Aqui lembro com carinho e saudade Artur da Cunha Oliveira (1924-2018), que foi grandiosa e multifacetada personalidade dos Açores: teólogo, professor, político, escritor e intelectual com grande influência no meio cultural e religioso açoriano. Aqui fica uma síntese da sua vida e principais contributos.
Nascido a 30 de Setembro de 1924, em Lawrence, Massachusetts, filho de mãe graciosense e pai micaelense, regressou ainda criança aos Açores, fixando-se no Guadalupe, na ilha Graciosa. Iniciou os estudos no Seminário Episcopal de Angra e, no final da década de 1940, partiu para Roma, onde frequentou a Universidade Gregoriana e o Pontifício Instituto Bíblico. Formou-se em Sagradas Escrituras, Teologia Dogmática e Ciências Bíblicas, convivendo com as correntes modernas do pensamento teológico que marcaram a sua visão crítica e aberta.
De regresso aos Açores nos anos cinquenta, torna-se professor no Seminário de Angra, é nomeado cónego da Sé Catedral e actuou como Assistente de Movimentos Diocesanos. O seu dinamismo levou-o também à fundação do Instituto Açoriano de Cultura e foi Secretário permanente das Semanas de Estudo dos Açores.
Mais tarde, a partir da década de setenta, iniciou a sua carreira política e administrativa, como presidente da Comissão Administrativa da Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo e como fundador e director do Departamento Regional de Estudos e Planeamento dos Açores (DREPA). Na década seguinte, dedicou-se ao jornalismo e à reflexão pública, como director do jornal “A União”, e representou os Açores no Parlamento Europeu entre 1989 e 1994. Foi ainda presidente da Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo.
Intelectual atento e interveniente, deixou-nos inúmeras obras teológicas, conferências e artigos sobre Fé, Ciência e Sociedade, sempre defendendo o diálogo e combatendo o “psitacismo cultural”, a repetição acrítica de ideias.
Partiu em 2018, em Angra do Heroísmo, com 93 anos. Neste ano e mês em que se assinala o centenário do nascimento de Cunha de Oliveira, prestamos justa homenagem a uma vida marcada pela dedicação, pela integridade e pelo exemplo. O seu legado permanece como inspiração para as gerações presentes e futuras, recordando-nos da força dos valores que cultivou e da relevância da sua contribuição para a sociedade.
A Cunha de Oliveira pelos 100 anos do seu nascimento, sendo um exemplo de vida numa memória que inspira.
Carlos Amaral
30 de Setembro de 2025
