A Comissão Europeia vai investir 4 milhões de euros na formação profissional de jovens dos Açores e de outras ilhas europeias para aumentar as oportunidades de emprego, facilitar a integração no mercado de trabalho e fortalecer as economias locais. Este projeto da União Europeia (UE) é liderado pela universidade portuguesa Iscte, é o primeiro dedicado exclusivamente a regiões insulares e abrange também a Região Oeste da Irlanda, as Ilhas do Egeu, na Grécia, e a Sicília, em Itália.
O programa “OVER-SEES: VET Excellence Leadership for the Twin Transition in European Islands” centra-se na qualificação de jovens em setores estratégicos para as economias das ilhas através de cursos gratuitos nas áreas da agricultura e do turismo sustentável, da transformação digital e das energias renováveis. Estas formações serão definidas com base nas especificidades de cada ilha, garantindo que respondem às necessidades das empresas locais e que estão alinhadas com as estratégias de desenvolvimento regional.
“Os cursos irão garantir que os jovens das ilhas abrangidas pelo projecto vão ter acesso a formação de alta qualidade, alinhada com as necessidades do mercado de trabalho em que estão inseridos e com as potencialidades de cada região”, afirma Francisco Simões, professor e investigador do Iscte e coordenador do programa OVER-SEES: VET, citado numa nota enviada às redacções.
“Nestas regiões, muitas empresas locais carecem de recursos para se expandirem, ao mesmo tempo que os jovens têm dificuldades no acesso a formação em áreas económicas estratégicas para estes territórios”, descreve o investigador. “Os jovens, além disso, encontram obstáculos para conseguir empregos dignos que contribuam para a dinamização das economias e para a melhoria das suas próprias condições de vida”.
Os desafios enfrentados pelos jovens nestas regiões são muito significativos. Em média, entre 10% e 20% dos jovens nas ilhas europeias encontram-se desempregados, número acima da média dos seus países. A taxa de abandono escolar precoce também é elevada — nos Açores mais de 20% dos jovens não concluem o ensino secundário, valor muito acima da média nacional.
Muitos jovens não estudam, não trabalham, não estão em formação. “Estes dados evidenciam os desafios enfrentados pela região na qualificação dos jovens, contribuindo para uma elevada percentagem de jovens que não estudam, não trabalham, nem estão em formação nos Açores e nas restantes regiões insulares da Europa”, afirma Francisco Simões. “Esperamos não só capacitar os jovens, mas também valorizar o seu papel nas comunidades, ajudando-os a construir carreiras promissoras sem precisarem de sair das suas ilhas”, afirma Francisco Simões, citado no mesmo documento.
A iniciativa será desenvolvida em três fases ao longo de quatro anos. Numa primeira fase, serão criados os cursos e um programa de orientação profissional, com forte participação dos jovens na sua organização. Numa segunda fase os cursos terão uma fase experimental para garantir que realmente ajudam os alunos e respondem a necessidades reais do mercado de trabalho. Numa terceira e última fase, os cursos serão disponibilizados gratuitamente e os resultados obtidos serão partilhados com os governos locais, acompanhados de sugestões para melhorar as políticas públicas nestas áreas. Segundo Francisco Simões, “esta metodologia irá permitir ajustar os cursos às necessidades reais dos jovens e do mercado, garantindo que são efetivos e sustentáveis a longo prazo”.
Este projeto está alinhado com os desafios da transição ecológica e digital, ajudando as ilhas a adaptarem-se aos desafios ambientais. “Como muitas destas regiões são vulneráveis às mudanças climáticas e têm economias frágeis, criar condições para um mercado de trabalho mais forte e inovador é essencial para garantir o seu desenvolvimento”, explica o investigador do Iscte.
O projecto “OVER-SEES: VET Excellence Leadership for the Twin Transition in European Islands” foi selecionado no âmbito do programa Erasmus+ e envolve um consórcio de 17 beneficiários e 14 parceiros associados dos quatro territórios insulares europeus. Para além da coordenação do Iscte, a iniciativa conta com a participação de diversos Centros de Excelência Vocacional de toda a Europa que vão colaborar no desenvolvimento dos cursos e na partilha de boas práticas, lê-se ainda na nota divulgada.
