, e até temos bons profissionais (mais médicos e enfermeiros), a verdade é que continuamos a ter falhas e temos de conseguir melhor saúde”. Isso porque, como diz Bárbara Chaves, “o facto de poder não haver voo para levar um doente de Santa Maria para São Miguel é, por si só, uma limitação”.
Nesta altura, o Conselho de Administração do Centro de Saúde também está demissionário, por divergências com a tutela, desconhecendo-se os motivos e Bárbara Chaves garante que também não saber. “O que me interessa é que os marienses continuem a ter acesso à saúde, o que não acontece na sua totalidade, que consigam ir a outros hospitais com a regularidade necessária e que tenham as mesmas oportunidades que os açorianos que vivem em ilhas com hospital”.
A presidente da Edilidade mariense defende a necessidade de dotar o Centro de Saúde de novos e melhores equipamentos, de promover uma ampliação do serviço de urgência com um espaço mais digno e que haja uma diminuição do tempo de espera para o atendimento de doentes, que às vezes ultrapassam as 5 e as 6 horas”.
Santa Casa precisa de apoio
Estão previstas algumas obras para o Centro de Saúde de Vila do Porto mas a população não sabe quando vão avançar.
Bárbara Chaves diz que “é preciso olhar para a Saúde não só em Santa Maria, mas em todas as ilhas de forma a que cada ilha consiga ter melhores condições e que os cidadãos consigam usufruir de consulta na sua ilha de residência”. Assim sendo, a autarca defende a ida de especialistas a Santa Maria em vez de serem os doentes a deslocar-se, o que devia ser feito só como última necessidade.
“É preciso ter em atenção que uma população mais envelhecida carece de um maior cuidado na área da saúde”. E a par disso, há também uma grande necessidade de dar atenção ao que se passa nas Instituições Particulares de Solidariedade Social.
“Estas instituições fazem um trabalho muito digno e precisam que lhes seja dado o devido valor e o correspondente olhar sobre as suas valências e os custos reais que têm. É importante ter em conta que as nossas IPSS têm dificuldades financeiras, que são públicas, e que não conseguem fazer face a todos os seus custos, seja para o lar seja para o Atelier de Tempos Livres, entre outros”, realça Bárbara Chaves.
Para a autarca “há necessidade de rever os valores financeiros atribuídos às IPSS de forma adequada à actual realidade”, reforçando a ideia de que “o financiamento das IPSS tem de ser revisto e reforçado”.
Confrontada com o facto de os recursos não serem infinitos, admite saber “que assim é”, mas logo acrescenta de que o que” as pessoas precisam é de continuar a ter os seus cuidados de saúde atempadamente. É verdade que os cuidados são prestados porque os profissionais são excelentes, mas por falta de espaço no lar há muitos que têm esses cuidados no Centro de Saúde e isso não deve acontecer, porque as pessoas precisam é de um lar”. E para que isso aconteça, Bárbara Chaves é de opinião de que “a Santa Casa da Misericórdia de Santa Maria precisa urgentemente de ter um financiamento mais adequado às suas necessidades” porque só assim conseguirá dar resposta à população.
“As pessoas bem tratadas duram mais anos, o que é bom”. Para isso, Bárbara Chaves, à semelhança do Conselho de Ilha, defende que “o Lar da Santa Casa precisa de ser ampliado para que possa aumentar a sua oferta em número de camas”. A Santa Casa já tem um projecto, mas para isso precisa de financiamento e de vontade política para que isso possa ser feito, como faz questão de sublinhar a autarca mariense.
Nélia Câmara
