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“O Padel é uma modalidade muito inclusiva, que qualquer pessoa pode praticar”, afirma André Delmar, co-proprietário do Azores Padel

Com experiência nos Emirados Árabes Unidos, André Delmar sempre tinha o sonho de construir um clube de Padel nos Açores. Foi assim que nasceu, há cerca de dois anos, o Azores Padel Club, localizado ao lado dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada. AACo ‘Correio dos Açores’, explica o que torna esta modalidade tão popular, como o crescimento do clube tem sido sustentado e assume: “trazer um torneio internacional de Padel aos Açores está nos nossos objectivos”.

Correio dos Açores – Como surgiu a ideia de fazer um clube de Padel nos Açores?
André Delmar (co-proprietário do Azores Padel Club) – Eu comecei a jogar Padel em 2015, depois de ter estado um ano parado, devido a uma lesão ocorrida num jogo de futebol. Depois da lesão, queria começar a fazer um desporto onde achasse que não me poderia lesionar mais. Como tinha praticado ténis desde os quatro até aos 18 anos, o Padel começou a ficar a minha paixão. Estava a viver em Lisboa e o meu objectivo era, um dia, regressar a São Miguel e fazer um clube de Padel cá.
Entre sair de Lisboa e voltar a São Miguel, fui para o Dubai e abri o primeiro clube indoor nos Emirados Árabes Unidos. Felizmente, dois anos depois, consegui vir a São Miguel com mais duas pessoas e abrir o Azores Padel Club.

Como é que a sua experiência no World Padel Tour contribuiu para que o Azores Padel possa ter um crescimento sustentável?
O World Padel Tour foi a primeira grande organização a criar uma competição internacional entre vários países, sendo os mais fortes a Argentina e a Espanha. A maior parte dos torneios que são feitos em qualquer país não são World Padel Tour. São torneios internos, ou seja, cada país tem a sua federação e depois dentro da federação os clubes podem fazer os torneios nacionais, digamos assim. Trazer um torneio internacional está nos nossos objectivos e penso que irá acontecer. Será, provavelmente, um Premier Padel ou um F.A.P, que são os torneios possíveis nesta fase.
Para já, trouxemos, pela primeira vez aos Açores, o primeiro torneio da federação. É um em 10.000 mil, que já é um torneio onde jogam todas as categorias e onde existe um prémio monetário mais elevado. Fizemos um esforço para trazer pela primeira vez aos Açores um torneio oficial e, felizmente, decorreu durante este fim-de-semana. Foi um torneio que teve transmissão televisiva, o que dá sempre alguma visibilidade ao desporto na Região.

Como vê o crescimento do Azores Padel Club nestes dois anos de existência?
Antes da abertura, havia cerca de 50 praticantes de Padel em São Miguel. Havia dois campos na Ribeira Grande e um outro no hotel Senhora da Rosa. A modalidade era praticamente inexistente e eram sempre as mesmas pessoas a jogar.
Quando decidimos começar o projecto, com base nos números existentes, parecia algo um pouco megalómano. Era um projecto com quatro campos cobertos, os outros campos são ao ar livre. As pessoas pensavam que não íamos ter praticantes suficientes, mas a minha experiência dizia-me o contrário.
O Padel é uma modalidade muito inclusiva, onde qualquer pessoa pode jogar. Para além disso, como o crescimento é rápido, as pessoas sentem que sobem o nível com alguma rapidez e, automaticamente, vão querer jogar mais. E isto depois funciona muito passando a palavra. Eu jogo, gostei e vou dizer ao meu amigo para vir experimentar. Depois é um efeito bola de neve e o número de praticantes vai subindo.
Começamos com quatro campos e passado cerca de sete meses, percebemos que a procura que tínhamos face à oferta que disponibilizávamos não era suficiente. Então decidimos expandir o clube para o dobro da capacidade, passando de quatro para oito campos cobertos. Neste momento, na minha opinião, o Padel está numa fase estável. Temos mais oferta do que procura. Embora os campos estejam disponíveis das 7 horas da manhã até à meia-noite, o horário pós-laboral é o mais procurado.

Como modalidade o que torna o Padel tão popular?
Algumas modalidades desportivas, efectivamente, vêem o Padel como um inimigo. Por exemplo o ténis é um desporto extraordinário, mas é muito difícil começar a jogar ténis. Uma pessoa que comece a jogar com 30 anos, nunca vai chegar ao nível que poderá chegar a jogar Padel, porque o Padel tem um campo mais pequeno, é mais fácil de controlar a raquete uma vez que é mais pequena e mais simples de manusear e a própria aptidão física permite que o Padel seja praticado por pessoas que vão dos 5 até aos 80 anos. Temos vários praticantes com mais de 70 anos. É uma modalidade bastante inclusiva.
A facilidade de começar a jogar é o que torna a modalidade tão viciante. Na primeira sessão, a pessoa consegue por a bola no outro lado do campo, enquanto isto não acontece em outras modalidades como o ténis por exemplo. E aí as pessoas descobrem que têm uma aptidão física que desconheciam. Isto para uma pessoa que não faz desporto regularmente ou que está numa modalidade que não lhe dá esta satisfação pessoal, dá uma certa competição. As pessoas continuam a vir porque sentem que melhoram todos os dias. O progresso é rápido, embora seja extremamente difícil atingir-se um nível profissional, mas para se chegar a um nível social de competição é, relativamente, fácil. Isto faz com que as pessoas queiram jogar duas a três vezes por semana.

Que importância tem a parte social, para além da desportiva, no Padel?
É quase tão importante quanto a componente desportiva. Normalmente, onde há um clube de Padel não existe só um campo, tem sempre três ou quatro. No nosso caso são oito campos.
Dentro desses oito campos, podemos ter pessoas dos 12 aos 50 anos a competir entre si. Chegamos a ter mais de 30 pessoas a competir ao mesmo tempo, que se calhar apenas se conhecem de vista, e que vão interagir dentro do campo uma vez que é um jogo jogado a pares. Quando acaba o jogo, passam para a zona do bar onde se desenvolvem relacões inter-pessoais que são muito importantes no Padel. As pessoas jogam uma hora e meia e depois discutem, no bar, todo o tipo de temas. E é essa interacção que faz com que as pessoas queiram voltar. As pessoas esquecem-se do trabalho, das rotinas e dos problemas, trabalhando a parte mental e não só a parte física.

É importante manter a parte competitiva do desporto com a realização dos torneios sociais?
A parte competitiva é muito importante principalmente porque o ser humano gosta de se superar e de atingir novos objectivos. A parte competitiva, mesmo para uma pessoa que não leve a competição tão a sério, é importante porque há sempre o desafio de poder vencer o jogo. A parte competitiva social é que faz com que a pessoa se consiga superar. Há competição desde o nível M5 e F5, que são o nível mais básico, e os praticantes gostam de saber que há a oportunidade de subir de nível. A competição social semanal faz com que as pessoas tenham um objectivo semanal, o que é muito bom.

Disputou-se, este fim-de-semana, o Open Crédito Agrícola. Este tipo de torneios, com prémios atractivos, pode atrair novos praticantes para a modalidade?
Neste momento, a grande diferença face aos torneios que já fazemos no Azores Padel Club tem a ver com trazermos atletas federados nacionais, ou seja, a maior parte dos nossos torneios não são homologados pela Federação Portuguesa de Padel, são torneios sociais regionais.
Este foi o primeiro torneio que para participar era necessário ser-se federado. Quem quiser ser federado faz a candidatura à Associação, depois recebe o seu número de filiado e só depois do seguro desportivo e ter número da federação é que se poderia ter inscrito neste torneio. Foi a primeira vez que se fez cá nos Açores.
Como disse é uma prova homologada pela Federação, que conta para o ranking nacional. Quem participou neste torneio ganhou pontos que depois figuram no seu ranking da sua categoria a nível nacional. Foi uma prova de ranking 10.000 mil, que é das provas mais altas que poderemos trazer. É uma prova que já tem vários patrocinadores da própria Federação de Padel e depois tivemos vários patrocinadores regionais. O Crédito Agrícola, como o nome do Open indica, foi o nosso principal patrocinador e contamos ainda com o patrocínio da rent-a-car AutAtlantis, a RTP-Açores, a Vortic. Tivemos diversos patrocinadores que se quiseram associar a este Open e que, obviamente, isto trás grandes oportunidades a nível dos atletas que vêm do continente, uma vez que têm que alugar carro, têm de procurar alojamento, tivemos um código de desconto que aplicamos na SATA para alguns atletas que vieram nestes dias cá visitar os Açores.
Conseguimos reunir cerca de 150 nacionais, muitos deles que estiveram nos Açores pela primeira vez, e a maioria deles também é a primeira vez que vêm jogar Padel cá. Com isto esperamos criar algum incremento na economia local, por todos os motivos acima mencionados. Para além do Padel, tencionamos dinamizar também um pouco o turismo, fazendo algo em paralelo para beneficiar a economia açoriana.

É um sonho do Azores Padel Club ter atletas profissionais?
Neste momento temos cerca de quatro ou cinco atletas que competem com regularidade a nível nacional. Que já disputam torneios da Federação em Lisboa, no Porto, em Coimbra, nas Caldas da Rainha. Tivemos a presença de atletas regionais, do Azores Padel Club, em vários torneios.
A nível profissional o Padel, neste momento, ainda não é visto como um desporto que a pessoa consiga viver do Padel. A maioria dos atletas que são mais profissionalizados são treinadores e depois temos os atletas da Federação Portuguesa de Padel que, salvo erro, são seis ou sete. Estes atletas vivem unicamente do Padel, sem precisar de dar aulas ou de ter um segundo trabalho. Neste momento, a profissionalização do Padel, em Portugal, ainda está no seu inicio. Obviamente que, se tivermos oportunidade, de alguns dos nossos atletas, e provavelmente será algum dos dois treinadores que temos dedicados inteiramente ao Padel. Seria interessante se eles se dedicassem a uma carreira de atleta profissional mas, neste momento, ainda não estamos nesse nível. Infelizmente.

Até onde acha que o Azores Padel Club pode chegar?
Aqui sempre foi um desejo do projecto ser uma referência do Padel a nível nacional. Primeiro a nível regional, uma vez que fomos o primeiro clube a ser constituído nos Açores, e penso que já está concretizado. Na minha opinião, somos uma referência a nível Açores. Trazer a primeira prova da Federação cá também irá dar muita visibilidade ao Azores Padel Club, porque muitos atletas vão conhecer o clube e isto era algo que pretendíamos. A nível mundial, o que eu gostaria, tanto a nível pessoal como a nível de clube como empresa, era de trazer uma prova de cariz internacional. Como referi, trazer um F.A.P é um dos objectivos e penso que será possível concretizar já no próximo ano. Muita gente nos tem perguntado. Trazer atletas verdadeiramente profissionais, do top 100 do ranking mundial. Penso que podemos ter a possibilidade de fazer uma prova de cariz internacional no próximo ano.

Que expectativas tem para o Open Crédito Agrícola?
Iniciou-se na sexta-feira com a participação de cerca de 160 atletas. Espero que no final das contas todos tenham passado um bom fim-de-semana e que se tenham sentido integrados aqui no Azores Padel Club.
Acima de tudo, gostava que percebessem que os Açores estão no panorama nacional do Padel e que possam desfrutar do melhor que temos para oferecer, tanto a nível de São Miguel, mas que também abra portas para que possam visitar, num futuro próximo, as outras ilhas.

Frederico Figueiredo
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