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“Campos de Aviação de Santana e de Santa Maria devem ser sempre analisados, a par das Lajes, como um triângulo único de relevância internacional”

Na opinião do investigador, “a construção da Base Aérea de Santa Maria desempenhou um papel fulcral nas relações luso-americanas, principalmente no pós-guerra, quando foi necessário fazer retornar aos Estados Unidos uma massa imensa de homens e aeronaves dos teatros europeu e norte-africano.” Pedro Ventura considera que os aeroportos das Lajes, Santa Maria e Santana constituem uma trilogia com uma dimensão importante.

Correio dos Açores – O que descreve no seu livro ‘Santa Maria: a construção de uma Base Aérea secreta nos Açores durante a 2.ª Guerra Mundial’? Qual a História que narra no livro
Pedro Gonçalves Ventura – Embora ainda muito exista por estudar no que se refere ao desenvolvimento aeronáutico verificado nas ilhas, a verdade é que as estruturas aeronáuticas do Grupo Oriental nunca alcançaram a mesma profundidade de estudo e investigação que a conduzida em relação às Lajes.
Tal facto não poderá, em algum momento, diminuir a relevância tanto nacional como internacional dos Campos de Aviação de Santana e de Santa Maria pois estes devem ser sempre analisados, a par das Lajes, como um triângulo único, e que apenas existiu como consequência das condições muito particulares vividas pelos homens e pelas máquinas do seu tempo e do seu espaço. No caso mariense, a construção da Base Aérea de Santa Maria desempenhou um papel fulcral nas relações luso-americanas, principalmente no pós-guerra, quando foi necessário fazer retornar aos Estados Unidos uma massa imensa de homens e aeronaves dos teatros europeu e norte-africano.
Em resumo, esta obra procura trazer ao conhecimento público todo o processo negocial que envolveu a construção da Base de Santa Maria, expondo alguma da confidencialidade que esteve por trás da sua edificação, acompanhando depois a narrativa da relevância desta infraestrutura até 1946.

Os Açores e o Atlântico tiveram no passado e têm grande importância estratégica dentro do contexto da História Contemporânea Ocidental. Em sua opinião, essa importância é devidamente transmitida ou faltam os meios para divulgar este conhecimento?
A importância dos Açores no período em questão é inquestionável e isso tem sido afirmado, ao longo das décadas, por toda a comunidade historiográfica. Neste sentido, tem-se assistido a um reforço, na Região, do apoio ao estudo e análise dos múltiplos vectores que contribuem para a afirmação da relevância dos Açores no século XX podendo citar-se, entre outros, o apoio a estudos e publicações nesta temática, a promoção de seminários e palestras diversas ou, no caso terceirense, à criação do Centro de Interpretação da Base das Lajes.

A Base Área de Santa Maria carece de trabalho de investigação na área da História em outras dimensões? Se sim, em que moldes esse trabalho seria mais necessário?
Todos os assuntos impactantes para com uma determinada comunidade merecem ser estudados, no seu espaço e no seu tempo, da forma mais interdisciplinar possível. No domínio mariense, o impacto da construção da Base Aérea de Santa Maria nas dinâmicas sociais, económicas, culturais e mentais deverá ser continuadamente estudado no campo da História Local e Regional, olhando o seu impacto estruturante (e não raras vezes fraturante) numa multiplicidade de vetores complementares.

De que forma a museologia teria importância para essa preservação histórica da ilha de Santa Maria?
A importância é, neste como noutros domínios, de extrema relevância. Pelo que julgo saber, existe interesse histórico e museológico em musealizar a Antiga Torre de Controlo do Aeroporto, a qual poderia funcionar como pólo do Museu de Santa Maria. Outro apontamento de relevo seria a preservação dos Quosen Hut enquanto marco de um período de relevo na recente história mariense. A classificação do Lugar do Aeroporto enquanto bem imóvel de interesse público foi, creio, um importante passo neste sentido, preservando-se este Museu a céu aberto.

Quando fala que os Campos de Aviação de Santana e de Santa Maria não podem ser desvalorizados, e depois menciona que estes devem ser analisados a par da Lajes, o que pretende dizer concretamente?
Para que, de forma plena, se possa estudar o advento aeronáutico açoriano no decorrer da Segunda Guerra Mundial importa, desde logo, compreender que a aviação não se confinou, neste período e nesta Região, à Terceira. Embora distintas em quase tudo, Santana e Santa Maria tem algo que, infelizmente, as une, que é o facto de terem iniciado uma rota de declínio no pós-segunda guerra mundial (pese embora a relevância que Santa Maria ainda assim deteve no apoio à aviação civil transatlântica).
Todavia, julgo que será redutor procurar estudar a relevância política, militar, diplomática ou económico-social nesta fase olhando apenas para uma latitude, descurando os restantes dois vértices deste triângulo insular, os quais devem ser analisados de forma integrada e complementar.

De que forma homenageia a história e a importância da ilha de Santa Maria no contexto dos Açores?
Orgulho-me, enquanto historiador e enquanto residente nos Açores, de trazer à estampa mais este contributo, com o qual penso que poderemos saber um pouco mais acerca do nosso passado recente enquanto povo. António José Telo afirmava que “em 1941 os responsáveis portugueses apercebem-se de que os Açores têm uma importância muito superior ao que pensavam”. Pois é esta importância que, agora, pretendemos afirmar e defender.

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O livro surge no âmbito das investigações conduzidas por Pedro Gonçalves Ventura no âmbito do Doutoramento em História do Atlântico, conduzido pela Universidade dos Açores, intitulado ‘Os Açores na encruzilhada da Segunda Guerra Mundial: das operações militares aliadas de conquista das ilhas ao desenvolvimento do Poder Aéreo no Arquipélago – 1940-1946’, e procura prestar a justa e merecida homenagem à relevância que Santa Maria deteve, tanto nacional como internacionalmente, no domínio da aviação.
A apresentação do livro é um evento organizado pelo Município de Vila do Porto e pela Associação LPAZ, com o apoio do Clube Asas do Atlântico, numa sessão aberta ao público em geral, que contará com a presença do autor.

José Henrique Andrade
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