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Equipa de investigadores implementou num tubarão azul de 3 metros o primeiro medidor em tempo real do Oceano Atlântico

Nos últimos anos, a inovação tecnológica tem sido um aliado na investigação e conservação marinha. Perto da ilha do Faial, ocorreu recentemente a colocação do primeiro tag batigráfico de sempre no Oceano Atlântico, instalado num tubarão azul de três metros. Este projecto foi liderado pelo Professor Kim Holland, do Instituto de Biologia Marinha do UH Hawai’i, e pelos investigadores Jorge Fontes, Pedro Afonso e Bruno Macena. Jorge Fontes explica qual foi o motivo para a escolha ter recaído no tubarão azul, a importância do tag batigráfico e afirma que os Açores são “um dos melhores laboratórios naturais para promover desenvolvimento tecnológico e validar novas ferramentas e métodos nas áreas do conhecimento e gestão dos ecossistemas do oceano aberto e mar profundo”.

Correio dos Açores – Qual foi o objectivo da implementação do primeiro tag batigráfico de sempre no Oceano Atlântico, num tubarão azul de 3 metros?
Jorge Fontes (Investigador UAc) – A ideia foi replicar os trabalhos experimentais de desenvolvimento deste sensor/marca satélite inovadora numa segunda espécie, diferente do tubarão tigre, e noutra região distinta do pacífico tropical, de forma a demonstrar que se trata de uma ferramenta que pode ser usada em larga escala, independentemente da região e em diferentes espécies de tubarão.

Como funciona um tag batigráfico em tubarões? E qual foi o motivo para ter sido escolhido um tubarão azul?
O tubarão azul é um excelente candidato porque faz mergulhos profundos com frequência e, simultaneamente, vem frequentemente à superfície, que é quando a tag transmite os dados oceanográficos para a constelação de satélites. Durante os mergulhos o tag vai medindo, armazenando e processando a informação de temperatura e profundidade ao longo da coluna de água, depois o resumo de toda a informação é transmitido, apenas o essencial, ou seja, os perfis térmicos de determinada massa de água, desde a superfície até centenas ou mesmo mais de 1000 metros de profundidade. O tubarão azul, sendo um grande migrador, fornece informação de zonas extremamente remotas, que dificilmente seriam visitadas por um navio científico.

Como os dados de um tag batigráfico ajudam na conservação dos tubarões?
Além de nos mostrarem quais as regiões mais importantes para os animais, onde eles passam mais tempo, e onde temos de focar as medidas de gestão e protecção, também nos fornecem informação sobre o uso do habitat vertical, na coluna de água, e quais as temperaturas preferidas e logo qual a probabilidade de interacção com as frotas de pesca industrial ou outras ameaças. Toda esta informação permite prever a sua distribuição num oceano dinâmico e em mudança, associada ao aquecimento do planeta. Essa informação é essencial para prever como as alterações ambientais vão impactar estes animais. No entanto, o principal objectivo é usar o animal como uma plataforma de recolha de informação, que não se cansa, que não precisa de férias, não se importa com as tempestades e é capaz de percorrer grandes distâncias a um custo muito inferior, comparado com métodos tradicionais. Assim, é possível obter informação em tempo real sobre a energia (calor) contida em determinada massa de água, que é essencial para melhorar a precisão dos modelos de previsão climática, sobretudo os que procuram prever o comportamento das tempestades e furacões.

Quanto tempo um tag batigráfico pode permanecer ligado a um tubarão?
O tempo de vida estimado ronda os seis meses. Imagine-se o custo de uma campanha oceanográfica que durasse seis meses no meio do oceano.

Qual foi a importância de ter Kim Holland, Professor Investigador do Instituto de Biologia Marinha do UH Hawai’i, envolvido no projecto?
O professor Kim Holland, é um velho amigo dos Açores e do DOP/Okeanos. O professor, é um dos pioneiros das semanas das pescas dos Açores, como cientista convidado e tem um historial de colaboração de mais de 25 anos com o DOP (Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores). O professor Kim, é o “pai” desta ideia e é quem tem vido a desenvolver a ‘bathigraph’, com uma das empresas do ramo. Esta é mais uma das muitas parcerias entre os dois grupos.

Pretende acrescentar alguma informação no âmbito da entrevista?
Estes projectos de desenvolvimento e inovação são um dos pilares da estratégia do Okeanos, que se materializa através das várias inovações e criações desenvolvidas internamente (https://www.instagram.com/fontes_ecodive/, https://deepsea.uac.pt/azor-drift-cam ; https://nautilos-h2020.eu/sensors-samplers/) com múltiplos parceiros, mas também via colaboração com outros grupos que se dedicam ao desenvolvimento. Os Açores são um dos melhores laboratórios naturais para promover desenvolvimento tecnológico e validar novas ferramentas e métodos nas áreas do conhecimento e gestão dos ecossistemas do oceano aberto e mar profundo. Não há muitos centros de investigação com acesso tão facilitado a estes ambientes que constituem o maior bioma do planeta azul, mas que continua a ser menos conhecido que a superfície de Marte.
Filipe Torres

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