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À atenção do Dr. Luís Maurício

O nosso concidadão Dr. Luís Maurício foi indicado pelo Governo Regional para presidir à Comissão de Análise com vista às obras de recuperação do Hospital do Divino Espírito Santo.
Na passada semana, e segundo as declarações do próprio prestadas à rádio pública, ele conta entregar ao governo, lá para o fim do corrente ano, as conclusões da dita Comissão de Análise a que preside.
O objectivo deste meu escrito a pedir a atenção do Dr. Maurício é, tão só, para que nas análises que tiver de efectuar, não seja parco na denúncia das necessidades que o HDES sempre teve, e continuará a ter, se continuarmos a ser “miserabilistas” como temos sido quando se trata de investimentos nesta ilha.
Recordo aqui a exiguidade das instalações não só da hemodiálise como de outras valências, enquanto que, noutras ilhas, domina a sobre dimensão nas instalações, como ficou provado aquando do incêndio do HDES em Maio de ano passado.
Por outro lado, quero recordar que o Governo Regional já decidiu instalar na ilha Terceira a Faculdade de Medicina Veterinária com valências hospitalares, aproveitando para tal, se não estou em erro, as velhas instalações do Laboratório Regional de Medicina Veterinária.
Tudo isto está muito bem, nada a opôr. Porém, há que pensar na evolução do curso de medicina humana que é ministrado na Universidade dos Açores em Ponta Delgada que, tal como no Funchal, tende a evoluir. Também tal como no Funchal, o HDES tem de se transformar em hospital universitário. Porém, isso só acontecerá quando for decidido ampliar as actuais instalações, de modo a dar apoio a uma população de, grosso modo, meio milhão de pessoas, entre residentes e população flutuante, nomeadamente turistas.
Mesmo que, no Hospital da Divino Espírito Santo fiquem salas vazias à espera de equipamentos, tal não seria inédito nesta região, porque já aconteceu na ilha Terceira com o equipamento de radioterapia, por exemplo.
Como diz o nosso povo, não sejamos pobres no pedir. Apesar da existência no arquipélago de mais dois hospitais, devemos pensar que, neste momento, o HDES está “pensado” para servir uma ilha com população residente na ordem das 150.000 pessoas. A estas, há a acrescentar a população flutuante devido ao turismo, que ainda são muitos milhares, e ainda, há a considerar um aumento populacional.
Tenho consciência de que, adentro portas partidárias vai haver luta política, em especial as vindas da ilha de Jesus Cristo, acusando de bairristas aqueles que reclamem mais para S. Miguel. Só espero que não faça caso das hipotéticas contestações porque julgo que não está na política para obtenção de tachos. Isto porque, como médico, tem o futuro garantido. Que é como quem diz: não precisa do partido para nada. Bem antes pelo contrário!
Espero que não me leve a mal eu publicitar esta minha opinião a seu respeito, mas julgo que o devo fazer.
Agora, é esperar o que dirão os outros componentes da Comissão de Análise que, por aquilo que li na imprensa, é tudo gente capaz e que percebe da matéria.
Estou certo que, o novo HDES, será o hospital que todos desejam.

Por: Carlos Rezendes Cabral

    P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
    28SET2025
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