Região continua sem um Plano de Prevenção de combate ao suicídio
Os Açores continuam sem um plano de prevenção do suicídio, uma região que, ao contrário do resto do país, tem uma tendência crescente na taxa de suicídios. Psicólogos alertam para “a necessidade de serem criadas sinergias com os decisores políticos para prevenir esse flagelo” numa conferência promovida pela Sociedade de Suicidologia que decorreu no Hospital do Divino Espírito Santo.
A nível nacional, o Plano de Prevenção do Suicídio já está a ser ultimado mas, nos Açores o documento ainda não existe, um alerta lançado por Margarida Bicho, interna de psiquiatria do Hospital Divino Espírito Santo, citada pela Antena 1 Açores.
“Até agora, ainda não se criou nem o Plano Regional de Prevenção do Suicídio. Quanto mais rápido procedermos a isto, mais poderemos evitar. Precisamos, sem dúvida, do apoio dos decisores políticos,” disse.
Em São Miguel, há casos concretos onde é possível intervir, que são casos há muito sinalizados. “Por exemplo, a colocação de barreiras nas pontes para Nordeste, colocar barreiras nesses sítios onde pode acontecer a precipitação para o vazio e limitar o acesso aos pesticidas e às substâncias tóxicas. Em algumas situações nós conseguimos intervir,” disse a psiquiatra.
O perfil do suicídio em São Miguel já está traçado, num estudo com dados recolhidos entre 2001 e 2021.
“Percebeu-se que 117 pessoas tinham cometido o suicídio. Percebeu-se que estava um perfil de um homem, entre os 25 e os 45 anos, solteiro, empregado no sector terciário e o método mais utilizado em São Miguel é, sobretudo, o enforcamento”.
Os números já estudados não são animadores nos Açores, ao contrário do que acontece a nível nacional, revela Isabel Rotes, Presidente da Sociedade de Suicidologia.
“Há aqui uma realidade que parece factual, enquanto as taxas nacionais e internacionais estão estáveis ou têm diminuído, nos Açores aparenta um aumento,” referia ainda citada pela Antena 1 Açores.
A faixa etária de mortes por suicídios é também diferente em territórios. Em Portugal continental, a mortalidade acontece em idades mais avançadas, enquanto nas ilhas acontece sobretudo entre os mais jovens.
O isolamento insular, falta de acesso a cuidados de saúde mental ou consumo de substâncias psicoactivas são alguns dos factores apontadas para esta tendência.
