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Martim Sousa Tavares apresenta ‘Falar Piano e Tocar Francês’ pelaprimeira vez em Ponta Delgada

O maestro Martim Sousa Tavares está em Ponta Delgada para apresentar o seu livro, ‘Falar Piano e Tocar Francês’, no Auditório Luís de Camões, onde também irá proferir uma palestra sobre a importância da beleza na arte e no quotidiano. Nesta entrevista, fala sobre a sua relação com os Açores e sobre este seu primeiro livro, onde, como afirma, “o que sobressai é sempre uma tentativa de valorizar a beleza enquanto valor fundamental para o nosso dia-a-dia, e que deve até, de certo modo, nortear a nossa vida.”

Correio dos Açores – Como recebeu o convite para vir aos Açores e qual a sua relação com a região?
Martim Sousa Tavares (maestro/ escritor) – Na verdade, o primeiro passo até foi dado por mim, ao entrar em contacto com a Letras Lavadas. Rapidamente percebemos que havia interesse mútuo na minha vinda para apresentar o livro. A este interesse juntou-se o Conservatório de Música de Ponta Delgada, que uniram esforços para materializar a minha vinda.

O seu primeiro livro, Falar Piano e Tocar Francês: Arte, Cultura e Humanismo na Era dos Memes, surge como um resultado orgânico da sua carreira ou foi fruto de uma experiência ou reflexão específica? O que o inspirou a escrevê-lo?
É um passo mais num caminho que venho trilhando onde se somam as experiências, mas a direcção é sempre a mesma. Já produzi centenas de programas em todos os formatos: rádio, podcast, televisão, televisão digital. Também já fiz incontáveis palestras, e sempre que entro em palco para dirigir, também faço a mediação com o público. Assim, o livro era claramente o formato que ainda me faltava. Comecei a escrever quando senti que já o tinha amadurecido na cabeça.

Quer explicar o título? Como é que “Arte, Cultura e Humanismo” são compatíveis com a “era dos memes”?
O título é uma brincadeira com a frase feita “tocar piano e falar francês”, que era a receita para uma educação cultural completa das meninas bem-nascidas dos séculos XIX e XX. Hoje em dia, considero absurdo que se possa pensar numa receita para uma educação cultural incompleta, uma vez que isso é extremamente redutor. Assim, preferi virar a frase do avesso. Quanto ao subtítulo, trata-se de uma frase que aparentemente coloca as coisas em antítese: arte, cultura e humanismo de um lado, e a era dos memes do outro. Como se fossem coisas incompatíveis, quando na verdade considero que não são, e tento prová-lo no livro.

Há algum tema do livro que quer destacar?
Acho que o que sobressai é sempre uma tentativa de valorizar a beleza enquanto valor fundamental para o nosso dia-a-dia, e que deve até, de certo modo, nortear a nossa vida.

O que podem esperar os interessados da palestra sobre a importância do belo nas suas diversas formas e significado?
Um caminho que irá percorrer alguns caminhos da beleza. Se já tiverem lido o livro, será complementar à leitura. Se ainda não tiverem lido, será um bom preâmbulo. Em todo o caso, considero que todos os presentes poderão sair a ganhar, porque este é um formato que preparei especificamente para este contexto.

Qual é a sua expectativa em relação ao público açoriano? Qual é a sua visão sobre “Arte, Cultura e Humanismo” e insularidade?
Tenho a mesma expectativa de quando faço apresentações do livro em Braga ou em Portimão, pois as pessoas têm a mesma matriz independentemente de onde vivem. Todos gostamos de ser surpreendidos com coisas belas, todos gostamos de uma história bem contada, e quando essas duas coisas se conjugam, é inevitável sentirmo-nos gratificados. É precisamente isso que tentarei fazer.
Quanto à insularidade, considero que não é preciso estar rodeado de mar para se viver numa ilha, tal como não é por isso que se devem cortar laços com o mundo. Estou muito habituado a actuar em lugares no interior do país que sofrem de muito maior insularidade e alheamento do que as mais pequenas ilhas dos Açores, onde sempre há turismo e portas abertas ao mundo. E, de resto, não foi uma coincidência que a candidatura açoriana a capital europeia da cultura 2027 tivesse sido finalista. Os Açores estão ligados ao mundo.

O que são para si os Açores?
Um lugar aonde quero sempre voltar, e que sinto que não conheço bem o suficiente. Uma das maiores frustrações profissionais que vivi foi, aquando da pandemia de 2020, ter tido um espectáculo cancelado e quatro vezes adiado. Era A Menina do Mar, originalmente proposto no âmbito do centenário de Sophia. O Teatro Micaelense agendou e protelou por quatro vezes a sua apresentação, mesmo quando a pandemia já tinha terminado. Chegou ao ponto em que sentimos que não estávamos a ser respeitados e deixou de fazer sentido para nós, artistas e companhia de teatro, acreditar que valia a pena.

Para além da sua actividade como maestro e escritor, é conhecido pela sua capacidade de comunicar sobre as artes em diferentes formatos. Considera que a mediação é essencial para uma democratização da cultura?
Absolutamente fundamental, e só posso saudar os artistas que a incorporam no seu modus operandi, pois é através dela que se estabelece um elo de comunicação fundamental que a música, por si só, não pode alcançar. Por outras palavras, as notas de uma sinfonia de Beethoven vão directas ao coração. Mas podem ser ajudadas se o maestro partilhar com o público algumas das razões pelas quais isso é assim. Não se trata de ensinar ou explicar, mas somente partilhar o entusiasmo.

Está a trabalhar numa nova obra ou em outros projectos artísticos que gostaria de partilhar?
De momento, tenho um espectáculo em fase final de preparação, que irá estrear em Dezembro no Teatro São Luiz, em Lisboa, e depois circular pelo país. Chama-se Speak Low, e sou autor do texto original e também dos arranjos musicais. A partir da semana que vem, também estarei de regresso à televisão, com um programa semanal na RTP que irei assinar e apresentar a meias com Hugo van der Ding. De resto, tenho muitos concertos, continuo a fazer podcasts e algumas deslocações para falar sobre o meu livro e sobre beleza.

Há alguma mensagem que quer transmitir aos leitores açorianos?
Conto convosco, e tragam o livro. Gosto de conhecer os meus leitores e perco o tempo que for necessário a escrever bonitas dedicatórias personalizadas a cada qual.
Será um encontro no verdadeiro sentido da palavra.
Daniela Canha

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