O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, desafiou ontem os que trabalham na fileira do negócio e na cadeia de valor a transformação do leite, “para não ficarem apenas com o produto final mas com matéria-prima, garantindo produtos de valor acrescentado, de excelência e de genuinidade inquestionável.”
“Não são as políticas públicas que desenvolvem os Açores, são os autores que concretizam as políticas públicas estratégicas e a dinâmica da vida associativa empresarial privada é que promove o desenvolvimento,” realçou.
Na sua intervenção na sessão de abertura do Festival do Churrasco junto ao mercado agrícola de Santana, nas instalações sede da Associação Agrícola de São Miguel, o Presidente do Governo começou por deixar uma mensagem de “esperança e de confiança” que se traduz no facto de que “quem soube desenvolver um trabalho de excelência, ao nível genético, na fileira do leite” com um elevado grau de “competitividade no quadro nacional, europeu e global”, também é capaz de fazer o mesmo na fileira da carne. “Garantindo a excelência genética do animal, garantir que o produto é de elevada qualidade e que depois tenhamos eventos que ajudem também ao seu reconhecimento.”
“Não basta ser excelente, e o ser já de si é de uma grande exigência na qualidade do animal, na qualidade do produto, na qualidade da sua transformação e confecção e até no tratamento da carne. Precisamos de ter outro elemento que é decisivo, o do reconhecimento. E o reconhecimento ampliado por uma divulgação de experiência que, através da degustação, naturalmente, como dizia o presidente Jorge Rita, o estômago será o principal embaixador deste reconhecimento, pois um evento desta natureza é decisivo,” afirmou referindo-se ao Festival do Churrasco.
José Manuel Bolieiro deu nota de uma conversa com o presidente da Federação Agrícola, Jorge Rita, para realizar, com carácter anual em cada uma das ilhas dos Açores, um Festival do Churrasco com a dimensão daquele que está a decorrer em São Miguel.
Afirmou, a propósito, que o Governo e a Federação Agrícola “têm clara noção que podemos potenciar, através da diversificação, a vocação de cada ilha. Os Açores, através desta unidade estratégica, têm a pluralidade de vocação de cada ilha: uns maioritariamente para produção do leite, outros eventualmente para a produção de carne e outros, em mitigação e complexidade, têm a oportunidade de desenvolverem as duas fileiras (leite e carne).” E eventos como o que está a decorrer em Santana, “seduzem os residentes e atraem os visitantes.”
“Daí a importância de termos, enquanto destino turístico, esta divulgação para atrair os visitantes porque eles serão no exterior os nossos embaixadores de excelência. Seja no lado da fileira do leite, seja na fileira a carne ou, em geral. Em todos os produtoeiagro-alimentares dos Açores, nós temos créditos que não deixaremos por mãos alheias: segurança alimentar, excelência no produto, bem-estar animal, capacidade de genuinidade biológica para garantir, com isso, uma narrativa muito mais forte para as novas gerações de que importa ter sustentabilidade,” palavras do Presidente do Governo.
“Esta narrativa, por ser verdadeira, tem de ser reconhecida,” prosseguiu porque, em seu entender, “ajuda a dar valor acrescentado ao nosso produto, e quanto mais valor acrescentado tiver o nosso produto, mais riqueza criamos, mais empregabilidade asseguramos, mais prestígio para a imagem produtiva dos Açores alcançamos. É esse o meu desidrato. É esse o desidrato do Governo dos Açores na diversificação destes produtos,” realçou José Manuel Bolieiro.
“No quadro da responsabilidade das políticas públicas estratégicas, nós temos orientação estratégica bem definida. Não somos confusos. E definimos, também, os apoios públicos para concretizar a estratégia,” concretizou. “Nós sempre quisemos que, no agro-alimentar, houvesse uma tendência de sustentabilidade e progressiva autonomia alimentar nos Açores. Mas há défice alimentar nacional, como aqui foi dito, por exemplo, ao nível da carne. E podemos criar produção suficiente para enriquecermos mais com a nossa capacidade produtiva e também contribuir para uma progressiva autonomia alimentar do país. Isto é importante. Trabalharemos para isso,” conclui O Presidente do Governo.
Governo apoia em 35% compra
de alimento fibroso e soro e lança
3 mil direitos de vacas aleitantes
O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, anunciou ontem uma comparticipação de 35% na aquisição, pelos agricultores, de alimento fibroso animal para fazer face à quebra de produção de milho forrageiro e de erva em resultado da seca que assolou a Região.
José Manuel Bolieiro, que falava na sessão de abertura do Festival do Churrasco junto ao mercado agrícola de Santana, nas instalações sede da Associação Agrícola de São Miguel, realçou que este apoio se destina a robustecer a capacidade alimentar dos animais “e termos melhor rendimento e melhor competitividade.”
O Chefe do Executivo anunciou, também que, num quadro de “cooperação constante” com a Federação Agrícola dos Açores, os serviços governamentais responsáveis pelo sector agrícola já estão a fazer contactos com os agricultores para garantir a distribuição de três mil direitos de vacas aleitantes fortalecendo o percurso da fileira da carne.
Afirmou que, “mesmo que o sector turístico seja uma alavanca, ele tem exactamente raízes na nossa capacidade de economia produtiva para autonomia alimentar. Se é assim da parte publica, o que podemos esperar da parte privada? Dinâmica produtiva, vocação contínua da excelência, garantir o engrandecimento dos Açores,” completou.
