Muito se tem escrito sobre as decisões propostas e as aceites pelo Conselho de Administração do HDES, sobre as opções de construção de uma unidade hospitalar modular, para dar resposta à emergente necessidade de funcionamento de serviços essenciais à prestação de cuidados de saúde, inoperacionais após o incêndio no HDES; obviamente com o aval do governo e o protagonismo que os cargos, nomeadamente o da Secretária Regional da Saúde e Segurança Social exigem.
Quase nada contra, mesmo com as reservas do “se”; porque conhecendo bem o estado e funcionamento do HDES, outras opções “in loco” seriam do mesmo modo complexas e certamente inviabilizariam o recondicionamento do HDES, que se espera venha a acontecer, aguardando-se expectantes e pacientes pelas propostas dos peritos em construções hospitalares, adjudicados para o efeito.
A questão que se põe é: como o processo se está a desenrolar contando com a imprevisibilidade e o tempo gasto e a gastar na sua implementação; se foi modelar, o anúncio e o arranque do funcionamento de uma Urgência em ambiente de ainda movimentação de máquinas e pessoal, só porque houve compromisso verbal do governo, para uma data da sua abertura.
Não é modelo a seguir; porque a imprevisibilidade existe nestes processos e a modéstia em admitir esta imprevisibilidade deve sobrepor-se a pressões políticas ou timings para protagonismos; porque acampados já estávamos. Nem seria a Srª Secretária Regional da Saúde e Segurança Social a comunicar-nos particularidades de atendimento, triagem e prestações de cuidados, porque mesmo sendo também médica e conhecedora destes procedimentos, não tem a responsabilidade técnica de os implementar, nem do modo do seu funcionamento.
Ficamos a saber que abriu um Serviço de Urgência sem Emergência, parecido com um Serviço de Atendimento Urgente (SAU) avançado.
Um hospitalar modular só pode ser um modelo aceite e operacional se criar lógicas de funcionamento. Se foram pensadas e estão em construção, logo faltava acabar a obra.
Uma nota de louvor e reconhecimento à Administração do HDES e a todos os seus quadros técnicos e outros, aos bombeiros e às entidades públicas e privadas, que de portas abertas acolheram os doentes, que numa operação exemplar permitiram evacuar um hospital; e que após realojamentos, funcionaram e continuam a funcionar dispersos, mas com resiliência, dedicação e tecnicismo.
Estes operacionais e os utentes do SRS, que também demonstraram esta resiliência e cooperação, merecem um hospital modelar, seja em módulos, seja de ferro e betão. Acrescente-se que o anúncio feito a semana passada pela Sr.ª Secretária da Saúde e Segurança Social de que o HDES vai ser um hospital e cito: moderno, ampliado e requalificado com tecnologias de ponta para competir (?!) com centros hospitalares nacionais; é uma excelente notícia, que, a ser verdadeira, ou a SRS não precisava da consultadoria em curso, ou já tem disso conhecimento e já aceitou propostas para esta ampliação, requalificação e equipamentos, que mais ninguém ainda sabe.
Dionisio Faria e Maia