O Santa Clara defrontou o Benfica no pior momento. A má fase da equipa de Lisboa, culminada com a demissão do treinador Roger Smith, deu lugar a um fulgor totalmente renovado.
Primeiro com a entrada do novo treinador e com a chegada de mais jogadores com capacidades acima da média. Os atletas estavam feridos no orgulho. As inegáveis qualidades que ostentam vinham sendo colocadas em causa. No interregno do campeonato houve uma enorme injecção de moral e de confiança.
No jogo de estreia do treinador Bruno Lage a expectativa reinava e o entusiasmo da vasta massa adepta também, correspondida com a afluência de 60 mil espectadores, porque os restantes 145 deveriam ser afectos ao Santa Clara.
A agravar toda o ambiente desfavorável, o Santa Clara marcou aos 23 segundos, por Vinicius Júnior. Quando se poderia imaginar que um golo naquele início de jogo seria positivo, veio confirmar-se o contrário neste período da equipa do Benfica.
A águia ficou ferida e desatou a atacar por todo o lado. O Santa Clara teve de defender. E até fê-lo com consistência, eficácia e concentração, procurando mais algumas saídas com a bola para as costas dos defesas do Benfica.
Como não se marca falta?
Até que aos 27 minutos surgiu o golo do empate, apontado pelo internacional turco Akturkoglu. Porém, fica a nódoa da equipa de arbitragem, chefiada por Cláudio Pereira, por não ter assinalado uma falta de Oatamendi sobre Safira, merecedora de um cartão, que até poderia ser vermelho se atendermos à dura entrada sobre o calcanhar do avançado do Santa Clara, que ficou com a meia rasgada e com sangue na perna. Por muito menos já houve expulsões. O peso dos clubes tem muita influência na acção dos árbitros, sejam eles de maior ou de menor nomeada. São fortes com os fracos e fracos com os fortes.
Os protestos de Safira e do treinador Vasco Matos resultaram em punições com cartões amarelos. Para o jogador o “feitiço virou-se contra o feiticeiro”. Para o infractor…nada!
Se o livre tem sido assinalado, o golo do empate não surgiria daquela jogada, cujo prosseguimento e por ter passado por três jogadores do Santa Clara, já não possibilitou a intervenção do vídeo árbitro Rui Costa. Daí a validação do 1-1.
O 2-1 para o Benfica 7 minutos depois do empate, por Florentino Luís, com origem num pontapé de canto, oscilou a equipa açoriana.
Como era evidente, a equipa lisboeta, com um apoio incansável e penetrante dos adeptos, teve dois lances de grande perigo até ao intervalo, mas o maior foi protagonizado pelo irrequieto Gabriel Silva, que, a passe de Vinicius, rematou, de fora da área, ao poste da baliza do Benfica. Cheirou a 2-2!
O 3-1 surgido 2 minutos após o início da segunda parte, novamente de um pontapé de canto (dois dos cinco usufruídos pelo Benfica resultaram em golo), pelo defesa António Silva, de cabeça, definiu o jogo. A equipa do Santa Clara, que tem sido coriácea a tapar os caminhos para a sua baliza, claudicou no que tem demonstrado ser eficiente.
O 4-1, aos 13 minutos do segundo tempo, por Di Maria, aproveitando uma hesitação na saída do guarda redes Gabriel Batista, surgiu num momento em que a equipa de Ponta Delgada estava desligada do jogo.
Louve-se, contudo, a forma abnegada como lutou para não sair com uma goleada que seria desmoralizante para os jogadores.
Menor número de faltas
O Benfica rematou por 15 vezes, sendo 8 com a direcção da baliza, e dos 7 remates do Santa Clara, 2 foram enquadrados. A posse de bola foi favorável ao Benfica em 55%.
Realce-se o reduzido número de faltas cometidas pelos jogadores do Santa Clara. Apenas 7, contra 14 do Benfica. Os jogadores da equipa da ilha de São Miguel fizeram 20 faltas na partida com o Estoril, 19 com o FC Porto, 21 com o Casa Pia e 12 com o AVS.
Menos do que 7 faltas cometidas por jogadores do Santa Clara não aconteceram nos últimos 6 anos. O menor número até sábado foram 8. Na época passada, na 7.ª jornada da Segunda Liga, frente ao Académico de Viseu, em casa (2-0), a 6 de Outubro de 2023, e a 14 de Agosto de 2022, no jogo com o Boavista, no Bessa (derrota por 1-2 na 2.ª ronda), para a Primeira Liga.
Regresso do Bruno
Ao quinto jogo, Bruno Almeida foi convocado pelo treinador Vasco Matos. Sinal de que continua no plantel e sinal de que se houve algo de anormal está sanado e ultrapassado. O melhor marcador da equipa na Segunda Liga não entrou em jogo, mas a colaboração efectiva está próxima.
Quem foi convocado também pela primeira vez foi o defesa Guilherme Ramos, o último reforço vindo dos alemães do Hamburgo. Entrou para render na defesa o jovem Alysson Silva, que foi titular nos dois primeiros jogos, mas acabou por ser emprestado, regressando ao FC Alverca. Na manhã de domingo foi titular na equipa ribatejana, que no Funchal bateu, por 2-1, o Marítimo da Madeira, em jogo da Segunda Liga.
Matheus Julião chega
Na recta final do período de inscrições, a SAD do Santa Clara assegurou a contratação, até Junho de 2025, do lateral esquerdo Matheus Julião, noticia a imprensa brasileira.
O jogador, de 21 anos de idade e com 1,78 metro de altura, esteve ligado ao Vasco da Gama durante 9 anos, mas preferiu sair para o Santa Clara a título definitivo.
O Santa Clara fica com 70% do passe de Matheus Julião, sendo 30% do clube do Rio de Janeiro e 10% do jogador. Há uma cláusula que permite a extensão do vínculo por mais de um ano desde que cumpra metas pré estabelecidas.
A negociação foi conduzida pelo empresário André Cury, da Link Sports, empresa que representa muitos dos jogadores que actuam em Espanha, Inglaterra, Itália, Estados Unidos e Japão.
O lateral esquerdo foi promovido à primeira equipa do Vasco da Gama em 2023. Realizou três partidas oficiais no campeonato brasileiro. Conquistou o Campeonato Carioca Sub-20 (2020 e 2023) e Recopa Carioca Sub 20 (2023).
