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Compareçam porque merecem o nosso aplauso

Nunca escrevi para jornais. Senti necessidade de fazê-lo para dar o meu modesto e talvez irrelevante contributo para alertar os micaelenses que se interessam pelo futebol, de quão importante será comparecerem neste sábado no estádio de São Miguel, pelas 14h30.
Os jogadores, a equipa técnica, o vasto grupo de elementos no campo e administrativo, onde se incluem o sr. Bruno Vicintin, o pai sr. Ricardo e a administração da SAD, que diariamente contribuíram para duas épocas de grande nível da equipa do Santa Clara, merecem o aplauso de um número muito superior de espectadores do que tem sido habitual.
Depois de ter sido promovido da II Liga, transitar para o campeonato principal com a maioria do plantel campeão daquele escalão, incluindo muitos jogadores que estiveram na época negra da descida, não pode passar despercebido e sem a devida gratidão por elevarem o nome dos Açores, porque, sim, em toda a localidade por onde passa, é o Santa Clara dos Açores.
Não esqueço quão destroçados, ridicularizados, intitulados de incompetentes e sem valia foram os muitos jovens jogadores que a poucos dias do arranque do campeonato de 2022/23 chegaram a uma terra e a uma prova desconhecidas. Hoje os passes de Gabriel Batista, MT, Adriano Firmino e Gabriel Silva, para além de Ricardinho, valem muitos milhões. Afinal tinham razão quem os trouxe!
Será, provavelmente, a oportunidade de nos despedirmos de alguns deles. Estou certo que vão partir para clubes estrangeiros com outras capacidades financeiras, inseridos em campeonatos mais vibrantes e apaixonantes porque as pessoas vivem, sentem e apoiam as equipas das suas localidades.
Reconheço que este apelo pode não ter reflexo na mudança de uma inexplicável ausência de espectadores afectos ao futebol.
Numa ilha com cerca de 137 230 habitantes, que lhes oferece o futebol do mais alto nível do país, não existem 4 a 5 mil para apoiarem a equipa que lhes dá identidade. Mesmo muitos daqueles que só lá vão apoiar o Benfica, o Sporting e o FC Porto compareçam amanhã.
Entendo parcialmente o que afasta as pessoas que gostam de futebol dos jogos do Santa Clara. São fiéis adeptos dos chamados “três grandes”. Por isso admiro as gentes de Guimarães, de Famalicão, de Vizela, de Braga, de Setúbal, de Faro, do Marítimo da Madeira, de Chaves, entre outros, porque os clubes desempenham um papel vital na construção da identidade colectiva das comunidades. São um pilar agregador de socialização, reforçando a coesão identitária, de partilha social da comunidade e de auto estima colectiva.
Faço vários quilómetros para estar na bancada a apoiar o Santa Clara. Não deixo de fazê-lo ao clube da minha freguesia, que se dedicou e bem ao futsal. Vejo próximo de mim os presidentes dos clubes Capelense SC e Marítimo SC. Falo com continentais que residindo na ilha há muitos ou há poucos anos sentem o Santa Clara porque estão inseridos na ilha. Vejo, igualmente trajando a rigor, estrangeiros que passaram a residir na ilha de São Miguel. Onde estão os micaelenses? Custa a entender.
Recordo que esta equipa do Santa Clara, onde estão todos, todos, todos, esteve várias jornadas no quarto lugar, muitas no quinto e agora no sexto no campeonato, onde nenhum outro clube a pode alcançar. É uma posição que dá acesso à Taça da Liga da nova época. Esteve envolvido na Taça da Liga, perdendo com o Benfica na Luz, e na Taça de Portugal foi afastada nos oitavos de final, em Lisboa, pelo Sporting, mas só no prolongamento e com um auto golo. Não se pode pedir mais.
A finalizar este meu primeiro texto jornalístico, escrito com alma e com desgosto, reforço o apelo de comparecerem ao jogo com o FC Famalicão (por sinal a “besta negra” do Santa Clara nos quatro jogos da I Liga) transcrevendo o que o professor universitário dr. João Cabral, escreveu na rede social do Santa Clara SAD:
“O meu muito obrigado aos jogadores, equipa técnica e demais envolvidos nesta grande campanha protagonizada pelo CD Santa Clara, nesta época, na Liga Profissional de Futebol. Foi uma época de sonhos e de grandes jogos. Estes Bravos já mereciam ter um estádio cheio a apoia-los, só mesmo para eles e não para quando apenas estão cá as grandes equipas. Eles foram o nosso orgulho e deviam sentir por parte da comunidade, isso mesmo: que o trabalho deles não foi em vão. Apesar de profissionais, também são pessoas e como todo qualquer ser humano, um carinho especial nunca é demais, especialmente para quem nos possibilitou tantas, mas tantas emoções. Todos eles ficarão na nossa memória e a sua história irá ficar gravada para sempre no coração de cada Santa-clarense”. Acrescento: e não só!

José Nunes Azevedo

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