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Grande obra da Santa Casa da Misericórdia de Santo António no valor de 5 milhões de euros vai chegar a centenas de crianças deficientes

A Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa é a Misericórdia mais jovem dos Açores e é uma das mais importantes da Região. Uma instituição que acolhe pessoas do concelho e de todos os cantos da ilha de São Miguel. António Borges é Provedor da instituição desde 2020 e é um dos fundadores. Explica os projectos de futuro da Misericórdia de Santo António da Lagoa, a ampliação do Lar Residencial, a importância dos colaboradores e expressa o seu desejo de ter uma creche aberta 24 horas por dia.

Correio dos Açores – Como descreve a sua experiência como Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa?
António Borges (Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa) – Eu sou um dos fundadores da Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa, por isso acompanhei toda a evolução da nossa instituição. Esta experiência facilita-me imenso o trabalho porque eu acompanho todos os projectos. A nossa associação está sempre a acompanhar todas as necessidades da população e pretende dar um maior conforto a todos. Assumimos o papel, sabemos que temos de estar sempre atentos e conhecemos o caminho que temos de trilhar.

Como vê a evolução da instituição desde a sua fundação?
Eu estou totalmente satisfeito e todos estão igualmente satisfeitos. A Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa é a mais jovem dos Açores, nasceu há 23 anos e tem actualmente um papel muito importante.
A instituição começou como uma distribuição do Banco Alimentar e tinha dois centros de convívio. Desde então, a Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa tem vindo a crescer e acompanhar sempre as necessidades das pessoas.
A nossa instituição criou uma Casa de Acolhimento Residencial de Crianças e Jovens, um espaço que é muito importante para o nosso concelho, com capacidade para 10 jovens e tem a sua capacidade sempre esgotada.
Em 2006, foi inaugurado um Centro de Actividades de Tempos Livres (ATL), pois havia a necessidade de prestar apoio aos pais que iam trabalhar e não tinham um local para deixar os seus filhos. Neste momento, o espaço tem capacidade para 25 crianças, está totalmente cheio e tem uma lista de espera. A nossa maior satisfação é de ter uma lista de espera, visto que é um sinal de que somos úteis e que procuram pela nossa instituição.
Em 2008, apareceu a nossa maior infra-estrutura até ao momento: o Lar de Santo António. Este espaço foi inaugurado com equipamentos brilhantes e está a dar a sua resposta. Nós sabemos que a nossa capacidade é insuficiente para o concelho da Lagoa, mas tudo é assim. Cinco anos depois, no lar, apareceu a Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) que se juntou à Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI). Este lar tem enfermagem durante 24 horas e tem um médico que aparece três vezes por semana. Ou seja, o idoso sente-se confortável aqui.
Estou muito satisfeito com a nossa equipa, desde a equipa de enfermagem ao apoio ao idoso até aos auxiliares. Os colaboradores são aqueles que dão a imagem à casa e que têm todos os meus elogios, visto que nem todos nascem com a missão de cuidar de idosos. Por isso, a minha maior satisfação é de ter uma equipa fantástica e motivada. Nós queremos que o idoso se sinta bem, pois não é fácil um idoso totalmente consciente deixar a sua casa e os seus bens. Eu penso muito nisso. Há muitos idosos que deixem as suas casas de livre vontade, visto que compreendem ser a melhor escolha, enquanto há aqueles idosos que são obrigados a abandonar a casa porque os filhos – por mais força de vontade e amor que tenham aos pais – não os conseguem ajudar pois são obrigados a ir trabalhar e ter os seus encargos. A vida está construída de uma forma em que não podemos prescindir dos nossos vencimentos. Acho que este é um sinal muito importante, por exemplo, antigamente, quando a minha mãe era doméstica, os meus avós tinham o cuidado de ter os seus filhos em casa. Isto, hoje em dia, já não se opõe. Por isso, para o idoso que pensa bem, acaba por ser uma grande transformação na sua vida ter que deixar tudo para trás e vir para a instituição.
Nós estamos sempre a trabalhar para retardar a vinda para o lar, com o programa ‘Novos Idosos’. Este programa é maravilhoso, permitindo uma resposta social de proximidade para a população idosa e que possibilita aos idosos a ficar em casa o maior período possível. A instituição tem uma equipa com quatro técnicos no concelho que trabalha para o programa, sendo que cada um deles tem a seu cargo pelo menos 10 idosos. Estamos sempre atentos a tudo que é necessário para o idoso. Mesmo quando um idoso quer fazer a sua inscrição no lar e não tem vaga, somos os gestores dessa pessoa para que seja encaminhada para outro lar.
Para além disso, a Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa tem camas articuladas, cadeiras de rodas e tudo o que é necessário para ceder a todo o concelho. Por exemplo, a instituição leva o equipamento e a pessoa paga um valor simbólico – 10 euros por mês – por uma cama articulada em casa. Todo o idoso que necessita de algo, os nossos técnicos e a assistente social do lar comunicam logo. O nosso papel é de não ignorar tudo o que acontece a nível do idoso.
A nossa instituição também tem os centros de convívio a trabalhar diariamente, das 14h às 16h. A carrinha vai buscar os idosos a casa e leva-os para as actividades. Os ‘Novos Idosos’ também têm mensalmente pelo menos, uma actividade onde saem de casa para conviver com os outros idosos. O cuidador tem igualmente a responsabilidade de dar passeios com ele, fazer exercício físico e tudo aquilo que é necessário para o idoso se sentir útil e sair da cama. Esse papel tem articulação com todos juntos, em rede. A polícia também tenta acompanhar, com dois elementos sempre presentes nas actividades. Com o modelo de polícia de proximidade, o idoso sente-se confortável por ter o polícia junto de si. A relembrar que a Lagoa é um concelho com 15 mil pessoas, um número semelhante à ilha do Pico.
Estou aqui por gosto. Já fui Presidente de Junta, por isso tenho alguma ligação e serviço cívico. Estou com a minha equipa a trabalhar, mas eu costumo a dizer que os nossos colaboradores são os mais importantes para nós. Temos confiança neles e eles também podem na mesa administrativa. Estamos todos empenhados para contribuir. A nossa Santa Casa tem atenção a todas as valências.

A Santa Casa da Misericórdia está actualmente a ampliar as suas instalações. Em que dimensão?
Além dos projectos enumerados que estão a funcionar, nós temos outros projectos a sonhar. Temos de sonhar! Ainda esta semana dei o parecer ao Plano e Orçamento de 2025. Nós estamos a sonhar, mas o primeiro passo está dado, com a aquisição de um terreno a Norte do Lar de Santo António, onde era o antigo restaurante ‘Forno’, para criar um espaço próprio para a Unidade de Cuidados Continuados Integrados. Queremos fazer esta ampliação porque essa unidade está na ERPI por subtracção das vagas do ERPI. Ou seja, tivemos de diminuir o número de vagas de idosos no ERPI para criar a valência dos cuidados continuados. Com esta ampliação, fica tudo a funcionar no mesmo espaço – com a mesma cozinha, lavandaria – e com a criação de 20 camas. O terreno foi financiado pelo Governo Regional e agora temos de avançar com o projecto.
Em Julho de 2023, adquirimos um terreno para uma creche e um jardim-de-infância. A Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa sonha – e fica aqui o meu alerta – em ter uma creche 24 horas aberta. Isto faz sentido. No concelho da Lagoa, por exemplo, há familiares que trabalham à noite na área da restauração ou na saúde e não têm sítio para deixar os filhos. Um enfermeiro que faz turno à noite e chega a casa à 1h da manhã, tem que deixar o filho com alguém. O terreno tem 4.500 metros quadrados e tem uma casa que tem de ser adaptada. No Plano e Orçamento para 2025 há uma verba para este projecto, com um bom parque de estacionamento. Há muitas pessoas que nos procuram. Como é de conhecimento de todos, as creches estão sempre esgotadas e nunca dá para todos.
Está a decorrer agora a maior obra de São Miguel e talvez dos Açores, a nível da Direcção Regional da Solidariedade Social: o Centro de Actividades e Capacitação para a Inclusão (CACI). Esta obra é muito importante para nós, visto que sabemos que todas as crianças com um grau de deficiência têm que se deslocar para Ponta Delgada, Ribeira Grande ou Vila Franca do Campo. E não é fácil um pai ver o seu filho com algumas dificuldades a deslocar-se para fora do concelho, os pais querem ver os seus filhos próximos para lhes dar conforto.
O projecto que sempre sonhamos vai ser implementado numa quinta da nossa propriedade, com 24 mil metros quadrados, um local onde os utentes vão poder beneficiar desta quinta. Esta obra está a decorrer através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), vai atingir no mínimo os 5 milhões de euros e tem a sua conclusão prevista para o mês de Agosto de 2025 – a obra está cumprindo a sua calendarização.
Esta obra vai dar uma maior dimensão à Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa, o que nos vai obrigar a criar mais vagas para colaboradores e ter uma valência de 24 horas.
O lar tem uma particularidade, tem o Lar Residencial e o CACI no piso superior. A valência vai trabalhar 24h por dia e 365 dias do ano. O CACI também vai dar apoio, visto que algumas crianças vão para casa no final do dia. Este edifício terá um grande alcance para o concelho e para os Açores, porque estou certo de que virá pessoas de outras ilhas – uma informação que já me foi transmitida. Ou seja, vamos ter um equipamento muito importante o concelho, a ilha e o arquipélago.
Sonhávamos em ter este projecto há muito tempo, fomos a várias fontes de financiamento e agora estamos muito próximos de ter o nosso projecto finalizado.

Quais são actividades que os utentes poderão beneficiar na quinta do maior projecto da história da Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa?
O CACI está a ser implementado no terreno adquirido pela Santa Casa à Diocese, um prédio que a Diocese fornecia quando havia um Seminário em Ponta Delgada como o do Convento da Esperança. Além disso, no espaço, que tem 24 mil metros quadrados, tem a Quinta do Seminário, com hortícolas e carnes. Nós recuperamos toda a quinta – as estufas, as árvores de fruta, entre outros – e inauguramos a requalificação no ano passado.
Com o CACI a ser implementado neste terreno, significa que os utentes do CACI vão beneficiar desta quinta. Ou seja, vão ter um quintal para passearem e fazerem as suas actividades, desde churrasqueira a passeios a cavalo. Estamos a fazer isto tudo para complementar o CACI. O CACI não acaba no CACI: tem atrás as suas actividades para este tipo de pessoas, e acho isso fantástico. Sempre pensamos em sonhar, em recuperar a quinta. Somo autónomos, temos hortícolas, gado suíno, ovos. Temos duas pessoas permanentemente a trabalhar nessa quinta. O quintal do CACI é a nossa quinta.

Este projecto do CACI já estava planeado há quanto tempo?
Já tínhamos isto planeado há uns 10 ou 12 anos. Sempre sonhamos com isso, agora o problema é que estamos dependentes de financiamento. Concorremos a vários programas, e agora encaixa-se no PRR.

Os apoios públicos são suficientes para manter os utentes com a devida dignidade na Santa Casa?
Os apoios nunca são suficientes, mas tentamos gerir isso com algum rigor, com alguma disciplina financeira, sempre com um bom controlo para não deixar em risco a instituição.
Como eu disse, é uma Misericórdia jovem. Não temos os fundos ou os rendimentos em que nos possamos basear neles. Temo-nos de basear nas IPSS, nos protocolos e nos trabalhos que prestamos mensalmente. Por isso, levamos sempre a rigor, para que não tenhamos problemas no futuro.
Estou aqui desde o primeiro dia, e fomos sempre crescendo. Esse crescimento tem de ser sempre com muita atenção, para não comprometer o futuro da instituição.
Os investimentos que temos feito têm sempre contado com o apoio do Governo Regional. Estamos a aguardar financiamento para a creche, para os projectos, e para tudo isso não temos capacidade. Nós sozinhos não conseguimos concretizar nada disto.
Isto já exige muita coisa. Na minha equipa tenho pessoas com algum conhecimento e experiências. Não se pode dar um passo maior que a perna e não se pode comprometer a instituição.
Temos de fazer o controlo por valências. O fundamental é termos os colaboradores na nossa mão. Eles têm que sentir da gente a confiança para também estarmos todos em sintonia. Eu sou uma pessoa presente, mas não posso estar a atender tudo.

Quantos utentes têm no total?
Temos 55 utentes aqui no ERPI. Temos 7 utentes nos cuidados continuados, temos 25 crianças no ATL, 12 jovens, 50 idosos. Temos os centros de convívio com 20/25 cada um em Água de Pau e em Santa Cruz. Podemos dizer que é por volta de 200 pessoas.
Temos 90 colaboradores. Digo isso pela folha de vencimento. Mas também temos o padre, o fisioterapeuta, o nutricionista a meio tempo, médico a meio tempo. São prestadores de serviços, mas estão cá dentro.
Agora tivemos um esforço bruto com a regularização da situação dos programas de emprego. Tínhamos muitas pessoas nesta situação. Se uma pessoa já está aqui há 5 ou 6 anos, e faz um bom trabalho, é uma injustiça dizer assim “vai te embora que não preciso de ti “. Graças a Deus que conseguimos contrato em termo indeterminado. Temos pessoas com quarentas e tais/ cinquenta anos, não é fácil arranjar trabalho nesta idade. Portanto, regularizamos tudo, temos tudo efectivo, temos um programa de jovens. Estamos a consolidar e até esticamos a corda. Um salário mínimo custa a qualquer empresa mil e tal euros por mês. Se me arranjarem receita, contratamos mais. Agora se não arranjar essa receita, não temos esse dinheiro.

Quais são os planos da Santa Casa até ao final do ano?
No mês de Outubro, já temos uma série de programações. O mês de Dezembro vai ser mais cauteloso, pois é o mês do Natal, e em termos de actividades será mais vocacionado para isso. Para Novembro temos mais um plano, como matança de porco.
Estamos sempre a inventar e estamos muito satisfeitos com o programa dos Novos Idosos.
Ainda ontem estava a dizer ao meu encarregado que vieram arranjar as camas e custou 3 mil euros. Basta os motores avariarem, é muito dinheiro, não é brincadeira.

Qual é a importância desta Santa Casa para o concelho da Lagoa?
A nível do concelho, damos o nosso melhor. Acolhemos pessoas de toda a parte da ilha e prestamos um trabalho a todos estes idosos. Já tivemos também idosos de outras ilhas, como também de cuidados continuados de outras ilhas. A gente sente muita honra em recebê-las.
Esqueci-me de anunciar isto, mas somos a única Misericórdia dos Açores que tem o certificado da Direcção-Geral de Saúde, este diploma é importante. No dia 18 do presente mês, eu vou fazer uma apresentação deste diploma. A nível de cuidados continuados não existe outra instituição nos Açores com este certificado de saúde da DGS.
Isto traz-nos responsabilidades e não paramos aqui. Tivemos várias auditorias, várias exigências. Agora é um trabalho de continuidade, porque eles daqui a um ano vêm cá outra vez verificar se está tudo a correr bem. Tivemos exigências desde o edifício em que tivemos de remodelar a parte de incêndio, a parte de segurança, tivemos de cumprir rigorosamente todas as regras.
No dia 18 temos um jantar com os variados colaboradores, os que trabalharam directamente connosco para alcançar isso. Foi um trabalho que já estava implantado. Agora vamos continuar a trabalhar, encaixando alguns conselhos. É mérito de todos os funcionários que se empenharam e se dedicaram. Todos são importantes, desde o auxiliar, a serviços gerais, ao médico.

Filipe Torres / J.H.A.
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