Na Vila das Capelas, mais concretamente na Rua Doutor Hermano Medeiros e Câmara há uma loja de ferragens, que deverá ser a mais antiga, no activo, nos Açores, a Rego Oliveira e Lima, Lda.
No local, chegamos à fala com um dos sócios, Libério Rego Oliveira, de 61 anos de idade feitos na passada terça-feira, dia 15 de Outubro.
A loja nasceu em 1937 com o seu avô, João do Rego Oliveira, sendo que o pai do nosso entrevistado, Humberto Rego Oliveira foi para ali, quando tinha apenas 10 anos de idade, ou seja, no primeiro dia que a loja abriu e esteve ali durante quase 70 anos.
Após o falecimento de João do Rego Oliveira, Humberto Rego Oliveira assumiu as rédeas do negócio, mas após o seu falecimento, a 18 de Dezembro de 2006, a família constituiu a sociedade, concretamente Libério Rego Oliveira e sua mulher, a irmã de Libério e cunhado, a 22 de Março de 2007.
Actualmente, a Rego Oliveira e Lima, Lda. já vai na quarta geração, uma vez que o sobrinho de Libério Rego Oliveira é um dos colaboradores da loja de ferragens.
Metade da loja
chegou a ser uma taberna
“De início, o espaço era mais pequeno, sendo que metade era uma pequena loja de ferragens e a outra metade uma taberna. Uma porta ao meio comunicava com os dois espaços existentes”, mas João do Rego Oliveira “desdobrava-se nas funções”, na loja de ferragens e na taberna.
No entanto, “chegou ainda a fazer a recolha de leite num posto leite, que em tempos existiu em frente à loja, ou seja, chegava a fazer três serviços num só dia”.
Instado a comentar como tem sido esta caminhada, responde positivamente, reconhecendo, no entanto, existir concorrência. “Chegamos a estar sozinhos aqui na Vila, mas agora já temos concorrência. No entanto, vamos caminhando muito bem, porque também já estamos há muito tempo no mercado”.
Vive-se ainda muito do “fiado”
Por incrível que possa parecer, a loja “vive ainda muito da venda a crédito”. Aliás, “toda a vida esta loja deu crédito”, revelou.
A Rego Oliveira e Lima, Lda. vende de tudo um pouco, desde ferragens, tintas, vernizes, vidros, blocos, cimento, areia, com a vantagem de disponibilizar ainda uma carrinha para fazer distribuição “gratuita, ou seja, o cliente não paga rigorosamente nada pela distribuição”.
Em plena pandemia da Covid-19, a Rego Oliveira e Lima, Lda. continuou, mesmo assim a trabalhar, sem o movimento que existia antes e aquele que existe agora. “As vendas diminuíram, mas sobrevivemos, porque tivemos a sorte de não nos terem mandado fechar a porta, ao contrário de outras empresas que não resistiram”.
No momento, a loja funciona com três membros da família e outros dois colaboradores.
A experiência do cunhado
foi uma mais-valia
José Francisco Lima é o cunhado de Libério Rego Oliveira, um dos sócios da empresa. A empresa constituiu sociedade em 2007, mas José Francisco Lima já trabalhava na loja há muito tempo, desde 1991. No entanto, anteriormente já tinha trabalhado na loja de ferragens Pacheco de Medeiros e a sua experiência foi uma mais-valia para a Rego Oliveira e Lima, Lda., porque também a loja passou a ter outros materiais, que anteriormente não disponibilizava aos clientes.
Grande parte dos fornecedores da Rego Oliveira e Lima, Lda., “são do continente”, mas por exemplo, “o ferro, cimento, as telhas e tintas são adquiridas em empresas do nosso mercado”.
“Manter o que já existe”
Em termos de perspectivas para o futuro, Libério Rego Oliveira diz, que “o objectivo principal é manter o que já existe”. De referir, que após o falecimento do avô, metade da loja foi para o seu tio e a outra divisão para o seu pai. Após o falecimento do tio, a outra porção foi comprada pelos familiares e o espaço aumentou consideravelmente.
De registar, que a venda a crédito, vulgarmente conhecida pela palavra “fiados” é um termo que se refere a uma “prática comum no comércio”, onde um cliente pode adquirir produtos sem pagar imediatamente, comprometendo-se a pagar a dívida posteriormente.
O pai do nosso entrevistado, Humberto Rego Oliveira registava os “fiados” em livro e posteriormente numas fichas que Libério Rego Oliveira adquiriu.
Curiosamente, Humberto Rego Oliveira era, de igual modo, um acérrimo leitor do jornal “Correio dos Açores”, onde apontava nas suas margens algumas contas que ia fazendo, para depois registar em livro ou nas fichas. Os jornais serviam também para embrulhar as compras dos consumidores.
Humberto Rego Oliveira foi Presidente de Junta de Freguesia, antes de 1963 durante 13 anos e pertenceu ainda aos órgãos sociais do Capelense Sport Clube e da banda União dos Amigos, uma das mais antigas de São Miguel com mais de 144 anos. Gostava imenso de futebol e sempre que podia não perdia um jogo. “Era a missa e o futebol à tarde, aos domingos”, finalizou.
Marco Sousa
