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Consolidar a Autonomia

O título deste trabalho assume a natureza dum alerta que se me afigura oportuno. Não podemos esperar que o mal aconteça para pormos trancas na porta.
O Mundo está a evidenciar uma acelerada evolução cultural, económica e politicamente desconstrutiva, ainda sem final integralmente definido.
Por um lado, o extremo Ocidente – orientado pelos Estados Unidos – renuncia a prosseguir o caminho da globalização económica e prefere recuperar a doutrina mercantilista do passado no relacionamento comercial internacional: aumenta impostos – tarifas – sobre importações obrigando a economia nacional a substituí-las por produção interna. Concomitantemente, o extremo Oriente –orientado pela grandiosa China – procura aproveitar-se das fragilidades estruturais e das quebras de produção do Ocidente e Sul – Europa e África – para ampliar as suas exportações através do investimento direto estrangeiro que consiste na aquisição das indústrias ocidentais que vão fraquejando e ameaçando cessação da atividade.
Os conflitos bélicos no leste da Europa e na sua proximidade têm como objetivo final acabar com a sua influência cultural, reduzir território e sustar a sua supremacia tecnológica.
Associados e facilitadores do cumprimento da nova estratégia económica dos Estados Unidos e da China, que ainda não se conhece o grau de combinação, são os conflitos bélicos regionais e o paralelamente promovido “engrandecimento da América” que não dispensa a ampliação do seu próprio território” para Norte, pressionando a Gronelândia e o Canadá.
O futuro imediato será caracterizado por uma acentuada instabilidade da diplomacia internacional, por novos focos de conflitos e por fortes perturbações nos mercados e nas cadeias de distribuição de produtos, componentes essenciais, fontes de energia e comunicações hoje já ameaçadas com a destruição dos cabos submarinos.
A manter-se ou – o que é pior e não descartável – a desenvolver-se o actual estado de coisas e de relacionamento entre as Nações de um lado e do outro do Mundo, os Açores têm de olhar e cuidar de si próprios, o que de algum modo ao longo de toda a sua história sempre fizeram. Porém, agora dispõem de autonomia política e administrativa que é necessário consolidá-la para a salvaguardar.
Independentemente do respeito pelos princípios da coesão e da solidariedade nacional, os Açores têm de, ir cuidando política e economicamente de si próprios através de bons e efetivos instrumentos de gestão financeira que assegurem o equilíbrio financeiro e o investimento que assegure o crescimento da população e não o seu decréscimo – a vontade de ficar e não a de zarpar.
Considerando a sua localização estratégica entre a Europa e a América e mesmo a Gronelândia, a consolidação da autonomia não significa que os Açores se fechem sobre si próprios a aguardar o que o pode e lhe vai acontecer desvalorizando a sua extensão de mar, a sua geografia e a sua utilidade para terceiros que bem sabem qual é.
Tenhamos presente que Portugal subscreveu com os Estados Unidos um Acordo sobre facilidades a conceder aos Estados Unidos para utilização da “base aérea das Lajes”, na ilha Terceira e mesmo outras (marítimas e não só) na ilha de S. Miguel, quando necessário.
O porto de Ponta Delgada disponibiliza um cais para a Nato. Há muitos anos atrás – cerca de 50 – a Nato ainda chegou a admitir a hipótese de instalar na ilha da S. Miguel um centro de comunicações que ligasse todas as suas instalações dispersas pelo Mundo. Hoje, os centros de comunicações denominam-se “data centres” que usam cabos submarinos como veículos de transmissão.
Esta reflexão necessariamente limitada creio que sugere que sejam organizadas uma ou duas conferências ao longo de 2025 sobre os Açores e a Autonomia Político-Administrativa no contexto internacional atual. Não é necessário que seja o Governo Regional a encarregar-se da tarefa: a componente política envolvente é forte, mas a estratégica, e económica são bem mais.

Por: Álvaro Dâmaso

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