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O Operário e o custo da insularidade

Não foi a primeira vez que a equipa de futebol do Operário e outras equipas açorianas das modalidades colectivas e individuais chegaram aos campos com poucas horas de descanso, essencialmente devido a atrasos dos voos.
Os jogadores do Operário entraram na manhã de domingo passado no campo do Abrantes e Benfica com cerca de 7 horas de descanso para jogarem a primeira eliminatória da Taça de Portugal. A vitória por 2-0, mesmo perante uma formação das provas da Associação de Futebol de Santarém, revela a qualidade, o empenho, a dedicação e a superação dos atletas.
As equipas que disputam os campeonatos nacionais obtêm verbas da Direcção Regional do Desporto (DRD) nas deslocações para os jogos da Taça de Portugal. As que estão nas competições regional e de ilha não recebem. Nem antes nem agora. Uma discriminação que as Associações e os clubes não podem continuar em silêncio.
O Operário, que apresentou um custo previsto para esta época na ordem dos 215 mil euros, receberá 73 520€: 34 840€ para as viagens e 33 600€ para os chamados apoios complementares (transferes, dormidas e alimentação). Para a primeira eliminatória da Taça o valor concedido foi de 5 080€ (2 680€ para as viagens e 2 400€ para os apoios). Haverá um aditamento ao contrato com a DRD para a deslocação a Guimarães, dentro de uma semana, a fim de defrontar o Brito SC, jogo da segunda eliminatória da Taça.
Face à verba concedida, pergunta-se: porque a equipa do Operário viajou no voo da Ryanair de sábado, à noite, que num inabitual atraso (devido à ocupação do aeroporto de Lisboa) aterrou pela 1 hora de domingo? Seguiu-se a viagem até Abrantes. Disse-o o treinador Bruno Vieira (na foto) que chegaram ao hotel às 4 horas, sendo o jogo às 11 horas.
A resposta é simples. As verbas concedidas através dos contratos programa não são entregues no imediato. No caso do Operário prevê-se que entre na sua conta bancária 43 520€ até final de Dezembro e os restantes 30 mil até Julho de 2025.
Sendo este o cenário, a direcção do clube da cidade da Lagoa, como as outras, terão de recorrer a verbas dos próprios directores, de empréstimos, de divida às agências de viagens, que vão compreendendo as dificuldades e aguentam. Dificuldades que são maiores nos inícios das épocas com as inscrições, as aquisições de equipamentos e de outro material necessário. Sendo a boa gestão a prioridade, têm de procurar os menores custos para poderem cumprir com o planeado. Por vezes surgem os imponderáveis como o “apanhado” pelo Operário.
Mudar o sistema de pagamento por parte da entidade oficial é praticamente impossível.
Novas situações como a passada pela caravana do Operário vão repetir-se. É o custo da insularidade, também vivido pela equipa com o adiamento dos dois primeiros jogos do Campeonato de Portugal por dificuldades com os lugares nos voos de e para Ponta Delgada.

FRANCIS OBIKWELU voltou à ilha de São Miguel. O atleta nigeriano, naturalizado português em Outubro de 2001, campeão da Europa e medalhado nos Jogos Olímpicos e nos mundiais nas corridas de 100 metros, veio a convite da Associação de Atletismo de São Miguel para colaborar na primeira edição do “running day”, projecto que permite dar a conhecer às crianças as várias disciplinas do atletismo através de actividades lúdicas.
A direcção associativa, desde há alguns meses presidida por André Garcia, procura captar atletas para a modalidade, esperando que prossigam para além do escalão de iniciados. Nas provas de estrada e de corta mato dos últimos anos, o número de juvenis, de juniores e de seniores, de ambos os géneros, é muito diminuto em comparação com os veteranos. Os escalões com atletas possuidores de mais de 35 anos de idade, até aos mais de 60 anos, surgem nas provas sempre com 50 ou mais corredores.
Nos contactos com as cerca de 400 crianças da área de Ponta Delgada, Obikwelu investiu e insistiu nos efeitos negativos, quer físicos quer psicológicos e a ausência da prática desportiva com o uso persistente dos aparelhos tecnológicos, especialmente os telemóveis.
Em 2019, o antigo atleta de alta competição visitou a ilha de São Miguel. Na Escola Secundária das Laranjeiras teve uma acção com os alunos. Já naquela altura alertou do perigo para a saúde pelo excessivo manuseamento dos aparelhos digitais.
Pela importância e por se manter actual, recordo o que transmitiu Francis Obikwelu: “os jovens só querem saber de tablets e de tecnologias. E isso é triste. Eles não têm capacidade de trabalho. Não há motivação. Pensam que só com o talento chegam lá. Mas estão enganados. Eles agora têm tudo o que eu não tinha na idade deles. Até pista coberta para treinar eles têm. Eu treinava ao frio, lá fora. Agora querem é saber dos sapatos novos que levam para os treinos, tudo detalhes sem sentido. Se um atleta está em grande forma, os sapatos não fazem diferença. São tretas. Ah, e também estão sempre cansados. E isto é um problema grave, a sério. Os jovens não trabalham. Um atleta não se queixa ao treinador. Antes de o treinador lhe pedir, ele tenta sozinho. O treino está a começar e eles estão agarrados aos tablets, aos telemóveis, a mandar mensagens. Chegam tarde e o treinador chega cedo”.
A grande verdade que não se alterou para a maioria dos jovens. Não só no atletismo. É transversal a todas as modalidades. Nos Açores a percentagem de praticantes federados a partir dos 18 anos de idade, na época de 2022/23 e no ano civil de 2023, foi de apenas 25,68%. Dá que pensar. Tarda-se em agir. Cada vez há menos equipas a partir dos Sub-19, crescendo as de veteranos. Um problema. Sério. Muito sério. Não se admirem de as equipas concorrentes às provas regionais e nacionais recorrerem cada vez mais a jogadores de fora.

O PRESIDENTE DO GOVERNO REGIONAL marcou presença na inauguração da Escola Básica e Integrada dos Arrifes, depois da requalificação e da construção.
Quando questionado pela presidente do Conselho Executivo, Isolina Medeiros, sobre a necessidade urgente de ser intervencionado o ginásio desportivo, José Manuel Bolieiro respondeu não ser uma prioridade face às necessidades existentes em todas as ilhas, prometendo que a requalificação será feita em “progresso”. Resta saber o significado e o espaço temporal do “progresso”. Que seja um progresso breve.
Reconheço a existência de outras prioridades, como de tapar os “buracões” que foram crescendo sem ninguém travá-los. Mas há verbas disponibilizadas pelo Governo que me deixam perplexo e não aguardam pelo progresso. Para não recuar muito no tempo, não posso admitir que sejam concedidos 232 mil euros a sete associações de pescadores e de armadores dos Açores (há muitas mais que já receberam a primeira tranche) para financiar as despesas de funcionamento administrativo. Caramba! Não são os sócios que têm aquela responsabilidade? Não são as receitas? Quantos trabalhadores estão em cada associação? Numa o valor é de 50 mil e em três ultrapassam os 40 mil.
O projecto de requalificação da escola não é da autoria deste Governo. Quem mandou e aceitou o projecto tem responsabilidade em não incluir o ginásio. É um exemplo de como olham para o desporto escolar e da comunidade. E logo nos Arrifes, que concentra um grande número de crianças, de jovens e de adultos com capacidades para praticarem as modalidades de andebol, de voleibol, de ténis de mesa e de judo.
Tenho o presidente do Governo como um homem de palavra. Prometeu-me que seria construído um pavilhão na cidade de Ponta Delgada para colmatar uma gritante falha. Está erguido. Está ao serviço dos alunos da escola da Mãe de Deus (espero que o façam diariamente) e das equipas para treinos e para algumas competições que o “Carlos Silveira” pode receber. O inadmissível erro da construção limitando a 60 os espectadores sentados, impede que decorram os principais acontecimentos, como os jogos internacionais e nacionais da equipa de basquetebol da equipa feminina do União Sportiva, que apenas vai ali treinando!
Sendo homem de honrar a palavra, estarei atento se o “progresso” para o ginásio dos Arrifes é a curto prazo.
José Silva

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