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Construção do Núcleo Museológico na Fábricado Açúcar é a proposta que reúne maior consenso

A construção de um Núcleo Museológico onde os locais e turistas possam apreciar, ao longo do tempo, como se produzia álcool e açúcar a partir de beterraba sacarina e batata-doce, é a proposta que reuniu mais consenso para o espaço central das antigas instalações da SINAGA onde se encontra ainda parte dos antigos equipamentos. Isto depois de há três anos, se ter desmantelado alguns equipamentos para serem transportados para a sucata e se começar a abrir alguns dos telhados dos edifícios, uma actuação que foi travada por uma acção popular no Tribunal Judicial de Ponta Delgada.
Esta proposta do Núcleo Museológico foi manifestada pela maioria das centenas de pessoas que estiveram ontem presentes no debate que se realizou nas instalações da SINAGA à procura das soluções mais ajustadas para o espaço das antigas instalações da fábrica.
No debate, outras das sugestões com maior adesão foram a de criação de espaços verdes, de zonas multi-culturais e de construção de habitação. A solução mais polémica foi a de construção de uma central de camionagem que, segundo alguns dos intervenientes, deve ser construída nos limítrofes da cidade de Ponta Delgada.
No debate estiveram presentes, o Secretário das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas; o Presidente da Câmara de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral; e o Presidente da Junta de Freguesia de Santa Clara, António Cabral.
Todos os participantes tiveram a oportunidade de escrever num cartão as sugestões que têm para as instalações da antiga SINAGA e colocar o cartão numa caixa antes de uma visita a todo o velho complexo industrial.
A sessão começou com uma intervenção do Presidente da Secção Regional da Ordem dos Arquitectos, o arquitecto Nuno Costa que começou por nomear a comissão de trabalho que vai recolher todas as sugestões e definir uma estratégia e encontrar uma solução conciliadora e exequível para a intervenção e requalificação da Fábrica do Açúcar, em Ponta Delgada; e da Fábrica do Álcool, na Lagoa.

Um breve historial

Na altura, Nuno Costa fez um breve historial do que começou por ser, em 1886, a Fábrica da Destilação de Álcool de Santa Clara que surgiu “após o declínio da economia da laranja e aproveitando a conjuntura favorável ao cultivo da beterraba, e mais tarde, da batata-doce, proporcionada pelas condições climatéricas e pelo terreno fértil”.
Chegaram a existir cinco fábricas do álcool na ilha de São Miguel. No entanto, no período áureo de produção de álcool na Região, o Ministério da Fazenda “introduziu taxas de captação de dinheiro, o que provocou profundas reacções na época, tanto da parte dos investidores, como da parte da própria classe trabalhadora”.
“Para agravar ainda mais a revolta na Região, sabia-se que os lucros da indústria açoriana do álcool eram para aplicar na construção de caminhos-de-ferro em Portugal continental, inclusive, há teses que defendem que esta agitação, que ocorreu, de 1893 a 1895, conduziu ao chamado primeiro movimento autonomista, que deu origem ao decreto de 2 de Março de 1895, com o respectivo reconhecimento da autonomia administrativa do arquipélago.”
“Logo no início do século XX, por Decreto de 1901, que visava defender os interesses da indústria continental, veio limitar a produção de álcool nos Açores. nesta altura, os Açores, que já produziam 10 milhões de litros de álcool por ano, tanto quanto POortugal consome actualmente, viram por decreto da República a produção do álco9ol reduzida para 2 milhões de litros por anoo.”
A Fábrica do Açucar “passou por diversas crises e processos de ampliação e modernização, tendo indub9itavelmente, contribuído para a economia e para o desenvolvimento da ilha de São Miguel, tanto para consumo local quanto para exportação.”
“Sendo o maior complexo industrial edificado nos Açores até meados do século XX, hoje, a antiga Fábrica do Açúcar é considerada um património histórico e identitário, que representa a memória da economia do período áureo da industrialização nos Açores.”
Mas, concluiu o arquitecto Nuno Costa, “atendendo ao seu estado actual, como podemos recuperar este património industrial e dar-lhe um novo propósito?” – o mote para o debate que se realizou ontem.

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