Edit Template

Mobilidades e não só

Numa região arquipelágica como a nossa as pessoas para se movimentarem entre as várias ilhas têm, forçosamente, de utilizar o barco ou então o avião.
Atendendo a que, só no grupo central do arquipélago é que existem navios de transporte de pessoas e bens, os grupos ocidental e oriental, talvez por serem filhos de um deus menor, só têm o avião para se deslocarem inter-ilhas.
Com a entrada em vigor da política de subsidiação das passagens aéreas teve, como consequência, um “descumunal” aumento do tráfego aéreo entre as várias ilhas.
Se, por um lado, é positiva toda esta movimentação de uma ilha para a outra, porque dinamiza o turismo, por outro lado, convém não esquecer que a nossa companhia aérea é uma empresa pública, daí que, a subsidiação que ela recebe sai dos bolsos de todos nós, tanto dos que viajam como dos que não viajam.
Em ligações com o continente português a coisa pia mais fino. Isto porque já houve quem se aproveitasse de algumas falhas da lei para, fraudulentamente, receber reembolsos indevidos por, ao que entendi na altura, não terem sido efectuadas as respectivas viagens.Julgo que este processo está a seguir os seus trâmites em tribunal e, certamente, que será reposta a legalidade, punindo os infractores com as sanções aplicáveis.
Confesso que não conheço a lei em pormenor, mas por aquilo que tenho lido e ouvido sobre esta matéria, penso que ajudaria a resolver a situação se houvesse um limite de viagens subsidiadas para cada residente. Atrevo-me até a sugerir um limite de três passagens por ano para cada cidadão residente, exceptuando, como é logico, os casos de doença ou similares, e ainda, os estudantes com um limite de quatro passagens por ano.
É que, com estas viagens subsidiadas, há até quem se dê ao luxo de ir fazer compras a Lisboa, chegando ao cúmulo de, por vezes, estarem de baixa por doença.
Que a nossa sociedade está doente em matéria de civilidade e responsabilidade, isso eu já sabia; mas chegar ao ponto de ir viajar quando, conforme a doença, até nem pode sair de casa?! Isto é realmente demais!
Que não doam as mãos a quem aplicar a estes casos o devido “tratamento disciplinar”.
No entanto, e por outro lado, as companhias aéreas também não deveriam ter a liberdade de praticar preços elevados nas rotas domésticas que são subsidiadas. Julgo até que, este procedimento, é uma forma de financiamento encapotado à companhia.
Por outro lado e com alguma regularidade, se vê publicidade de algumas companhias de aviação, que as nossas acompanham, normalmente quando se trata de novos destinos e novas rotas, com preços verdadeiramente ridículos quando comparados com aquilo que os açorianos pagam para se deslocar a Lisboa ou Porto.
Assim como, no continente português, o governo central subsidia as empresas de transportes, nomeadamente a Carris, a CP, os Metros etc. não é nenhum favor o facto de ter a seu cargo, nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, as obrigações de serviço público em matéria de transportes de pessoas nas suas deslocações tanto as inter-ilhas, como com a mãe-pátria.
Para finalizar só quero dizer que sinto pena de pertencer a um povo que, quando surge uma lei nova sobre qualquer matéria, o seu primeiro pensamento é o de: como contornar a lei.
Mas, isto é um mal genético. Os legisladores é que têm de abrir a “pestana”.

P.S. Texto escrito pela
antiga grafia.
15DEZ2024

Por: Carlos Rezendes Cabral

Edit Template
Notícias Recentes
SATA corta duas rotas e aumenta ligações ao continente português
Por cada casa para arrendar em Ponta Delgada há em média 26 contactos
Marinha coordena resgate de tripulante suíço ferido a 1100 milhas náuticas de São Miguel
“Terra Smart” e Marco Melo são os vencedores do Prémio de Inovação David Tavares
Projecto açoriano sobre o papel das mulheres no Espírito Santo conquista apoio internacional e prepara nova obra
Notícia Anterior
Proxima Notícia
Copyright 2023 Correio dos Açores