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Turismo Cultural e Arte são os temas em debate na segunda edição dos Romanti Talks do Casino Azores

A segunda edição das RomantiTalks, iniciativa da Romanti Cultura, acontece hoje no Grand Hotel Açores Atlântico, às 18h30, e terá como tema “Turismo Cultural: A Arte como Produto Turístico – Que Caminhos Explorar?”. O evento conta com intervenientes de diversas áreas, como Catarina Paiva, Administradora do Turismo de Portugal, Sandra Garcia, Directora Regional da Cultura, João Constância, director do Museu Carlos Machado, e Kátia Guerreiro, fadista e comissária do Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026. Nesta entrevista, Ana Cristina Baptista, curadora do Casino Azores, explica-nos o conceito por trás deste projecto e convida todos a participar nesta discussão sobre o potencial da arte como motor para o turismo cultural nos Açores.

Como surgiram as RomantiTalks? Pode explicar-nos o conceito por detrás destes eventos?
Ana Cristina Baptista (curadora da Romanti Cultura do Casino Azores) – O Romanti Casino Azores queria complementar a oferta cultural da cidade e assumir-se também como um elemento estruturante do desenvolvimento dos cidadãos e, portanto, criou a Romanti Cultura. Ao criar esta extensão, desafiaram-me para fazer um projecto, o ‘Pontes Culturais’. E como o nome indica, é um programa que quer criar pontes: entre artistas; entre artistas e o público, a sociedade, as empresas e também criar pontes entre Açores e continente e, posteriormente, poder criar pontes internacionais.
A nível de programação, a ideia é que ela seja rica e diversificada. Vamos ter cerca de quatro exposições anuais e, para além disso, também teremos conferências e minicursos, como é o caso do ciclo de quatro palestras sobre cinema – desde o início do cinema à era digital – com o Mário Augusto que acontecem já no próximo mês de Fevereiro. Para além disso, teremos desde jantares com arte a provas de vinho e perfumes, tentando sempre surpreender e acrescentar.
Acima de tudo, queremos que o espaço do casino seja um ponto de encontro entre artistas, a comunidade local e quem visita os Açores. É esse o grande objectivo da Romanti Cultura.

Como avalia a primeira edição das RomantiTalks, dedicada à relação entre inteligência artificial e arte?
Foi muito interessante. Fui moderadora desta primeira talk e senti que todos os presentes, quer os oradores, quer o público, estavam muito motivados, até porque é um tema da actualidade e muito pertinente. Por ser um projecto muito recente, o facto é que as pessoas ainda vão ter que criar uma habituação a esta oferta, mas estas coisas também requerem tempo para difusão e para que pessoas comecem a pôr nas suas agendas. Mas, foi realmente uma talk muito interessante, como espero que seja esta segunda edição.

Quais foram as principais conclusões desse evento?
Essa primeira talk foi muito baseada na inteligência artificial ser, efectivamente, uma aliada ou uma ameaça. E foi muito interessante ver as perspectivas dos diferentes oradores: desde a jovem, que é a Margarida Andrade, artista plástica, em que, para ela, a inteligência artificial vai ser uma parceira, uma aleada. Depois, doutor João Constância que vê a inteligência artificial como uma oportunidade, mas que tem que ser bem ponderada e analisada em alguns aspectos porque, no que respeita ao campo da arte, é muito discutível pois remete para questões como os direitos e muitas vertentes com as quais é preciso ter muito cuidado. Já o Filipe, que trabalha essa área da inteligência e da computação, vê, obviamente, a inteligência artificial como algo que vai crescer exponencialmente. Depois, o Urbano tem uma atitude um pouco mais conservadora relativamente à inteligência artificial, mas creio que, no contexto geral, ninguém a vê verdadeiramente como uma ameaça, mas sim mais como um complemento. Até porque, como não podemos andar para trás no tempo, temos realmente que ter flexibilidade para contornar as coisas e avançar.

O que motivou a escolha do tema “Turismo Cultural: A Arte como Produto Turístico” para esta segunda edição?
Em primeiro lugar, o turismo é algo que está efervescente em Portugal, e o turismo cultural, nomeadamente a arte, pode ser um ponto importantíssimo relativamente ao turismo e à oferta do turismo.
Claro que há o turismo cultural que vai ao património imóvel e o turismo de natureza, no caso dos Açores em especial, mas nós queríamos discutir um pouco o ponto de vista da arte em si: de como poderemos desenvolver esse ramo do turismo. Hoje em dia, temos pessoas que vêem que está uma exposição ‘x’ ou ‘y’ em determinado país e viajam para esses locais só por isso. Portanto, nós não nos podemos esquecer desta vertente e, para além disso temos tão bons artistas e tão boa oferta que seria muito interessante motivar as pessoas para visitarem os Açores e, ao mesmo tempo, poderem usufruir da arte que existe cá. Ou seja, que galerias e ateliês, sejam eles de arte contemporânea ou de artesanato, possam ser um valor agregado ao valor do destino Açores.

“A Portugalidade ou, no caso dos Açores, essa regionalidade, que até varia de ilha para ilha – estará sempre presente. (…) Claro que a arte tem de evoluir e acompanhar o que se passa internacionalmente, mas sem perder a sua essência. Acredito que há formas de fazer isso, e está nas mãos do artista garantir que não perde de vista as suas raízes.”


Os intervenientes desta edição vêm de áreas distintas, como o património, a música e a museologia. Que contributos específicos espera que cada uma destas perspectivas venha trazer ao debate sobre o turismo cultural?
Sim. Nesta edição estará presente a fadista Kátia Guerreiro, que é a comissária do Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026 e também artista, e, portanto, será interessante perceber o que tem a adicionar a este assunto. Depois, também temos a Administradora do Turismo de Portugal, Catarina Paiva, que tem uma ideia mais alargada do que se faz e daquilo que se pode oferecer; a Directora Regional da Cultura, Sandra Garcia, que vai representar alguém que está no local e que tem um ponto de vista muito específico e importante, porque tem a visão da oferta e dos constrangimentos de quem visita os Açores. E o Director do Museu Carlos Machado, João Constância, e o professor Francisco Maduro-Dias, vão trazer a vertente mais artística e que certamente irá complementar e enriquecer esta talk, falando de possibilidades de oferta e de caminhos a explorar do ponto de vista daquilo que é o seu dia-a-dia.

A fadista Katia Guerreio e a Administradora do Turismo de Portugal vão estar presentes neste debate

Na sua opinião, como é que podemos aumentar o potencial turístico da arte, garantindo que continua a ser uma experiência autêntica e que respeita as suas origens?
Acredito que a divulgação é um ponto muito importante, e não digo só no caso dos Açores, porque, no país em geral, nós temos alguma dificuldade de entrar internacionalmente; há casos pontuais de sucesso, mas ainda há alguma dificuldade porque não temos grande divulgação e há artistas muito bons que são desconhecidos do grande público internacional. Portanto, a divulgação é algo muito importante, e o Turismo de Portugal pode ajudar, e muito.
Relativamente aos artistas dos Açores, o projecto da Romanti tem sempre as ‘pontes’ em mente: ir buscar artistas açorianos, mas pô-los a dialogar com outros artistas do continente ou internacionais e também divulgar as suas criações. Também iremos trabalhar com artistas emergentes, quer de um local, quer de outro; portanto, é uma forma de se conhecerem e de se darem a conhecer e de projectar o que se faz nos Açores.
Quanto a garantir que a arte continua fiel às suas origens, acho que este será um tema muito interessante para ouvir no debate de amanhã (hoje), porque realmente este ponto é muito importante e interessante. Mas eu acho que isso é perfeitamente possível a arte desenvolver-se sem perder a sua autenticidade. A arte vai evoluindo com o tempo, através de movimentos e novas interacções, mas acredito que a sua raiz – a Portugalidade ou, no caso dos Açores, essa regionalidade, que até varia de ilha para ilha – estará sempre presente. Porque no fundo é o artista quem a cria, é ele carrega essa raiz com muito orgulho, e isso faz com que ela nunca se perca. Claro que a arte tem de evoluir e acompanhar o que se passa internacionalmente, mas sem perder a sua essência. Acredito que há formas de fazer isso, e está nas mãos do artista garantir que não perde de vista as suas raízes.

Os Açores têm capacidade de se afirmarem como um destino cultural? Que aspectos da identidade cultural açoriana poderiam ser mais trabalhados para atrair este tipo de turismo?
Os Açores têm imensa capacidade para se afirmarem como um destino cultural a variadíssimos níveis, mas, no que toca ao turismo cultural, penso que há pontos muito importantes. E já há museus e agentes locais que trabalham nesta área e que já fazem coisas importantíssimas e de grande relevo.
No fundo, a ideia aqui é como divulgar – melhorar e acrescentar – mais essa parte, porque ela já existe. E porque quanto mais houver agentes culturais e instituições que possam contribuir para que isso aconteça, mais massa crítica vai existir, e isso é o fundamental para atrair as pessoas.
Foco muito o ponto da divulgação porque ao longo de todos os anos que trabalhei nesta área, aquilo que noto sempre é que a nossa arte está pouco divulgada, a nossa cultura está pouco divulgada e, tirando alguns nomes, não há reconhecimento. Quando falo deste ou daquele artista, as pessoas não conhecem, mas depois vêem a sua obra e gostam. Por isso, acredito que o mais importante é divulgar, mostrar como realmente temos imensa qualidade e estamos ombro a ombro com artistas internacionais.

Que impacto espera que esta segunda edição das RomantiTalks tenha na criação de novas estratégias ou iniciativas no sector turístico e cultural dos Açores?
Estou com muita esperança, porque temos um leque de pessoas que podem contribuir imenso para isso com as suas ideias. Para além disso, quer o Turismo de Portugal, quer a própria Direcção Regional da Cultura, são instituições poderão ajudar a implementar caminhos que possam surgir nestes diálogos.
Como referi antes, o objectivo da Romanti é sempre o de complementar a oferta e trazer alguns assuntos para debate – temas que achamos que são importantes e estruturantes para os Açores. E é essa a nossa perspectiva: ajudar a divulgar, trazer novidades e complementar a oferta existente.

Que expectativas tem para esta segunda edição doa RomantiTalks?
Tenho grandes expectativas. Espero que muitas pessoas participem e que, com a sua colaboração, possamos moldar o debate de forma a alcançar uma conclusão. A minha mensagem final é que gostaria que as pessoas aceitassem este desafio e estivessem presentes para discutir um tema que é relevante para elas, nomeadamente, a oferta que pode impulsionar os Açores e, em particular, Ponta Delgada. Quanto maior for a oferta e a sua qualidade, maior será, certamente, o retorno.


Daniela Canha

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