Os clubes da ilha de São Miguel vão ter de requisitar Assistentes de Recintos Desportivos (ARD) para que as provas sob a égide da Associação de Futebol de Ponta Delgada (AFPD) possam decorrer sem mais interrupções.
Esta a saída encontrada da muito participada reunião da noite de terça-feira, que envolveu a direcção associativa, dirigentes dos clubes e árbitros.
A diminuição e a impossibilidade de os agentes da Policia de Segurança Pública (PSP), inseridos na bolsa de voluntários para eventos remunerados, em marcarem presença nos 30/33 jogos semanais que são sujeitos a policiamento, foi a causa para a reunião de emergência.
A AFPD foi confrontada com a informação do comando da PSP de que a partir do último sábado só tinha agentes disponíveis para jogos de futebol dos escalões sénior e júnior.
Com prazos para cumprir nos apuramentos dos campeões da ilha, regional e presença nas fases nacionais de juvenis e de iniciados no início da Janeiro, o órgão directivo associativo teve de adiar a 6.ª jornada do campeonato de juvenis e de fazer disputar, com a presença da PSP, dois jogos do campeonato de iniciados que definiriam a qualificação ou não das equipas para a fase de apuramento do campeão.
Como só faltava uma jornada para a conclusão da primeira fase, disputada num só volta e devido à falta de datas, foi decidido dar por encerrada a fase, começando no sábado os jogos das Ligas de Ouro (de apuramento do primeiro ao sexto lugares) e de Prata (do sétimo ao 13.º lugares) da categoria de sub 15 (iniciados).
Os jogos iniciais das Taças de Honra de futsal de seniores, de juniores e de juvenis foram também cancelados, sendo realizadas as partidas de iniciados, infantis e benjamins que não requerem policiamento através da PSP.
Mais de 2 mil Euros
O recurso a ARDs vai onerar a cada clube e a AFPD nas organizações dos jogos dos vários escalões etários.
A estimativa da AFPD por jornada das provas locais, com a realização de 33 encontros das categorias de futebol e de futsal com segurança obrigatória, sai dos 1 203€ para os 3 532,20€. A diferença de 2 329,20€ foi proposta ser paga metade pela AFPD e os outros 50% pelos clubes.
Um encargo inesperado para as contas da AFPD que suportará cerca de 400€ semanais, recaindo nos clubes um valor próximo dos 12,5€.
O policiamento dos jogos é custeado pelo Ministério da Administração Interna (MAI) em percentagens separadas. Um jogo de iniciados é comparticipado em 90% e um de seniores em 50%.
Os clubes de futebol pagam 13€ por agente com a intervenção do Governo num jogo de iniciados. Com os ARDs requisitados a empresas privadas de segurança, o valor sobe para 104.40€. Em seniores o montante passa dos 85€ para os 156€.
No futsal, o custo dos clubes em jogos de juvenis é de 14€. Sem a contribuição do MAI o valor é de 87€, despesa idêntica para um jogo de seniores. Os clubes pagam 75€ por agente em seniores quando há ajuda do Estado.
Mais ADR,s
Os Assistentes de Recintos Desportivos têm formação especifica. Há regras nas funções que desempenham. Em caso de incidentes que não possam controlar têm de solicitar a presença da Policia. O número de elementos varia consoante o jogo.
Um dos problemas que a curto prazo possa acontecer prende-se com o número de ARDs existentes na ilha de São Miguel, principalmente quando a equipa do Santa Clara jogar como visitada. O número de elementos no estádio é alargado, subindo em função da equipa adversária cativar mais espectadores.
Para além dos ARDs, em cada jogo mantém-se a obrigatoriedade de haver um Gestor de Segurança e um Ponto de Contacto com a Segurança (PCS).
Uma transformação inesperada e que vai complicar a vida das Associações (noutras regiões do país há o mesmo problema) e dos clubes.
