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Psiquiatra Inês Homem de Melo defendeu em Ponta Delgada necessidade de haver mais consultas de neurodesenvolvimento nos hospitais públicos do país

Realizou-se esta quinta-feira a conferência “Um olhar partilhado sobre o Neurodesenvolvimento ao longo da Vida – a pertinência do Diagnóstico na Saúde Mental”, no âmbito do 1º Aniversário do NIITE – Núcleo de Investigação e Intervenções Terapêuticas Especializada. A conferência foi realizada no Doubletree by Hilton Lagoa, com as palestrantes Maria Laureano e Inês Homem de Melo. “Nesta área do neurodesenvolvimento, até acho que é uma das áreas onde existe menos estigma, porque há muitas figuras públicas que recentemente estão a fazer um coming out dos seus diagnósticos deste foro” – afirma a psiquiatra Inês Homem de Melo que especializou-se nas Perturbações do Neurodesenvolvimento no Adulto. Em Fevereiro de 2024 abriu as portas da Clínica do Quinto Andar, no Porto.

Correio dos Açores – Que importância tem o diagnóstico na saúde mental em idades mais jovens?
Dra. Inês Homem de Melo (psiquiatra) – A temática desta conferência, especificamente, é sobre um capítulo dentro dos nossos diagnósticos que é sobre o neurodesenvolvimento, onde se inclui a perturbação do espectro do autismo, hiperatividade e défice de atenção, a dislexia. São diagnósticos que são de fabrico, digamos assim, começam desde o início da vida da pessoa, no entanto existem pessoas que só são diagnosticadas mais tarde na vida, concretamente na vida adulta . Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, mais cedo se sabe o que tem e que melhor se possa enfrentar situações na sua vida, seja académica, seja profissional, de forma a navegar o melhor possível no seu cérebro. Por isso o diagnóstico precoce é importantíssimo.

Sendo profissional na área, de que forma poderá ser feito esse diagnóstico?
O diagnóstico é feito com base numa avaliação idealmente será multidisciplinar e que envolve a confirmação da existência destes quadros desde o início da vida, desde a infância à adolescência. Mesmo que a pessoa seja adulta, a gente tem que fazer uma história clinica completa do seu desenvolvimento, dai o nome perturbações do neurodesenvolvimento. Depois pode ter programas de avaliação de psicologia, terapia ocupacional, dependendo do quadro.

Quais são as temáticas que mais aborda no seu trabalho?
As que mais trabalho, como disse no início, são a perturbação do espetro do autismo e a perturbação da hiperatividade e défice de atenção, a sigla é PHDA.

De que forma podemos sensibilizar os mais próximos para este tema?
A sensibilização é importante nesta temática. A sensibilização mais importante é aquela que dá nome à conferência, que é “ao longo da vida”. Existe uma crença na população geral de que esses quadros são próprios da criança e nada mais, e não é bem assim. Eles permanecem na vida adulta, algumas pessoas crescem e melhoram muito e outras não. E a população geral tem uma crença que no adulto não existe défice de atenção ou de que no adulto não existe autismo, isso prejudica muito as pessoas adultas que tem esses quadros, porque são muito incompreendidas, não tem profissionais que são diferenciados nesta área.
Esta conferência acaba por colmatar, numa tentativa de sensibilizar também os profissionais de saúde para esta temática. Diria que a sensibilização mais importante é esse “ao longo da vida”, pois isto também existe na terceira idade. Portanto, diria para as pessoas estarem atentas em procurar o seu diagnóstico se tiverem dificuldades.

Acha que ainda existe um certo estigma ou um certo desconhecimento nesta área?
Diria que existe um grande estigma na saúde mental. Nesta área do neurodesenvolvimento, até acho que é uma das áreas onde existe menos estigma, porque há muitas figuras públicas que recentemente estão a fazer um coming out dos seus diagnósticos deste foro. Em termos nacionais temos o Guilherme Geirinhas, António Raminhos, Marisa Liz. Internacionalmente, imensas pessoas como o Elon Musk.
Acho que esta área do neurodesnvolvimento é a menos estigmatizada da saúde mental, mas ainda há.

Tendo em conta que a conferência passa-se na ilha de São Miguel, tem noção ou foi lhe transmitida informação sobre a temática do neurodesenvolvimento na Região?
A entidade que está a promover esta conferência que é a NIITE. Está muito comprometida com esta causa, e justamente ao longo da vida mantem-se um cuidado após a meio de idade, com pessoas de várias disciplinas como a psicologia, terapia ocupacional, terapia da fala, e portanto sei que existe esta estrutura. Embora o Sistema Nacional de Saúde ainda tenha um caminho para percorrer, tanto nos Açores como no continente, a bom rigor.

Em relação ao Sistema Nacional de Saúde, qual a sua opinião sobre a intervenção desta área do neurodesenvolvimento?
Acho que é preciso nascerem mais consultas especializadas nesta área pelo SNS. Existem alguns hospitais que têm consultas de neurodesenvolvimento no adulto. Existe no Júlio de Matos, existe em Coimbra, mas era preciso que existisse uma em cada um dos hospitais.

Estamos a falar tanto de um investimento económico como de um investimento académico?
Correcto.

Quer acrescentar algo à entrevista?
Acho muito interessante que seja aqui nos Açores, porque esta temática já ultrapassa o centralismo e de que aceder ao diagnóstico é mesmo que aceder ao tratamento, e o tratamento que as pessoas têm possa ser life changing. Não é irrelevante o diagnóstico, pelo contrário, é mesmo muito relevante, porque é a porta de acesso ao tratamento.
José Henrique Andrade

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