Voltando à escrita, a uma chamada ao real, ao quotidiano que nos rodeia, que impele ao pluralismo de ideias, construtivo, necessário até para a sobrevivência da Imprensa, essencial à sobrevivência da democracia e no nosso caso da nossa Autonomia sempre em fase de consolidação pela necessidade de afirmação, pela forma de a pensar, de agirmos democraticamente e de interagirmos com a República, despertando em nós a necessidade de união, de participação, de crítica e de propositura.
Desconstrução tem sido o mote dos meus apontamentos recentemente publicados neste jornal, com a intenção de lhe dar a continuidade que me for possível; e no meu entender conveniente, não para dissertar sobre retóricas, mas analisar, na minha perspectiva, se necessário com sentido crítico, temas do nosso quotidiano, da nossa realidade social e política.
Tentarei não vos falar do que já foi feito, mas do que se faz ou ainda falta fazer.
A ideia do desenvolvimento e o seu impacto no condicionalismo humano e social, desde a demografia à relação do potencial produtivo, versus potencial intrínseco da riqueza endógena das nossas ilhas, sua distribuição e conceitos de pobreza; necessita desconstruir-se para entender-se, assim como noutras áreas do social ao económico.
Obviamente que existe trabalho académico sobre estas matérias, mas também deve coexistir componente cívica de análise. O que somos e para onde vamos, deve nortear todas as planificações e decisões, sem sentido de verdade absoluta, mas sim relativizada às verdades do momento.
Não se pode ser o que não se é introduzindo no querer variáveis improváveis para o poder ser.
Há fatos e decisões que nos afectam no dia a dia, que não são desconstruídos, que o mesmo será dizer, não são explicados na essência das suas origens e consequências presentes ou futuras.
Todos temos esta responsabilidade de analisar e perceber o que se passa e que implicações têm ou terão na sociedade onde nos incluímos, exigindo informação a quem tem a obrigação de a dar.
Desconstruir baseando-se em evidências é uma visão e uma abordagem das relações causa efeito, consequência das nossas decisões ou omissões.
São tantos os assuntos, tantas as decisões ou falta delas que nos circunscrevem à capacidade ou não de as assumir como desafios coletivos e não interesses de grupos ou do que se arruma classicamente como os dos partidos.
A democracia pertence-nos; os eleitos são os que nos representam legitimados pela nossa vontade; e quando os jogos do poder se sobrepuserem ao interesse coletivo, a nós compete democraticamente fazer a mudança.
Dionisio Faria e Maia