O Ricardo é um adulto normal, como qualquer outro com que nos cruzamos nas compras do hipermercado, no café e nos corredores da escola. O Ricardo faz parte dos 36% de portugueses que faz desporto de forma regular, no seu caso corrida e bicicleta de estrada. Quem o conhece, sabe que ele gosta de competir em provas de atletismo de estrada e trail, estando federado em equipas distintas no que concerne à corrida e ao ciclismo. Quem não o conhece, não sabe que ele é um pouco diferente do resto de todos nós, e para o provar, vou-vos contar o que anda ele a fazer por estes dias.
Enquanto todos nós voltamos à escola, e às rotinas dos nossos filhos tão próprias do mês de setembro, o Ricardo passa os dias a correr e pedalar por uma causa que não poderia ser mais nobre: Unir Portugal a correr/pedalar, com o objetivo de angariar dinheiro para entregar, na íntegra, ao IPO de Lisboa. Durante um mês, o Ricardo pedala, corre e chama a atenção para uma doença que tem afetado cada vez mais portugueses. E fá-lo por uma razão única de solidariedade e amor ao próximo.
Esta epopeia começou no dia um de setembro, com partida em frente à instituição que o motivou a realizar esta volta a Portugal continental, tão única e tão merecedora de respeito e aplauso, e com o desejado regresso no dia 29 deste mês, em frente ao ponto de partida, o Instituto Português de Oncologia de Lisboa, após ter terminado uma volta completa ao território continental nacional. Entre a partida e a chegada, o atleta do Clube Desportivo e Cultural Juventude Ilha Verde (CDCJIV), passará pela Comporta, Porto Covo, Aljezur, Alvor, Faro, Vila Real de Santo António, Mina de São Domingos, Moura, Alandroal, Castelo de Vide, Castelo Branco, Guarda, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Corvo, Bragança, Chaves, Montalegre, Arcos de Valdevez, Caminha, Vila do Conde, Furadouro, Quiaios, São Pedro de Moel, Peniche, Ericeira, regressando depois a Lisboa, ao IPO. Digam-me se não é coisa de valor.
O Ricardo trabalha como qualquer outra pessoa, e teve de deixar de o fazer durante um mês, para se poder preparar e realizar esta iniciativa. Precisa de comer e beber durante todos estes dias, a bicicleta tem desgaste permanente. Precisa de um sítio minimamente confortável para descansar entre uma etapa e outra. Sente-se mais forte para cumprir o objetivo de angariar dinheiro para o IPO, sempre que chega a um território, a uma vila alentejana ou aldeia transmontana, e é recebido pela população. Pelas crianças e pelos entusiastas das bicicletas e das corridas. Cada vez que isto acontece, o ânimo reforça-se e multiplica-se para mais um desafio, mais uns quilómetros, mais uma etapa.
Enquanto escrevo estas linhas, o Ricardo vai a caminho da cidade de Castelo Branco, com partida de Castelo de Vide, num trajeto de 75kms e mais de 900 metros de desnível positivo (subida, basicamente). Segue-se a Guarda e os restantes territórios que já mencionei. Segue-se o sol, a chuva, as dores de cabeça, as dores de costas devido aos quilómetros de bicicleta, as dores de pés, as bolhas e as dores musculares por causa dos muitos quilómetros corridos. Seguem-se muitas outras cidades e vilas, já no litoral, quando passar pela brisa do Furadouro, no concelho de Ovar e distrito de Aveiro. Vai conhecer a beleza de São Pedro de Moel, após ter sentido o calor humano das gentes de Chaves e Bragança, Alvor e Vila Real de Santo António. Já não faltará muito para chegar à meta, quando parar para descansar na Ericeira. Já só faltarão 61kms no dia 29 de setembro.
Apenas para relembrar: a principal causa desta iniciativa é angariar recursos financeiros para oferecer ao Instituto Português de Oncologia, sem qualquer outra ambição ou interesse. Gostamos muito, porque é merecido, que o Ricardo continue a sentir o apoio e o calor humano de cada uma das terras pelas quais passa, passou e continuará a passar até à meta. Esta epopeia tem sido amplamente divulgada pela imprensa regional e local, do Alvor a Trás-os-Montes, de Moura a Caminha. Convido-vos a darem uma espreitadela no esforço que é divulgado em cada publicação (www.unirportugalcontraocancro.com) e em cada post nas redes sociais (Facebook e Instagram). Se lá forem já valeu a pena dar a volta a Portugal. Contra o cancro. Por toda a gente.
Fernando Marta