Cientistas e colaboradores da empresa islandesa deCODE Genetics, que estuda e analisa o genoma humano, identificaram uma variante de sequência no gene CCDC201 que, quando herdado de ambos os progenitores homozigotos, causa a menopausa em média nove anos antes.
A deCODE Genetics, uma subsidiária da Amgen, e colaboradores da Islândia, Dinamarca, Reino Unido e Noruega publicaram em 27 Agosto 2024 um estudo na Nature Genetics revelando um genótipo raro com um impacto significativo na saúde das mulheres.
A idade da menopausa afecta significativamente a fertilidade e o risco de doença. Esta investigação centrou-se em modelos recessivos, ou em indivíduos com duas cópias de uma variante de sequência denominada homozigóticos, que são menos estudados do que o modelo aditivo, que se baseia principalmente em indivíduos portadores de uma cópia de uma variante de sequência, especialmente quando esta é rara.
Ao analisar dados de mais de 174.000 mulheres na Islândia, Dinamarca, Reino Unido e Noruega, os investigadores descobriram uma variante que leva a uma mudança de arginina na posição 162 para terminação no gene CCDC201, que impacta dramaticamente a idade da Menopausa (IdM).
O gene CCDC201 foi identificado em seres humanos como um gene codificador de proteínas apenas em 2022 e desde então demonstrou ser altamente expresso em óvulos. Este estudo demonstra que a sua perda completa de função tem um impacto significativo na saúde reprodutiva feminina.
Mulheres portadoras de duas cópias dessa variante, chamadas de homozigotos, entram na menopausa em média nove anos antes do que as não portadoras. Esse genótipo homozigoto é encontrado em aproximadamente 1 em cada 10.000 mulheres de ascendência do norte da Europa, leva à falência ovárica primária, definida como idade na menopausa antes dos 40 anos, em quase metade das portadoras. Consequentemente, mulheres com esse genótipo têm menos filhos e têm filhos muito raramente após os 30 anos.
Esta descoberta realça a importância de considerar vários modelos genéticos na compreensão de doenças como a falência ovárica primária ou prematura.
O estudo sublinha os potenciais benefícios do aconselhamento genético para mulheres com este genótipo específico.
Por outro lado, o diagnóstico precoce permite escolhas reprodutivas informadas e a gestão dos sintomas associados à menopausa precoce.
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