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Azorean International Film Festival começa esta Sexta-Feira e promete levar o cinema açoriano ao mundo

Nos dias 20 e 21 de Dezembro de 2024, decorre no Teatro Micaelense a primeira edição do Azorean International Film Festival. Este evento, de entrada livre, convida a comunidade a envolver-se no universo do cinema de arte/independente, sendo o público o responsável por eleger os vencedores das competições. Com o objectivo de destacar o cinema açoriano e aproximá-lo do panorama global, o festival celebra tanto produções locais como internacionais, criando oportunidades para novas colaborações entre cineastas. Nesta entrevista, Elliot Sheedy, director artístico e um dos mentores do evento, explica as motivações por detrás do festival e antecipa os momentos mais marcantes desta estreia que quer levar os Açores ao circuito internacional do cinema.

Correio dos Açores – O Elliot é nasceu dos Estados Unidos. O que o trouxe aos Açores e como descreve a experiência de viver e trabalhar como actor e cineasta num contexto tão diferente?
Elliot Sheedy (Director artístico do AIFF) – A minha parceira criativa e esposa, Sofia Caetano, é natural do Livramento, em São Miguel; e a verdade é que ela nem precisou de me convencer a mudar-me para uma ilha tão incrível como esta. Enquanto actor e cineasta, sinto que há realmente muita coisa a acontecer nos Açores e estamos a assistir a cada vez mais produções a ter lugar nesta região. Actualmente, estou focado na música para cinema e na pós-produção dos meus próprios projectos.

Como surgiu a ideia do Festival Internacional de Cinema dos Açores e quais foram as principais motivações para iniciar este projecto?
Eu e a Sofia Caetano tivemos a oportunidade de participar e visitar vários festivais de cinema ao longo dos últimos anos e ficou claro para nós o quão importantes são esses festivais culturais para o nosso desenvolvimento enquanto artistas e para as comunidades que beneficiam da sua presença. Vimos que existia um défice no panorama local em relação a este tipo de festival, e sentimos que 2024 era o momento ideal para lançar o projecto.

O festival pretende celebrar tanto o cinema açoriano como produções internacionais. Na sua opinião, qual a importância de eventos como este para tornar filmes, muitas vezes desconhecidos pelo público, mais acessíveis?
A exibição dos filmes, e de qualquer obra de arte em geral, é a última e mais importante etapa do processo. Este ato de partilha permite uma catarse e possibilita que o trabalho exista no contexto do zeitgeist (espírito da época) e da cultura de forma mias abrangente. Além disso, esta apresentação da obra permite que outros compreendam a sua existência e celebrem, ou rejeitem, as descobertas do artista ao longo da produção — e isso possibilita a criação de novas conexões.

A Mostra de Cinema Açoriano, no primeiro dia, é um dos destaques do festival. De que forma é que este programa pode promover produções locais e inspirar novos projectos cinematográficos?
É absolutamente importante apoiar artistas emergentes e em fases intermédias das suas carreiras. Acreditamos que mostrar esses filmes é o mínimo que podemos fazer para proporcionar uma plataforma de exibição; o trabalho precisa de ser visto e digerido pelo público para que o artista complete o ciclo da sua obra

Uma das secções do festival incide sobre a redescoberta de raízes perdidas no cinema açoriano, com destaque para o filme ‘O Diabólico Plano do Barão Voz Off’. O que inspirou a inclusão desta secção e qual o seu significado no contexto do festival?
Esta secção foi uma ideia de Francisco Afonso Lopes, que nos propôs a curadoria deste programa. É uma proposta interessante porque permite-nos abrir esta cápsula do tempo para observar a cultura mediática e uma representação da cultura açoriana de há muitos anos atrás. Isto representa, de forma modesta, a nossa vontade de ligar várias pessoas e gerações numa única audiência.

No segundo dia, o festival apresenta categorias competitivas com curtas-metragens de diversos géneros e públicos. Quais foram os principais critérios para a selecção destas obras e que mensagem espera que transmitam ao público?
O principal critério para seleccionar qualquer filme é: faz-nos dizer “uau…”? Queremos vê-lo novamente? Vale a pena partilhá-lo com os nossos amigos? Temos uma selecção diversificada de filmes, alguns de locais e a maioria de várias partes do mundo. A parte mais entusiasmante é que vamos ter uma noção do que está fresco (o que é que estes artistas estavam a pensar e a sentir nos últimos anos?). Além disso, temos o sentimento “global” de que estamos conectados com a humanidade no seu todo — e este é um sentimento muito bom para se absorver.

O festival inclui também jantares de networking e debates sobre produção cinematográfica. Qual o papel desses eventos paralelos na criação de oportunidades para cineastas, produtores e outros profissionais da indústria?
Acreditamos que estes eventos de networking são fundamentais para construir novas pontes e relações que, de outra forma, não existiriam. Todos sabemos o quão vazias podem ser as relações e reuniões pela internet. E não há nada como a comunicação presencial para estimular novas ideias e entendimentos — por isso somos firmes na ideia de que estes encontros presenciais devem existir e são um exercício obrigatório para qualquer profissional sério.

Para si quais são os pontos altos do programa desta primeira edição? Há algum momento ou actividade que considere especialmente simbólico ou inovador?
Pessoalmente, tenho um carinho especial pela música e acreditamos que a secção de videoclipes/filmes musicais vai ser incrível. É uma selecção um pouco ecléctica, mas é isso que a torna excelente — sobretudo porque, actualmente, as pessoas estão habituadas a ter o ‘algoritmo’ a sugerir as suas playlists, e esta será uma oportunidade de trazer a curadoria humana de volta às suas vidas, nem que seja por um breve momento

Este é um festival inclusivo e de entrada livre, com o público a servir de júri para as competições. Que impacto espera que esta abordagem tenha na criação de novos públicos e no envolvimento da comunidade local?
Queremos que as pessoas se envolvam o máximo possível. A produção cinematográfica começou como uma forma de arte elitista; e é uma pena que muitas pessoas nunca tenham a oportunidade de entrar neste mundo enquanto espectadores. Todos sabem o que é consumir televisão e filmes de entretenimento e nós queremos levar os filmes de arte/independentes às massas.

O que espera par ao futuro do festival e como acredita que ele pode redefinir a relação entre os Açores e o panorama cinematográfico global?
Esperamos que este festival de cinema reúna pessoas (velhos amigos, novos amigos, novas ligações profissionais e novas histórias).
Acreditamos no poder da arte e do cinema como ferramentas de construção da comunidade — e esta comunidade tem o potencial de envolver a cultura local e integrá-la no tecido mais amplo do cinema internacional.
Daniela Canha

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