Edit Template

A ambição do ‘Remédios Sport Clube’“é vencer a Série Açores de Futsal”,assume o treinador Pedro Botelho

Depois de ter feito toda a formação a jogar futebol de 11, Pedro Botelho, quase por acaso, fundou um clube e começou a sua ligação ao futsal. Após ter feito 33 anos, decidiu dar um rumo diferente à sua carreira e hoje em dia é treinador. Ao ‘Correio dos Açores’ explica o seu percurso, como ganhou o gosto pelo treino e afirma que a “base da pirâmide será sempre a formação e não os seniores.”

Correio dos Açores – Como foi o seu percurso no futsal, primeiro como jogador e depois como treinador?
Pedro Botelho (treinador dos seniores e coordenador da formação do Remédios Sport Clube dos Açores) – Comecei por fazer a minha formação no Clube Desportivo São Roque, em futebol de 11. Na minha primeira época de sénior joguei no Santiago, na Série Açores, e depois fui jogar para o Pico da Pedra, onde conheci o actual treinador dos seniores do Grupo Desportivo Casa do Povo do Livramento de futsal, Pedro Ramos. Formamos um clube, juntamente com o Carlos Santos, que está a trabalhar no Grupo Escola de Vila Franca. Nesta altura conseguimos reunir um grupo de jogadores talentosos como o Carlos Arraial, mais conhecido por Minhoca, o Heldinha, o Carlos Varão, o Biscaia entre outros e formamos o Clube de São Vicente Ferreira, que era mais conhecido por Karamba. Treinávamos em cimento, no campo da polícia que fica perto do Parque Atlântico. Foi assim que comecei o meu percurso no futsal e, também, jogava o torneio dos SMAS que se jogava nos Arrifes.
Nesta primeira época de futsal, enquanto jogador, tive o azar de fracturar o perónio no fim da pré-época e só voltei a jogar nos playoffs. Passei também pelo Capelense, Operário B, onde fui treinado pelo mister Zequinha e nos foi impossibilitada a subida apesar de termos sido campeões de São Miguel. Fui também chamado à equipa principal do Operário e tive a felicidade de me ter estreado na primeira divisão nacional.
Quando recebi uma proposta para ir jogar para a Norte Crescente é que se dá a paixão pelo treino. A formação da Norte Crescente era muito conhecida e na minha última época, acabado de fazer 33 anos, e depois de ganhar a série Açores de futsal, começo a tirar o curso de treinador.
Posso dizer que gosto mais de ser treinador do que gostei de ser jogador. Treinei os iniciados e os juvenis na Norte Crescente. Dei depois o salto para a Série Açores para treinar o Santa Clara. Infelizmente este percurso não corre bem e depois vou para um dos clubes do meu coração, o GDCP Livramento, onde fico durante três épocas. Na última época conseguimos a subida à série Açores, e saio ficando uma época para treinar. De seguida aceito o convite para reabrir os seniores do Atalhada e fomos campeões nessa época. Após voltar a ser campeão de São Miguel, saio e fico nos regionais para assumir a equipa de seniores do Santa Clara. Depois de ser campeão pelo Santa Clara, fiquei mais um ano e estreei-me a treinar na série Açores de futsal no ano passado. Este ano, aceitei o projecto do Remédios Sport Clube dos Açores com muito gosto e com muitas ambições.

Sai de um clube estabelecido para um clube em crescimento. Que diferenças existem entre o Santa Clara e o Remédios SCA?
Na minha opinião o Santa Clara não está estabelecido. É um emblema gigante, o maior dos Açores, mas é um clube que tem futebol de 11 na primeira divisão. E aí encontram-se muitas dificuldades para as modalidades. Se for um clube que só tenha futsal, é muito mais fácil construir-se algo do que num clube que tenha futebol 11.
As modalidades, num clube que tenha futebol de 11, vão ser sempre o parente pobre do clube quer se queira, quer não.
Tive muito boas condições no Santa Clara. Já tinham o pavilhão novo, é um clube que me deu grandes condições e que está estabelecido financeiramente. Não posso apontar nada ao clube, mas ainda faltam muitos recursos humanos ao Santa Clara, algo que não acontece nos clubes de freguesias.
A grande diferença entre o Santa Clara e os Remédios é que, no futsal actual, os Remédios são maiores do que o Santa Clara. E digo isto porque o futebol de 11 ainda é a maior modalidade praticada com os pés. Então, no futsal, em minha opinião, o Remédios é maior que o Santa Clara. Por este motivo, a minha ambição foi a de não assinar pelo Santa Clara e assumir o comando do Remédios.

Quais são as expectativas para a próxima época?
Quando me reuni com a direcção, perguntei o que desejavam. A ambição é simples: o clube tem o desejo de vencer a série Açores de futsal.
Depois de expressarem o seu desejo, disse-lhes que ninguém poderia ser campeão com armas de papel. Até hoje não tinham dado condições para que os treinadores pudessem ser campeões no passado.
O plantel está junto há algumas épocas, são miúdos que têm formação de futsal, mas eram em número reduzido e não chegavam para ser campeões. Para se dar qualidade ao treino e para o treinador poder ter mais opções no fim-de-semana eram precisos mais jogadores.
Queremos lutar pela série Açores, depois se vamos ou não ser campeões, vamos ver uma vez que nem tudo depende de nós. No que depender de nós estamos muito mais preparados para poder cumprir os objectivos.

Este ano o plantel sofreu uma pequena revolução. Como tem sido a integração dos novos elementos a um conjunto que tem elementos que já vêm de há três épocas?
A integração foi muito fácil. Os jogadores que escolhi para aumentar a qualidade ou para manter a qualidade que o plantel já possuía, têm uma personalidade muito similar com as dos que transitaram do ano passado.
Adicionamos mais um atleta, às posições que já existiam, com a mesma qualidade e com o mesmo feitio. Assim os jogadores que são novos este ano encaixam perfeitamente nos jogadores que já estavam no plantel e estes aceitaram bem os novos elementos. Os que estavam viram que os que chegaram vieram para aumentar a qualidade e ficamos com um plantel com mais opções.

Se tivesse de enumerar as valências e os defeitos do jogador açoriano, quais seriam?
Vamos falar sempre no cliché que é a mentalidade. Quando era atleta não me encaixava nesse cliché e dizia que quem viesse teria de trabalhar mais e melhor do que eu para me tirar o lugar. Aplico e procuro a mesma coisa nos meus atletas.
Acho que esse assunto da mentalidade vem quando não se tem líderes. Se o grupo tiver um bom treinador e um bom capitão, que sejam lideres, os outros todos vão atrás. Depois é uma questão de formação.
É um cliché dizer-se que é a mentalidade. A grande maioria das pessoas nasce com as mesmas condições físicas e intelectuais. Depois o que fazem com essas condições é a diferença. E é algo que tem de ser incutido desde a formação. Podem dizer que a mentalidade do jogador açoriano é diferente, mas não acredito que seja apenas isso. É mais uma questão de trabalho, de se incutir e de se educar. Qualidade existe em todo o lado, agora é uma questão que tem a ver com a nossa educação. E posso dar o meu exemplo: tenho filhos e eu incentivo-os mais na parte de trabalharem, de treinarem mais.

Vai haver interligação entre a equipe sénior e os escalões de formação?
Nem podia ser de outra forma. Quando aceitei o convite, uma das poucas exigências que fiz foi a de ser coordenador da formação.
Este ano criamos também uma equipa B de seniores, porque o Remédios tinha muitos miúdos que foram formados no clube e em clubes das redondezas e que tinham poucos minutos. Como acrescentamos mais qualidade ao plantel, esses minutos ainda iriam ser mais escassos este ano. São miúdos que têm de andar a jogar no campeonato de São Miguel para ganhar experiência. Da equipa B, temos 15 elementos que são naturais de entre as Capelas e o Pilar da Bretanha, ou seja, o clube não tem custos de transporte com estes elementos. Esta equipa tem como objectivo melhorar a formação destes atletas, uma vez que ainda estão longe de ser um produto acabado, e dar-lhes oportunidade de jogar no clube da sua freguesia.
Também houve um investimento na equipa técnica dos juniores e mesmo a nível dos jogadores. Os treinos das equipas A e B não são nos mesmos dias para alguns jogadores da B poderem ir treinar com a equipa A. E depois também, se algum jogador da equipa A não puder treinar, pode sempre ter espaço na B.
A equipa de juniores não treina nos mesmos dias que a equipa B, para poderem subir e treinar, com alguma regularidade, com os seniores B. Vamos ter sempre, pelo menos, três miúdos que vão subir um escalão, algo que acontece também na formação, de modo a poderem maturar mais rápido.

Como é que se pode combater a falta de competitividade que existe no princípio de cada época?
Na preparação da pré-época, tomei a decisão de não se jogar com clubes do campeonato de ilha, nem mesmo de se fazer jogos com a equipa B do Remédios. Vamos realizar o Bretanha Futsal Cup, que se irá realizar no fim-de-semana de 20 a 22 de Setembro, e convidamos a Atalhada e o Livramento para jogar contra a nossa equipa A. São equipas que vamos defrontar na série Açores e quero fazer o meu período preparatório com essas equipas, e vamos fazer esse período com equipas desse nível.
Na preparação da equipa B acontece o mesmo. Não me convém fazer preparação com uma equipa cujo nível está abaixo do nosso e sentir que perdi tempo de treino e não ganhei tempo de jogo. São equipas com características que não vamos apanhar na série Açores.
Quando um treinador fizer a pré-época, tem que se preparar para a realidade onde vai estar inserido. O conselho que dou sempre é não terem medo do que é a pré-época. Prefiro jogar com equipas que me possam criar dificuldades para depois poder corrigir.
A nível da formação o que me preocupa mais é ver os clubes mais focados nos resultados. Nós, no Remédios, também queremos ganhar mas a nossa preocupação é com a formação dos jogadores. Não fazia sentido ser de outra maneira, especialmente tendo em conta o projecto da equipa A e a criação da equipa B.
Quanto à competitividade, a Associação de Futebol de Ponta Delgada deveria fazer algo mais. Este ano teremos seis ou sete equipas apenas no campeonato de São Miguel. Isto é um problema. Foram muitos clubes que fecharam de um ano para o outro. Só se aumenta a competitividade aumentando o número de clubes e actualmente assistimos ao inverso.

Que alterações foram feitas ao Bretanha Futsal Cup?
Antes o formato era apenas para os seniores. E o Remédios não é só os seniores. Invertemos a pirâmide. A equipa B vai disputar dois jogos com equipas do seu campeonato e a A com duas equipas da série Açores. Os escalões de formação terão também dois jogos com equipas do seu escalão.
Há muita dificuldade em fazer jogos de pré-época, jogamos quase sempre contra os mesmos, então optamos por incluir todos e não fazia sentido não termos todos os escalões. Vai ser a apresentação de todos os escalões aos pais e sócios do clube, o que para nós é muito importante.

O Remédios SCA sofre de falta de atletas nos escalões de formação?
O Remédios tem a sorte de na Costa Norte não haver mais nenhum clube de futsal e só tem o Santo António como clube de futebol de 11. Não temos problemas de falta de atletas. Agora estamos a falar de um raio de acção muito grande. O maior problema é fazer o transporte desses miúdos.
Temos alguns pais que nos ajudam a fazer o transporte dos miúdos nos escalões de formação. Essa ajuda é muito importante para nós. Os jogadores dos seniores têm o seu próprio transporte. A nível de material, damos todo o material para que nada falte aos nossos atletas dos escalões de formação.
Também temos a ajuda de algumas juntas de freguesia, que nos faculta carrinhas. O próximo passo do clube é adquirir a sua própria carrinha.

Gostaria de deixar alguma mensagem?
A minha mensagem é mais direccionada para a formação. O que custa mais é vermos clubes onde os seniores têm todas as condições e depois não há condições na formação.
A quem anda no desporto e nas modalidades: antes de olharem para os seniores, dêem condições para os miúdos treinarem. Dêem mais horas de treino para que possam evoluir. A pirâmide não é de cima para baixo mas sim de baixo para cima. Agora começam a aparecer atletas cuja formação é toda de futsal, algo que não acontecia no meu tempo. Dediquem-se mais a dar condições aos atletas de formação.

Frederico Figueiredo
Edit Template
Notícias Recentes
Detida na Ribeira Grande uma pessoa suspeita docrime de violência doméstica contra a sua avó de 74 anos
Duarte Freitas afasta passivo de 700 milhões de euros na SATA e PS/Açores propõe três soluções para o futuro do grupo
Dono da food truck ‘Já Marchava’,na Ribeira Grande, participou nesta edição do MasterChef Portugal
Faleceu Domingo ao final da tarde, na sua casa,o empresário Joaquim Dinis Neves
Desembarque de passageiros recua na maioria das ilhas em Novembro
Notícia Anterior
Proxima Notícia
Copyright 2023 Correio dos Açores