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Flotilha humanitária rumo a Gaza enfrenta risco de intercepção israelita sem protecção militar da UE

A missão humanitária da Flotilha Global Sumud, composta por mais de cinquenta embarcações, navega em águas internacionais rumo à Faixa de Gaza, após ter deixado o porto de Creta. O objectivo declarado é romper simbolicamente o bloqueio imposto por Israel ao território palestiniano. No entanto, como adianta a “Euronews”, as autoridades israelitas já afirmaram que não permitirão a chegada da missão, e os navios militares destacados pela União Europeia não terão autorização para intervir em caso de ataque.
Segundo Tony La Piccirella, porta-voz do grupo e antigo tripulante do navio Handala, que no ano passado tentou alcançar Gaza, a flotilha encontra-se a pouco mais de 400 milhas náuticas do enclave. O activista sublinhou que, em quatro dias, os barcos entrarão na zona onde missões anteriores foram interceptadas pelas forças navais israelitas. A bordo das embarcações seguem jornalistas, médicos e activistas internacionais. Outras expedições partiram de Catânia no Sábado, enquanto o navio Conscience, com capacidade para transportar cerca de cem pessoas, deverá zarpar nos próximos dias.
La Piccirella acrescentou que o navio italiano Alpino acompanha discretamente a flotilha, ainda que fora do campo de visão. Também o navio espanhol Furor deverá integrar a missão de acompanhamento, embora sem possibilidade de intervir militarmente. Outros países europeus consideram o envio de embarcações militares de apoio.
Em comunicado, Maria Elena Delia, porta-voz da delegação italiana da flotilha, destacou que os barcos atravessaram uma noite difícil devido ao mar agitado e à presença de drones, cuja origem permanece incerta, podendo ser israelitas, da Frontex ou da Marinha grega. Delia, que abandonou a expedição para regressar a Itália, revelou ter sido pressionada pelo governo de Giorgia Meloni a enviar a ajuda humanitária por via de Chipre, através do Patriarcado de Jerusalém.
Entretanto, representantes da flotilha preparam-se para se reunir com membros da oposição italiana, incluindo Riccardo Magi (+Europa), Nicola Fratoianni e Angelo Bonelli (Alleanza Verdi Sinistra), Elly Schlein (Partido Democrático) e Giuseppe Conte (Movimento 5 Estrelas).
O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, declarou que a unidade de crise da Farnesina monitoriza permanentemente a situação dos cidadãos italianos envolvidos. Contudo, garantiu que a Marinha italiana tem apenas funções humanitárias e não irá acompanhar a flotilha para além da linha de bloqueio israelita.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal espanhol The Objective, o navio Furor (P-46), enviado pelo governo espanhol, está limitado a missões de busca e salvamento. As regras de empenhamento da Marinha espanhola proíbem qualquer acção ofensiva contra Israel, mesmo em cenários de ataque directo à flotilha. A utilização das armas a bordo, incluindo canhões MK-38 fabricados pela britânica BAE Systems e pela israelita Rafael, apenas poderia ocorrer em autodefesa e mediante autorização governamental, cenário considerado altamente improvável.
A legislação espanhola impede também o navio de se aproximar a menos de 12 milhas náuticas da costa de Gaza, zona definida por Israel como “área de guerra activa”. O mesmo princípio se aplica aos navios italianos e a outras embarcações da UE que eventualmente venham a ser enviadas. Assim, qualquer tentativa de entrada em águas controladas por Israel será alvo de intercepção, sendo que a ajuda humanitária só poderá ser descarregada no porto de Ashkelon para entrada por via terrestre.
A “Euronews” destaca que, apesar do acompanhamento europeu, a flotilha permanece vulnerável, dado que os navios militares não estão autorizados a disparar nem a oferecer protecção directa contra-ataques israelitas. Para muitos críticos, isto coloca os participantes da missão num cenário de elevado risco, ao mesmo tempo que evidencia os limites da União Europeia perante as acções de Israel no Mediterrâneo oriental.

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