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ATL’s da Casa do Povo de Nordestinho em quatrofreguesias “são muito importantes” porque o concelho de Nordeste tem “apenas 2 escolas primárias”

A Casa do Povo de Nordestinho, fundada em 1980, abrange quatro freguesias do concelho de Nordeste – Santo António de Nordestinho, São Pedro de Nordestinho, Achada e Algarvia. Uma instituição que junta várias pessoas de várias freguesias do concelho. Em entrevista, Carlos Matos, presidente da instituição, explica as mudanças que houve na Casa de Povo de Nordestinho; a importância de haver uma casa do povo num concelho distante de concelhos mais desenvolvidos; o impacto do dinamismo de ter um ATL na freguesia de Santo António de Nordestinho e conta ainda o desejo de querer abrir mais uma valência na casa do povo – uma padaria.

Correio dos Açores – Como tem sido a sua experiência na presidência da Casa do Povo de Nordestinho?
Carlos Matos (Presidente da Casa do Povo de Nordestinho) – Eu estou à frente dos serviços da Casa do Povo de Nordestinho há quase 10 anos. Para quem é apaixonado por essas áreas sociais e estar ao serviço da comunidade em geral, tem sido uma experiência enriquecedora e positiva.

Preside a Casa do Povo há quase 10 anos. Quais foram as mudanças que ocorreram desde o início do seu mandato?
Eu penso que houve uma tentativa de melhoramento das condições e da divulgação sobre como funciona a nossa casa do povo.
A Casa do Povo de Nordestinho já existe desde 1980. No próximo ano fará 45 anos. Acredito que agora há uma maior divulgação, porque antes as pessoas sabiam que havia uma casa do povo, mas não sabiam como a instituição funcionava ou as valências que estão incluídas. Por exemplo, sabiam que há funcionários, o idoso ia buscar a sua reforma e pouco mais. E esta imagem não correspondia à realidade. Uma casa do povo tem outros objectivos e outras funções.

Quais são os objectivos da Casa do Povo de Nordestinho?
A Casa do Povo de Nordestinho tem como objectivos manter as valências que temos abertas, onde constam os nossos quatro centros de actividades de tempos livres (ATL’s), o ateliê de costura e artesanato e a nossa colaboração com a Segurança Social, nomeadamente a Loja Social Abraço Second Hand Store (uma loja de roupa em segunda mão) e o acompanhamento dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI).
Saliento que ainda temos outras perspectivas para o futuro, que estão, neste momento, em estudo e em levantamento de necessidades, particularmente a abertura de mais uma valência para a Casa do Povo de Nordestinho, que está na área da panificação, com a abertura da padaria.

Qual é a importância da Casa do Povo de Nordestinho para o concelho de Nordeste?
No meu entender, é muito importante, porque, apesar da sede da nossa casa do povo ser em Santo António de Nordestinho, antigamente havia a freguesia de Nordestinho, que era a constituição das freguesias de Santo António, Algarvia e São Pedro de Nordestinho e, mais tarde, em 2002, a freguesia foi dividida em três.
Em todo o caso, a direcção e assembleia-geral da casa do povo conseguiram permanecer com o mesmo nome, com o objectivo de homenagear a antiga freguesia de Nordestinho.
A Casa do Povo de Nordestinho tem valências nas freguesias de São Pedro de Nordestinho, Santo António de Nordestinho, Algarvia e na Achada.

A casa de povo é um centro para muitas pessoas. Qual é a importância da existência de casas de povo em concelhos mais distantes do centro?
As casas de povo, felizmente, já estão projectadas noutra forma de estar e de pensar. São muito importantes nas comunidades, principalmente fora dos concelhos mais desenvolvidos, porque são elas que enriquecem as próprias freguesias com a sua existência. Caso não existisse essas instituições e com essas valências, as freguesias ficavam mais empobrecidas e com mais dificuldades de prestar serviços a essas comunidades.
No concelho do Nordeste, estamos apenas reduzidos a duas escolas primárias neste momento. O fecho das escolas veio prejudicar muito as comunidades das freguesias mais pequenas, como é o caso de Santo António, Algarvia e São Pedro, que têm pouco mais de 250 pessoas.
Como Presidente de Junta de Freguesia de Santo António de Nordestinho, eu vejo também o empobrecimento da freguesia neste sentido. Uma freguesia com escola é muito diferente de não ter uma escola. A alegria, o convívio e o dinamismo é completamente diferente. Ao menos, nós temos o ATL aberto, na parte da tarde, o que já dinamiza a freguesia de forma diferente. São muito importantes nesse contexto, especialmente em freguesias mais pequenas. Acho que as casas de povo são mesmo muito importantes.

Quais são as principais dificuldades da Casa do Povo de Nordestinho?
Felizmente, no meu entender, não são muitas. Felizmente, a casa do povo tem o apoio necessário da segurança social e de outras instituições, o que tem ajudado para ultrapassar as dificuldades.

Como está o estado das infra-estruturas da Casa do Povo de Nordestinho?
A sede está num lugar recentemente novo, que é camarário, com óptimas condições. As restantes valências também estão em boas condições, inclusive estão nas instalações de antigas escolas. A Câmara Municipal de Nordeste tem colaborado com as instituições. Nós, Casa do Povo de Nordestinho, temos feito o possível para manter as condições mínimas suficientes.

A Casa do Povo de Nordestinho tem quatro ATL’s. Existe uma fila de espera para entrar?
Os nossos ATL’s não têm listas de espera. Na generalidade, no concelho, o número de crianças reduziu há algum tempo, devido às condições sociais, económicas e a redução de famílias. Felizmente, este ano vamos ter uma afluência maior, por exemplo, praticamente temos dois ATL’s que vão ter as vagas preenchidas, esticando até ao máximo com 20 vagas. Portanto, vamos ter, na totalidade, mais de 50 crianças. Para nós, este número é significativo, porque também a Santa Casa e a Associação Sol Nascente têm os seus ATL’s no concelho.

Como tem sido a afluência ao Centro Comunitário?
No Centro Comunitário, temos promovido, todos os anos, nas extremidades do concelho que integra a própria freguesia, algumas exposições, divulgação dos trabalhos e venda de artigos no ateliê. Portanto, são serviços que estão disponíveis à comunidade. As pessoas reconhecem a importância disso.
O Centro Comunitário divide-se em dois aspectos. Em primeiro lugar, é constituído por pessoas voluntárias que querem fazer trabalhos manuais. Em segundo lugar, há um grupo de idosos que, em dois dias por semana, se ocupam com outras actividades práticas, que são coordenadas por uma senhora do nosso grupo. Neste momento, temos um grupo de 12 pessoas idosas, todas da freguesia residente (Santo António de Nordestinho). Foi uma novidade que nós implementamos há cerca de dois anos.

Há alguma novidade no plano de actividades da Casa do Povo de Nordestinho para o ano lectivo 2024/25?
O nosso plano de actividade vai ser muito semelhante ao do último ano lectivo (2023/24). Abrange muitas actividades dos nossos ATL’s e com algumas actividades do ateliê de costura e outras valências da instituição. Normalmente, fazemos o cortejo do Carnaval, o festival de sopas, o nosso aniversário e outras actividades que as famílias têm aderido e participado.

    Filipe Torres / F.F.
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