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Cerca de 8,5% da população açoriana sofre de osteoporose e o género mais afectado é o feminino devido a factores hormonais

O Dia Mundial da Osteoporose, que se celebra hoje, é uma oportunidade crucial para sensibilizar e alertar a população para uma consciencialização sobre a saúde óssea, a prevenção, diagnóstico e tratamento desta doença e das fracturas por fragilidade. Em entrevista ao ‘Correio dos Açores’, Carolina Furtado e Teresa Sampaio Nóvoa, Médica especialista de Reumatologia e Directora do Serviço de Reumatologia do Hospital Divino Espírito Santo (HDES), afirmam que a prevenção deve começar “desde a infância com hábitos de vida saudáveis para garantir um pico de massa óssea.” Destacam a necessidade de haver apoio social e psicológico, sobretudo a idosos que vivam sozinhos, para lidarem melhor com as implicações físicas e psicológicas da doença e referem a importância do Serviço de Reumatologia do HDES para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da doença que causa fragilidades nos ossos.Cerca de 8,5% da população açoriana sofre de osteoporose e o género mais afectado é o feminino devido a factores hormonais

Correio dos Açores – O Dia Mundial da Osteoporose é celebrado anualmente a 20 de Outubro. Qual é a importância de se assinalar esta efeméride?
Carolina Furtado e Teresa Sampaio Nóvoa (Médica Especialista de Reumatologia e Directora do Serviço de Reumatologia do HDES) -Sendo a osteoporose uma doença que torna o osso “poroso”, isto significa que os ossos ficam finos e perdem a força, à medida que se tornam menos densos e a sua qualidade é reduzida. Isso pode causar fracturas ósseas, que causa dor, incapacidade física e torna as actividades quotidianas extremamente difíceis.
Assim a IOF (Internacional osteoporosisfundation) em 1996, instituiu o dia 20 de Outubro como Dia Mundial da Osteoporose para alertar a população em geral para a importância vital da mesma, promovendo a tão necessária consciencialização sobre a saúde óssea, a prevenção, diagnóstico e tratamento desta doença e das fracturas por fragilidade.
Esta doença é um grande e grave problema de saúde pública, com grande impacto económico cujas consequências acarretam uma elevada taxa de morbilidade e mortalidade.

De que relevância se reveste o Serviço de Reumatologia para os doentes do Hospital do Divino Espírito Santo?
O Serviço de Reumatologia é essencial, para o diagnóstico, prevenção e tratamento destes doentes com osteoporose não só para os doentes do HDES, como para os doentes de toda a ilha.
No Serviço temos uma Unidade denominada de CODOM (consultas de osteoporose e doenças Ósseas Metabólicas) onde diagnosticamos e tratamos os doentes com Osteoporose essencialmente.
Além disso em 2022 abrimos uma consulta de FLS (Fracture LiaisonServices), que é uma consulta multidisciplinar composta por um ortopedista (que nos sinaliza o doente que recorre ao serviço de urgência por uma fractura), reumatologistas, endocrinologistas (nutricionistas), medicina física e reabilitação e medicina geral e familiar.
Trabalhamos em conjunto em prol da vida mais saudável e independente dos nossos doentes, diminuindo assim a morbilidade que esta patologia acarreta.

Qual é o número de casos de pessoas com esta doença nos Açores? Qual é a faixa etária e o género mais afectado?
Segundo os dados do maior estudo epidemiológico realizado em Portugal sobre as doenças reumáticas, (EpiReumaPt) onde foram incluídos cerca de 1000 açorianos, calcula-se que cerca de 8,5% da população sofra de osteoporose.
O género mais afectado é o feminino, o que está relacionado com factores hormonais.
Depois dos 50 anos de idade, 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens sofre uma fractura de fragilidade.
Com o aumento da idade, esta percentagem vai aumentando progressivamente, razão pela qual se torna cada vez mais importante a prevenção da mesma.

Quais são as principais causas da osteoporose?
Embora existam outros, os principais factores de risco de osteoporose e fracturas de fragilidade são os seguintes: sexo feminino, baixo peso, existência de fractura prévia, história parental de fractura da anca, terapêutica prolongada com corticoides com doses acima dos 5 mg/dia por mais de 3 meses, tabagismo, ingestão de álcool diária superior a 3 unidades, doenças reumáticas inflamatórias com a artrite reumatoide e quedas.
Estes factores de risco devem ser detectados precocemente para que assim se possam evitar as fracturas, e deve ser regularmente avaliado em mulheres e homens com mais de 50 anos

Quais são os principais desafios para uma pessoa que têm esta doença?
Sendo a osteoporose uma doença subclínica, que frequentemente se manifesta pelo aparecimento das fracturas, uma vez diagnosticada, o doente deve ser envolvido directamente na sua doença, com medidas de prevenção para evitar o aparecimento das fracturas.

Existe uma forma de prevenir esta doença?
Sim, a prevenção da osteoporose é fundamental e deve começar desde a infância com hábitos de vida saudáveis para garantir um pico de massa óssea adequada, pois é na infância que a massa óssea se forma paralelamente ao crescimento do esqueleto. Na idade adulta, têm de ser tomadas uma série de medidas destinadas a desacelerar a diminuição da massa óssea, sendo particularmente importante nas mulheres após a menopausa, e que incluem: a prática regular de exercício físico, principalmente actividades com carga (como caminhadas, corrida ou aeróbica) ou exercício com resistência (com pesos); uma dieta equilibrada com ingestão adequada de cálcio e proteínas; evicção de má-nutrição (particularmente os efeitos de dietas restritas de perda de peso); evicção de tabaco e álcool; a exposição solar frequente (exposição de face, braços e mãos 15-20 minutos diários, sem protecção solar), de modo a estimular a produção de vitamina D, essencial para a absorção de cálcio nos intestinos e uma adequada mineralização do osso.
Outra medida que deve ser implementada é a prevenção do risco de quedas, principalmente nos idosos: é importante remover obstáculos como tapetes ou fios eléctricos, iluminar adequadamente as divisões, utilizar calçado adequado (com sola de borracha), evitar medicação sedativa, corrigir perturbações da visão ou audição, entre outras medidas pontuais.

Quais são as opções de tratamento disponíveis nos Açores para quem tem osteoporose?
Os açorianos têm acesso a todos os fármacos disponíveis em Portugal para o tratamento da osteoporose. O objectivo do tratamento é evitar o aparecimento de fracturas de fragilidade e consiste na adoção de medidas de prevenção da osteoporose anteriormente referidas, às quais se associam terapêuticas farmacológicas. Actualmente, estão disponíveis vários fármacos eficazes para o tratamento da osteoporose. Estas terapêuticas podem diminuir a perda de massa óssea e/ou aumentar a densidade mineral óssea através de diferentes mecanismos de acção. Existem várias formulações (oral, endovenosa ou subcutânea) e posologias (diária, semanal, mensal, semestral ou anual). A decisão da utilização de um fármaco é tomada pelo médico em conjunto com o paciente, tendo em conta a gravidade da osteoporose, a existência de fracturas prévias e a existência de outras doenças que possam interferir com o tratamento. Os suplementos de cálcio e vitamina D devem ser prescritos para assegurar a ingestão adequada, importante para manter a densidade óssea, a função muscular e garantir a máxima eficácia das outras terapêuticas.
Que impacto psicológico pode ter o diagnóstico de osteoporose em pessoas mais velhas, especialmente aquelas que vivem sozinhas?
O diagnóstico de osteoporose pode ter um importante impacto negativo a nível psicológico, especialmente nos idosos, em função do seu medo constante de cair e de fracturar. O paciente tende a limitar as suas actividades e, até mesmo a isolar-se, o que contribui para o desenvolvimento de depressão que, por sua vez, pode agravar a osteoporose, pela limitação da mobilidade e má adesão ao tratamento. Após a ocorrência de uma fractura de fragilidade, este impacto ainda é mais significativo, pelo aumento da morbilidade, que inclui: dor crónica, perda da função e da autonomia, deformidades ósseas e perda de peso, perda da auto-estima, imobilidade, dificuldade respiratória, refluxo e outros problemas gastrointestinais, incontinência e, aumento do risco de mortalidade como complicação das fracturas próximas do fémur. É essencial, o apoio social e psicológico, sobretudo a idosos que vivam sozinhos, para lidarem melhor com todas as implicações físicas e psicológicas da doença.

Como podem os cuidadores e familiares ajudar uma pessoa com osteoporose a manter a sua independência e qualidade de vida?
O cuidador ou familiar de uma pessoa que padece de osteoporose é uma ajuda crucial para manter a sua independência e qualidade de vida. A possibilidade de a pessoa permanecer no conforto do seu lar tem um valor paliativo que ultrapassa qualquer outra forma de medicina!
Podem prestar cuidados, em articulação e com orientação de profissionais da área da saúde, em áreas gerais destinadas a satisfazer as necessidades de uma pessoa com osteoporose: ajudar a pessoa a tomar a medicação na dose e no período de tempo adequados; assegurar o transporte entre as consultas médicas; reduzir o risco de quedas em casa (removendo barreiras e obstáculos de modo a manter as passagens livres, instalar barras de apoio no WC, por exemplo, executar tarefas de rotina como levantar ou empurrar objectos pesados que podem ser suficientes para partir um osso, desencorajar actividades arriscadas (como subir escadas ou mover mobília pesada) e estimular a usarem auxiliares de apoio, como bengalas ou andarilhos; garantir uma dieta rica em cálcio e vitamina D, através de alimentos como lacticínios, folhas verdes escuras, peixes como salmão e sardinha; motivar estilos de vida saudáveis, desaconselhando o tabagismo e o consumo excessivo de álcool e estimulando a prática regular de exercício físico (como caminhadas, dança e musculação e exercícios de equilíbrio) apoiando fisicamente a pessoa, conforme necessário; oferecer apoio emocional. O apoio físico e psicológico que prestam é essencial para o sucesso de qualquer tratamento. No entanto, é fundamental que os cuidadores ou familiares dêem prioridade à sua própria saúde e assumam apenas aquilo de que sejam capazes.

Pretendem acrescentar alguma informação que seja relevante no âmbito da entrevista?
A osteoporose ainda é uma doença pouco diagnosticada e tratada. O objectivo principal desta entrevista é reforçar, uma vez mais, a necessidade do acesso oportuno ao diagnóstico e tratamento atempado e adequado desta doença, que não é uma consequência inevitável do envelhecimento!

 Filipe Torres
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