As festas em Honra de Nossa Senhora do Rosário, que têm o seu ponto mais alto amanhã com missa, sermão e procissão em redor da praça em frente da Igreja, coloca os holofotes numa das freguesias que mais tem crescido na ilha de São Miguel e onde mais tem desenvolvido o tecido empresarial da ilha. Também por isso, é uma freguesia com problemas de crescimentos não só económicos como também ao nível da educação e da sociedade. Temas que abordamos numa entrevista com a Presidente da Câmara de Lagoa, Cristina Calisto.
Correio dos Açores – As festas da Paróquia do Rosário são as últimas do concelho. Em que dimensão tem crescido o Rosário desde que a Lagoa é cidade?
Cristina Calisto (Presidente da Câmara Municipal de Lagoa) – Desde que a Lagoa é cidade, sem dúvida que a freguesia de Nossa Senhora do Rosário cresceu e se desenvolveu e posso dizer que para Sul e para Norte, por motivos diferenciados. A Sul, junto ao mar a atractividade cresceu com o passeio marítimo da cidade a valorizar toda a orla costeira, que veio modernizar e reabilitar um conjunto de habitações que estavam degradadas. A Norte com a zona do Tecnoparque que proporcionou um conjunto de investimentos que vieram valorizar e muito o concelho, diversificando o tecido empresarial, gerando riqueza e também trazendo muitas pessoas para a Lagoa, as quais aqui fixaram a sua residência.
Para além disso, a freguesia de Nossa Senhora do Rosário é, efectivamente, o centro da cidade, onde se encontram sedeados os principais serviços de comércio e alguma indústria, a que se juntam as belíssimas zonas de lazer, como são exemplo o Complexo Municipal de Piscinas, o Porto dos Carneiros e o Passeio Marítimo da Cidade, que já referi.
A curto prazo, está previsto avançarmos com o prolongamento do Passeio Marítimo da Lagoa e com o melhoramento das acessibilidades que são investimentos que consideramos estruturantes para o desenvolvimento da freguesia e da cidade.
Com o aumento do Turismo tem crescido, o número de empresas de serviços no Rosário da Lagoa, nomeadamente a restauração. Em que dimensão?
Como mencionou, o Turismo é uma realidade que tem vindo a crescer e, nesse âmbito, a freguesia de Nossa Senhora do Rosário é bastante atractiva pela quantidade de restaurantes que dispõe, sendo muito procurada por turistas, que procuram uma diversificada e boa gastronomia. Relativamente à sua dimensão, posso afirmar que tem sido uma mais-valia para o desenvolvimento económico da freguesia e a verdade é que, nos últimos tempos, tivemos a abertura de novos três espaços de restauração.
O Rosário é também uma das freguesias dos Açores, onde mais se tem inovado em termos de novas tecnologias, nomeadamente com o aparecimento de várias empresas no Nonagon. Que perspectiva traça do crescimento deste sector?
Ao nível das empresas de base tecnológica, o Nonagon tem sido uma mais-valia para o reforço da economia local, elevando o nível tecnológico dos serviços e promovendo a diversificação para novos sectores e para a fixação de empresas e pessoas.
Para o futuro, as perspectivas passam por continuar a impulsionar o crescimento dessas empresas e fortalecer o status económico onde estas se encontram sedeadas, através da captação de empresas conceituadas e de profissionais qualificados, que contribuem para a criação de emprego e para a riqueza das comunidades onde estão implantados. É expectável, por parte do Município, que seja disponibilizado em breve o 2.º edifício do Nonagon e que sejam desencadeados, o mais célere possível, os procedimentos para a captação de investimento para os restantes edifícios.
Até ao final do ano espero ter novos projectos a anunciar para a zona do Tecnoparque, os quais serão marcantes para o concelho e para a ilha de São Miguel, encerrando-se assim a 1.ª fase de investimentos no Tecnoparque.
Foi no Rosário que esteve a laborar a fábrica do álcool, cujas instalações hoje estão em elevado estado de degradação. Está satisfeita com a solução que se pretende para aquele espaço?
Uma vez que se refere a este tema, julgo ser importante relembrar as acções que o Município já realizou relativamente a este imóvel.
Classificámos elementos da fábrica do álcool, realizámos um estudo que entregámos ao Governo Regional, dando indicação do potencial daquele espaço e da possibilidade da sua utilização e disponibilizámo-nos para a sua reabilitação, na contrapartida da cedência gratuita do imóvel, à semelhança do que sucedeu com o Convento dos Franciscanos.
Para além disso, a antiga fábrica do Álcool encontra-se na zona de reabilitação urbana da cidade de Lagoa, possibilitando novas oportunidades para a sua recuperação com benefícios fiscais.
No passado dia 3 de Julho tive uma reunião com o senhor Secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Dr. Duarte Freitas, onde lhe entreguei um dossiê com todos os assuntos de interesse relacionados com a Fábrica do Álcool, desde a planta de localização, a correspondência trocada com o Governo Regional e a delimitação das áreas de reabilitação urbana da zona da Fábrica do Álcool, para que, quem venha a investir nesta zona, possa ter benefícios fiscais. Também consta do dossiê um projecto sobre uma possível ocupação do espaço da Fábrica do Álcool, bem como a classificação deste imóvel e outros aspectos relevantes.
Nesta mesma reunião manifestei também a necessidade de um interlocutor do Governo Regional para reunir com potenciais investidores que passem pela Câmara Municipal. Verifica-se ainda a necessidade de ser agilizado um caderno de encargos para a venda da Fábrica do Álcool, porque, ao longo do tempo, o Município tem recebido investidores interessados na sua aquisição, a maioria estrangeiros, sendo difícil de lhes explicar que essa fábrica tem de ser vendida através de uma hasta pública, não tendo eles conhecimento das condições desta mesma hasta pública.
Face ao exposto nessa reunião, ficou acordada a criação de um grupo de trabalho que integre elementos de várias Secretarias, da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Rosário e da Câmara Municipal da Lagoa, de modo a ser elaborado, com a maior brevidade possível, este caderno de encargos, com a informação concreta e necessária para quem venha a investir neste imóvel.
Até ao momento nada aconteceu. O espaço tem grande interesse e valor patrimonial e histórico, carrega um legado da história colectiva deste concelho, temos ideias para revitalizar o espaço, vamos recebendo investidores interessados e como não se tomam decisões políticas sobre o assunto nada acontece. Não encontro compreensão e explicação para a situação presente e para a inércia do Governo Regional em relação à fábrica do álcool.
O Rosário é uma freguesia que, como outras pelos Açores, tem problemas sociais e problemas de dependência de drogas. Qual a sua opinião sobre o caminho que se está a fazer para debelar estas chagas sociais?
Infelizmente o consumo e dependência de droga é uma das maiores preocupações da actualidade que atinge, não só a Lagoa, mas os vários concelhos da ilha de São Miguel.
No caso concreto da Lagoa, temos disponibilizado acompanhamento extraordinário com a ajuda de uma rede de parceiros sociais, para uma monitorização de medidas que assentam no apoio às componentes da saúde comportamentais, químicas e relacionadas com o alcoolismo e consumo de droga.
Da parte do Município da Lagoa, reforço a necessidade e importância de, conjuntamente com outras entidades, designadamente com o Governo Regional, que é quem dispõe de competência em matéria de saúde e inclusão social, trabalharmos em conjunto nas soluções, pois este não é um problema que se combata exclusivamente a nível concelhio, mas ao nível de ilha.
As festas em honra de Nossa Senhora do Rosário são um momento marcante na vida religiosa da freguesia, do concelho da Lagoa e até mesmo da ilha de São Miguel. Como olha estas festividades?
Olho para as Festas de Nossa Senhora do Rosário com enorme orgulho e respeito. Estas são festas que mobilizam a comunidade local, os emigrantes e pessoas oriundas de outros concelhos da ilha, que movidos pela fé e seguramente também pelas raízes religiosas e culturais, se deslocam ao Rosário da Lagoa para assistir a estas festas religiosas que são símbolo de uma tradição profundamente enraizada na comunidade local e que reflectem a devoção do povo do Rosário.
A imagem de Nossa Senhora do Rosário tem a particularidade de ser pesada e fazer apenas um pequeno circuito. Quer explicar?
A imagem é pesada e naturalmente impossível de ser transportada pelo longo percurso da procissão, mas até nisso encontro aspectos a valorizar. A saída da imagem em torno da Praça do Rosário é um marco que se transformou num momento tão particular e simbólico que reúne multidões em redor da igreja, caracterizando, de forma tão única, esta festividade. É sempre um momento em que as pessoas prestam homenagem com grande fé e devoção.
Tem algo mais de importante que queira relevar?
Relativamente às festas desejo que o tempo permita que a festa decorra com normalidade e que marque todos aqueles que por ali passam.
No que respeita à freguesia de Nossa Senhora do Rosário fica a expectativa de que o processo para construção da nova Escola Básica Integrada de Lagoa avance o mais rápido possível, uma vez que a Câmara Municipal teve conhecimento que foi lançado concurso em 21 de Agosto de 2023 para execução do projecto de requalificação da escola, com o prazo de execução de 180 dias. Estranhamente, e passado mais de um ano, a Câmara desconhece o estudo prévio, bem como o projecto em causa, pelo que, não compreende porque, até à data, ainda não foi lançado o concurso da empreitada.
Este é outro assunto de que não se conhece qualquer evolução.
João Paz
