Passaram-se alguns anos do dia em que Filipe La Féria me confidenciou um dos seus grandes sonhos: realizar um musical sobre Fátima. Quando ele referiu Fátima eu, com espanto e alegria, disse: Fátima! Eu sou, independentemente do amigo que muito o admira e respeita, um dos seus fãs ferrenho. Sendo ele um intelectual, que prestigia o país, sempre que estou em Lisboa, visito-o: conduz-me a novos escritores e poetas, da sua preferência.
Figura maior do Teatro em Portugal, a sua imaginação é imparável (Einstein disse que a imaginação é muito mais importante que o conhecimento). Quando saí do seu gabinete de trabalho fiquei com a sensação de que muito do espetáculo estava já arquitetado na sua mente. Passado uns anos ele leu-me alguns dos trechos, cuja beleza e força das palavras retratavam a sua grande sensibilidade, de pessoa que vive intensamente tudo quanto o rodeia.
asos, os fazem regressar, todos os anos, para celebrarem esta época tão marcante.
A partir do momento em que me falou de Fátima-Opera Rock, sempre que o encontrava, perguntava-lhe: Felipe, então para quando Fátima? Naturalmente que eu não desconhecia que para pôr em cena um espetáculo desta grandeza, não é fácil, pois a envolvência financeira, é da ordem de muitas dezenas de milhares de euros, daí a razão do adiamento de levar ao palco, esta obra-prima do prestigiado vulto que, sendo português, honra o teatro europeu.
Uma questão que não posso deixar de exaltar é o rigor que o Filipe La Féria pôs nos textos. Ele estudou, pesquisou tudo o que envolvia o assunto, na época em que sucedeu o milagre de Fátima. Inteligentemente ele procurou que em todas as ocasiões, a sua encenação e texto não ferissem suscetibilidades, que Fátima fosse um espetáculo abrangente: para católicos e não católicos. Curiosamente esta questão foi conseguida, referenciada, na noite da estreia, por políticos e entidades religiosas, ali presentes.
Fátima Opera Rock é, sem dúvida, um espetáculo excecional que dá ao público o conhecimento de um assunto, ainda, em grande parte desconhecido dos portugueses (já que o povo não conhece a história leve-se a história ao povo) este é, entre outros, um dos grandes méritos de Filipe da La Féria. Por isso a Igreja em Portugal deve-lhe estar grata. A seriedade e o respeito de como tratou um assunto tão delicado, de ordem religiosa, revela a bem sua inteligência brilhante. Mas Fátima Opera Rock, agora em cena, no Teatro Politeama, em Lisboa. Não é só imaginação, talento, fantasia, música. Há algo mais profundo que agiganta a alma do Filipe: o amor de quem acredita ou duvida que o mistério que envolve o inexplicável, explica-se, agora, no palco do Politeama…
Em 1971 Portugal vivia uma crise aterrorizadora, enquanto na Europa aconteciam conflitos sanguinários. Guerras, mortes, fomes assolavam os povos do mundo, é neste quadro trágico, rodeado de tantos acontecimentos e com a presença, em Fátima, de personalidades ligadas às aparições, que
Filipe La Féria escreve a história, faz a encenação e a cenografia. Composição: Miguel Amorim e Filipe La Féria, rodeado de bons colaboradores que se evidenciam pelos papéis que realizam na retaguarda. Arranjos: Miguel Teixeira, Miguel Amorim, Miguel Camilo; direção musical: Miguel Amorim; dramaturgia: João Frizza; pesquisa: Maria Adelina Amorim, André Moreira; assistente de encenação: Nuno Guerreiro; figurinos: Filipe La Feria, João Frizza; coreografia: Marco Mercier; direção de cena: Nuno Guerreiro. Orquestra dirigida por Miguel Teixeira.
As interpretações dos atores, (das crianças aos adultos) são todas extraordinárias, eles vivem os seus papéis com intensidade, com gestos e expressões impressionantes de tal ordem que o público vive, empaticamente as diferentes cenas, sentindo-as por isso os estrondosos e merecidos aplausos que ressoaram, na inesquecível noite da estreia, foram a gratidão dos espetadores por tão fabuloso espetáculo que eleva e destaca o teatro em Portugal.
Felipe La Féria usou neste seu espetáculo as técnicas mais sofisticadas que existem no plano da luz, do som, enriquecendo, por exemplo, a cena do sol é de uma tecnologia avançada e bem conseguida.
Parabéns, meu Caro Amigo Filipe por este seu grande espetáculo oferecido aos portugueses.
Por: João Carlos Abreu