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Um outro Natal

O Natal é tempo de interrogações, umas postas, outras impostas, entre o faz de conta e o do faz a sério, cumprindo rituais com novas tendências em nome do valor da vida, do renascimento cristão e da humanitude, mas com a imposição da ostentação pública e privada, do consumo e do desperdício.
Tempo de interrogações impostas pela luminosidade que nos ofusca, pela artificialidade que oculta o quotidiano sombrio de vidas ignoradas e problemas latentes na sociedade. Um tempo também que nos dá jeito e mais ainda aos políticos, porque em nome de uma solidariedade renascida nesta época, descansam consciências e ideologias.
Que nunca se destrua o Natal. Melhor ainda que o Natal fosse todos os dias, assim defendem os que nesta época vêm reforço da solidariedade feita partilha; solidariedade e partilha que noutras ocasiões são menos evidentes, mas a sua eficácia depende de outras formas de encarar os pobres, os doentes do consumo e das dependências e os indigentes; forma complexa de pobreza material e social.
Dizem que é em jeito de balanço que em dezembro se fazem contas, cálculos e estatísticas sobre quase tudo e claro também sobre a pobreza. Estamos melhor dizem os otimistas, mas ainda somos os mais pobres, dizem os cálculos e estatísticas, em contradição com um otimismo que não é mais do que a constatação de uma derrota.
Derrota dos sistemas e dos homens que ao longo dos tempos e em nome de ideologias políticas, perpetuam desigualdades; a maior causa geradora da pobreza ou risco dela.
Falhou o Comunismo na sua pretensão de redistribuição de riqueza através de um Estado forte controlador de vidas e de bens; falhou o Capitalismo pela sua concentração de riqueza a qualquer custo; falhou o Liberalismo na sua não condução à igualdade de rendimentos, falhou o Neoliberalismo, cuja doutrina básica até pudesse estar correta, mas desregulado por falha de Estados com sistemas legais disfuncionais, incapazes de aplicar regras e de assegurar a transparência, impedindo monopólios e jogos de influência, fragilizando o Socialismo e a Social Democracia pelo experimentalismo, ausência de reformismo e de regulamentação, abrindo caminho ao Populismo, forma extrema de uma política que não é económica nem social, que apela para que lhes defendam a ca(u)sa para depois os deixarem a dormir na rua.
Um outro Natal existe e é possível numa democracia lutadora pelos direitos e dignidade das pessoas, integradora, com políticas sociais seguras em pilares de equidade de acesso a oportunidades e competências; reguladora da atividade económica, assegurando serviços e bens fundamentais, combatendo as desigualdades; mas também solidária, mesmo para os que, com igualdade de oportunidades as perderam; e para todos os vulneráveis da nossa sociedade.
Tempo ainda de esperança.
Sejam felizes. Até para o ano.

Por: Dionisio Faria e Maia

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