Segundo relatado pela “Euronews”, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, advertiu Donald Trump de que o eventual fornecimento de mísseis de cruzeiro Tomahawk à Ucrânia poderia marcar uma nova e perigosa fase de escalada não apenas no conflito, mas também nas relações bilaterais entre Moscovo e Washington.
O líder russo, que elogiou Trump pelas suas tentativas de promover a paz na Ucrânia durante a recente cimeira do Alasca, declarou sentir-se “à vontade” para dialogar com o homólogo norte-americano. Putin destacou que a busca de soluções diplomáticas era um passo positivo, mas advertiu que a entrega de armamento de longo alcance assinalaria “uma mudança qualitativa” no confronto.
A Casa Branca, por seu lado, confirmou através do vice-presidente JD Vance que a hipótese de fornecer estes mísseis a Kiev está em cima da mesa. Numa entrevista televisiva, Vance assegurou que Trump tomará a decisão que considerar ser “a melhor para os Estados Unidos”, sem excluir que a medida venha a ser adoptada caso o Kremlin continue a recusar participar em negociações mediadas.
Putin, contudo, procurou relativizar o impacto militar do armamento. Falando perante especialistas em política externa reunidos na estância de Sochi, no Mar Negro, afirmou que os Tomahawk não alterariam o equilíbrio estratégico no terreno, onde as forças russas, segundo ele, continuam a registar avanços. O presidente russo garantiu que a introdução deste tipo de míssil não mudará a natureza do conflito, sublinhando que a Ucrânia se encontra numa posição frágil.
Ao mesmo tempo, um funcionário da Casa Branca, citado sob anonimato, considerou que a invasão ordenada por Putin já custou caro à Rússia, quer em termos económicos, quer na sua imagem internacional. O mesmo responsável lembrou que Moscovo rejeitou repetidas vezes propostas de paz que poderiam trazer estabilidade à região.
No mesmo fórum em Sochi, Putin respondeu ainda a acusações recentes sobre alegado envolvimento russo em episódios de drones avistados sobre a Dinamarca. Classificou tais suspeitas como parte de uma “estratégia da NATO” destinada a fomentar tensões e justificar o aumento das despesas militares na Europa. Embora não haja provas concretas sobre os autores, líderes da Dinamarca e o secretário-geral da Aliança Atlântica admitiram que não se pode excluir a responsabilidade russa.
Durante uma cimeira europeia em Copenhaga, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reforçou estas preocupações. Apontou os incidentes como um sinal de que Moscovo “se sente confiante para prolongar e intensificar a guerra”. Zelensky advertiu que a Rússia não tem como alvo apenas a Ucrânia, mas sim a estabilidade do Ocidente. “A sua estratégia passa por dividir a Europa, fomentar disputas internas e impedir consensos”, afirmou.
Desta forma, a advertência de Putin a Trump cruza-se com um contexto europeu marcado por receios de novos desdobramentos do conflito e por acusações de que Moscovo procura expandir a sua influência através de intimidação militar. A “Euronews” sublinha que o dossiê dos mísseis poderá tornar-se um dos pontos mais delicados na já tensa relação entre Estados Unidos e Rússia.
