Por sua vez, o Presidente da Federação Agrícola, Jorge Rita, considerou como um “desígnio regional” a “valorização da excelência dos nossos produtos” e deixou claro que “se vai provar que, com a carne, se pode fazer algo de muito importante.”
Mostrou-se convicto de que, a partir do Festival do Churrasco, nas instalações onde se encontra instalada a Associação Agrícola, em Santana, “se vai dar um salto na planificação e valorização da carne.”
“O que nos interessa a todos nós é olhar para os Açores. A fileira do leite tem uma boa organização. A fileira dos lacticínios deu um salto na valorização dos seus produtos. Mas hoje não é o dia para falar nem do leite nem dos lacticínios,” disse.
Considerou que a área das hortícolas “é muito importante até para a balança comercial da Região mas a carne também é um sector, que não sendo visto nos últimos anos por todos como sendo muito importante em todas as ilhas, particularmente em Santa Maria, Pico, Graciosa, e Flores. Mas existe uma grande possibilidade nas outras ilhas de maior dimensão, Terceira, Faial, São Miguel e algumas outras, que também têm capacitação para que, do sector leiteiro, se possa aproveitar muito mais ao nível da carne, com maior valorização.”
A grande vantagem comparativa
é aproveitar a carne
de todo o animal
“Isto já está a ser feito com os cruzamentos das raças. Mas, essencialmente, a grande vantagem comparativa é o aproveitamento da carne de todo o animal.”
No Festival do Churrasco, que prossegue hoje em Santana, estão disponíveis aos consumidores 25 peças do mesmo animal “para todos provarem. Lombos e vazias, já todos ouviram falar delas. E todos sabem que não é o suficiente para o aproveitamento do animal. Já temos o bojadouro, já temos a Acém mas, para além disso, as outras peças de carne que ninguém dá nada por elas, vão ver a extraordinária qualidade que têm.”
Realçou a qualidade dos churrasqueiros convidados que são “do melhor a nível mundial na arte dos churrascos, na arte de trabalhar bem a carne. E é isto que nós precisamos. Precisamos de melhorar um pouco a nossa produção, a nossa oferta. Os matadouros têm vindo a evoluir nos investimentos mas precisam evoluir mais com as salas de desmancha e, essencialmente, na formação. A formação é indispensável,” considerou Jorge Rita.
Reafirmou que os apoios que estão instituídos, instalados na área da carne “irão ser modificados, tendo em conta aquilo que é uma pretensão nossa que é premiar, cada vez mais, a excelência. Este é um trabalho ao nível do POSEI para o qual todos nós estamos disponíveis. Sei que da parte do Governo Regional existe esta disponibilidade e da nossa parte também. E vamos criar as condições para dar um salto qualitativo. Será um salto para todos nós percebermos o potencial que temos e como é que podemos valorizar a nossa carne,” afirmou
Jorge Rita havia já anunciado no Sábado, durante um seminário sobre a carne e os mitos da restauração, que as alterações que irão ser feitas ao POSEI vai estar mais focadas na carne e na bio-carne do que nos animais em si. Um seminário em que foi relevado em tom crítico o “excesso de zero” e a “criatividade” que, por vezes há por parte de inspectores da ASAE e do IRAE.
Aumentar expedição de carne
para o continente português
A nossa carne, quase toda ela, vai para o mercado nacional e Portugal só produz 46% das necessidades de carne de bovino que tem. “Temos aqui uma grande possibilidade para aumentar a nossa expedição de carne para o mercado nacional,” disse.
Referiu-se também à tendência de crescimento do turismo, de “um melhor turismo que pode gastar mais, que terá mais a ver com os Açores, não só pela sua beleza natural, mas também pelos nossos produtos realçados pela Marca Açores como produtos de excelência. Mas, para isso, tem que ser feito este tipo de trabalho, de comunicação, de formação. O marketing será feito pelo estômago das pessoas. Não há marketing melhor do que este,” sublinhou.
“Podemos gastar em todo o marketing que se quiser nos papéis, mas quando a pessoa provar e gostar do nosso produto”, faz a sua promoção.
“ O que importa é que neste evento (Festival do Churrasco), as pessoas também percebam que se pode dar o salto qualitativo na valorização da nossa carne. E todos aqueles que são produtores, todos aqueles que são transformadores que estão na área da carne sintam confiança e segurança que as suas organizações e que o Governo Regional está por detrás a apoiar e a acarinhar este desígnio da Região que é de excelência. E vamos ter oportunidade de provar a excelência…”, concluiu.
Frederico Figueiredo
