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“O humor português tem uma forma única deconectar as pessoas, e é isso que tento trazer ao palco”, afirma o comediante açordescendente Mike Rita

Mike Rita, comediante açordescendente e o primeiro da sua família a nascer fora dos Açores, partilha com os leitores do nosso jornal a sua visão sobre a comédia, o humor e o poder do riso. Nascido no Canadá, mas com raízes profundas na cultura açoriana, Mike leva a sua comédia para o mundo. Em entrevista ao Correio dos Açores, o nosso interlocutor explica porque vê o humor como uma necessidade humana essencial, capaz de trazer luz aos momentos mais sombrios, e acredita que o humor pode ajudar as pessoas a lidar com os desafios da vida.

Correio dos Açores – Como comediante, como vê o poder do riso em unir as pessoas, especialmente num dia como o Dia Internacional do Riso?
Mike Rita (Comediante) – Não é apenas importante, mas uma necessidade humana básica para a felicidade e alegria no dia a dia. Quanto mais escura a vida se torna, mais luz o riso pode trazer.

Na sua opinião, como é que o humor nos ajuda a lidar com os desafios da vida, sejam eles pessoais ou globais?
Independentemente do problema, o riso é uma forma de humanizar a maioria das coisas. Pensem na vossa própria vida, tenho a certeza de que já houve um momento em que as coisas pareciam difíceis, e então alguém soltou um “peido”. E as coisas pareceram um pouco melhores e às vezes é tão simples quanto isso.

Tem alguma história de um momento em que a sua comédia fez realmente a diferença para alguém?
Recebo tantas mensagens bonitas todos os anos, em que as pessoas partilham a minha comédia com os seus pais, irmãos doentes e amigos de coração partido, para os ajudar a ultrapassar momentos difíceis. Honestamente, esta é a parte mais gratificante do meu trabalho como comediante, saber que, por vezes, as pessoas usam a minha comédia como uma forma de se elevar a si mesmas e às pessoas à sua volta.

A sua comédia muitas vezes inspira-se nas suas raízes portuguesas. Como é que o seu património cultural inspira o seu material e como é que o público reage a isso?
99% da reacção do público é positiva, essas pessoas adoram e conectam-se realmente com os temas de que estou a falar: a experiência portuguesa vista de uma perspectiva açoriana. Seja gente do Porto ou de Ponta Delgada, milhares de pessoas têm seguido e apreciado a minha comédia, e é lindo ver e sentir uma conexão tão grande de todas as partes do mundo.

O que acha que torna o sentido de humor português único? Notou alguma diferença entre os públicos em Portugal e no Canadá?
Somos engraçados em casa, somos engraçados nos cafés e bares, o humor e o riso fazem parte das nossas vidas e comunidades, mas, por alguma razão, especialmente na América do Norte, nunca levámos isso realmente para os palcos. Felizmente, pessoas como os Portuguese Kids abriram os públicos ao nosso estilo de comédia e agora quase não há diferença. Os públicos europeus entendem que o que fazemos é diferente, e isso faz parte da experiência.

Já actuou para públicos açorianos? Tem alguma mensagem especial para eles?
Sim! Já fiz muitos espectáculos em São Miguel, na Ribeira Grande e em Ponta Delgada, e no ano passado também fizemos espectáculos em São Jorge, Santa Maria e Terceira!
E, se nos apanharem na noite certa, fazemos espectáculos na Ribeira Quente, no ‘O Dinis’. Custo? Asas de frango e uma cerveja!

Qual é a parte mais desafiadora de ser comediante e como mantém o seu material fresco? Baseia-se mais em experiências pessoais ou em observações do mundo à sua volta?
A parte mais desafiante da comédia é a incerteza do amanhã: será que o meu cérebro ainda será capaz de criar e, mais importante, de desfrutar do processo de criar comédia? E acredite, é um processo. Criar, relaxar, pensar, reescrever, cem vezes! Só para uma piada. É isso que parece ser alguém que depende dos seus pensamentos para ganhar a vida. É o trabalho mais divertido do mundo, mas às vezes preciso de uma sesta de tanto pensar!

Que conselho daria a alguém que queira usar o humor como forma de se conectar com os outros ou melhorar a sua saúde mental?
Se querem usar o humor para se conectarem com os outros, comecem pequeno, conheçam o vosso público, seja uma pessoa num jantar ou dez pessoas numa reunião de trabalho. Quanto melhor conheceres o teu público, mais fácil será conectares-te com eles através da comédia.
Usar o humor ou a comédia para ajudar com problemas de saúde mental deveria ser ensinado nas escolas. Quando me sinto mal, quando estou deprimido, encomendo uma pizza, ponho os Simpsons ou o Seinfeld e encontro a minha paz. A vida não é perfeita, as coisas são difíceis para todos, e às vezes só precisamos de umas mini-férias em casa para relaxar e recarregar energias. A comédia pode sempre ajudar com isso.

Qual é a principal lição que aprendeu como comediante sobre a importância do riso no dia a dia?
Descobre o que te faz feliz, descobre o que o faz rir e procura isso todos os dias. A vida vai melhorar instantaneamente. Prometo.

Pretende acrescentar mais alguma informação no âmbito desta entrevista?
Quero dizer um olá para as minhas tias e tios da Ribeira Quente, a freguesia com as melhores asas de frango e a melhor praia de São Miguel. E, claro, um enorme obrigado a todos os açorianos e portugueses que me demonstram carinho. Vejo e sinto toda a vossa energia.
Filipe Torres

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