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Acorda, Europa!

As nações deste vasto continente precisam unir-se e enfrentar, com coragem e determinação, os desafios que ameaçam a nossa prosperidade e liberdade. É crucial que os líderes, os cidadãos e as instituições, trabalhem juntos na construção de um futuro mais justo e sustentável, onde a diversidade seja respeitada e a inovação incentivada. Somente assim poderemos garantir a continuidade da nossa relevância no cenário global, assegurando um legado de paz e progresso para as futuras gerações. O que o passado recente nos mostra, com especial ênfase no século XX e nos primeiros 25 anos de XXI, são fases alternantes de prosperidade e decadência, pontuadas por tremendos e arrasadores conflitos internos, de que foram exemplos no século passado a as guerras de 1914-18 e de 1939-45. Hoje, mais do que nunca, é imprescindível que nos unamos em prol de um bem maior. Devemos investir em educação, na promoção de valores democráticos e na defesa dos direitos humanos, garantindo a inclusão de todos os indivíduos, independentemente da sua origem étnica, religião ou orientação sexual. A tecnologia deve ser utilizada como uma ferramenta para a transformação social, promovendo o desenvolvimento económico, a par com a inovação. Além disso, é vital que implementemos políticas ambientais rigorosas que preservem os recursos naturais e combatam as mudanças climáticas, numa transição progressiva que esbata choques e limite oportunismos gananciosos. Se conseguirmos integrar essas açõesdentro duma estratégia comum, evitando submissões ocultas, poderemos (re)construir um Velho Continente mais resiliente e próspero, capaz de liderar com confiança e determinação os desafios do século XXI.
Não será uma tarefa fácil, nem sequer sabemos se será possível, tendo em consideração o que nos demonstra o passado recente e o corrente presente. Contudo, há 4 pilares essenciais para construir uma via positiva para uma Europa com futuro: a retoma do projeto político da União Europeia em novos moldes; a revigoração da produção industrial, agroalimentar e de exploração de recursos maturais; a recuperação da liderança científico-tecnológica, onde os europeus ainda são mestres nalgumas áreas; finalmente, a manutenção de um quadro social que continue a distinguir a União Europeia do resto do mundo em termos humanísticos — o que só será viável se os 3 pilares anteriores forem realizáveis. No entanto, para que esses pilares possam consolidar-se de maneira efetiva, é necessário que haja uma vontade política robusta e um compromisso inabalável por parte de todos os EstadosMembros. A cooperação intergovernamental deve ser mais fortalecida, permitindo que as diferenças sejam resolvidas através do diálogo e da negociação, em vez de conflitos e divisões. Além disso, é fundamental que os investimentos sejam direcionados para áreas estratégicas, como a infraestrutura digital e a investigação científica, promovendo uma economia baseada no conhecimento. A solidariedade entre as nações europeias deve ser a base da nossa união, garantindo que as regiões mais vulneráveis recebam o apoio necessário para prosperar. Isso incluirá programas de redistribuição de recursos e incentivos para a inovação social, que visem reduzir as disparidades socioeconómicas, encorajar a participação cívica e o comprometimento dos cidadãos na tomada de decisões políticas. também será crucial para fortalecer a democracia e assegurar que as políticas adotadas reflitam verdadeiramente os anseios e necessidades das populações. Com um esforço coletivo e uma visão compartilhada, a Europa poderá reinventar-se e emergir mais forte, unida e preparada para os desafios futuros, estabelecendo um modelo de cooperação e progresso que poderá inspirar o resto do mundo. Aqui reside uma das vantagens da globalização mediática, que sairá reforçada quando a computação e a internet quânticas se tornarem realidade aplicável.
O primeiro passo para a União Europeia acordar do letargo em que o seu próprio sucesso a mergulhou, é reconfigurar o projeto do fracassado Tratado Constitucional, dando-lhe flexibilidade suficiente para se adaptar à realidade de um mundo em permanente alteração, onde a instabilidade e incerteza serão dominantes.
Neste enquadramento, é igualmente urgente rever o processo decisório, acabando com a regra da unanimidade, que permite a um qualquer Estado Membro bloquear medidas vitais, substituindo a unanimidade pela votação por maioria qualificada. Os resultados serão imediatos e positivos, conferindo nova dinâmica ao conjunto. Para tal, é indispensável que a União Europeia se deixe de rodriguinhos, lutando novamente por uma Constituição, não por umas meias-tintas como os tratados pelos quais atualmente se rege. Há 20 anos, juntamente com o Dr. Paulo Casaca, ex-docente da Universidade dos Açores e também antigo eurodeputado, aderi ao Partido Federalista Europeu, um nado-morto que rapidamente abandonei, ao perceber que era mais uma cópia desinteressante de outras iniciativas semelhantes. E é pena, porque continuo convencido que a via federal, ainda que num modelo sui generis, parece ser a única capaz de dar à Europa a relevância global que está ao seu alcance. Relevância que já existe na Ciência e Cultura — 562 Prémios Nobel, atribuídos a 27 países da UE +Reino Unido, contra 420 dos Estados Unidos –e poderia ser muito maior, se os países europeus se unissem. Acorda, Europa!

Por: Vasco Garcia

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